A pediatra Christina Propst foi despedida da clínica Blue Fish Pediatrics, em Houston, no Texas, depois de ter afirmado, nas redes sociais, que as vítimas mortais das cheias no Texas eram apoiantes da administração Trump — a mesma que efetuou cortes nos serviços meteorológicos norte-americanos e, por isso, conseguiram “aquilo pelo qual votaram”.

De acordo com a Sky News, a demissão ocorreu na sequência de um comentário feito no Facebook, no qual a pediatra sugeria que as pessoas mortas nas cheias que estão a assolar a região do Texas mereceram o que lhes aconteceu, porque eram eleitores de Donald Trump. “A MAGA [Make America Great Again, slogan da campanha do atual Presidente] do Condado de Kerr votou pela destruição da FEMA [Agência Federal de Gestão de Emergências]. Negam as mudanças climáticas. Que consigam aquilo pelo qual votaram”, pode ler-se no comentário.

Por outro lado, Propst afirmou, ainda na mesma declaração, que espera que “todos os visitantes, crianças, eleitores não MAGA e animais estejam seguros e secos”.

Após os comentários da pediatra — que causaram várias reações e polémicas —, a clínica Blue Fish Pediatrics disse, inicialmente, que Propst tinha sido suspensa. Mais tarde, a empresa acabou por emitir um comunicado no qual confirmou que “a pessoa já não trabalha” lá.

“Como mencionámos anteriormente na nossa declaração original, condenamos veementemente os comentários feitos na publicação, que não reflete os valores, padrões ou missão da Blue Fish Pediatrics”, afirmou a empresa.

A Blue Fish Pediatrics “não apoia nem tolera qualquer declaração que politize tragédias, diminua a dignidade humana ou não defenda claramente a compaixão por todas as crianças e famílias, independentemente da sua origem ou crenças”, acrescentou.

As páginas do perfil de Christina Propst foram removidas do site da Blue Fish Pediatrics e do site do sistema de saúde Memorial Hermann Health System, que está associado à clínica pediátrica e que também reconheceu a controvérsia num comunicado. “Estamos cientes das declarações feitas por uma médica nas redes sociais e condenamos veementemente essas declarações. A profissional não é funcionária do Memorial Hermann, mas não toleramos este tipo de retórica, que não reflete a missão, a visão ou os valores do nosso sistema”, disse o sistema de saúde.

Em causa, está o facto de o sistema de alerta precoce de inundações na região do Texas não ter resultado na evacuação atempada de várias zonas de Kerr, onde se conta a esmagadora maioria das vítimas mortais.

Segundo o The Guardian, os atrasos na emissão de alertas têm sido associados às reduções orçamentais implementadas pela Casa Branca que afetaram tanto o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) como a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, na sigla em inglês). Há vários meses que antigos funcionários públicos e especialistas têm vindo a alertar para os perigos destas medidas, sublinhando que os cortes significativos podem comprometer a segurança da população.

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