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Fotos de Giorgia Meloni, Chiara Ferragni e Paola Cortellesi publicadas em fórum pornográfico. Site fechado após denúncias

Este artigo tem mais de 1 ano

Fórum com mais de 700 mil inscritos funcionava desde 2005. Denúncias existiam desde 2023. Primeira-ministra Giorgia Meloni entre as políticas e celebridades afetadas.

epa11945363 Italian Prime Minister Giorgia Meloni speaks to the media during an European Special Council meeting in Brussels, Belgium, 06 March 2025. The EU leaders are convening for a special summit to discuss ongoing support for Ukraine and enhance European defence.  EPA/CHRISTOPHE PETIT TESSON
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▲Primeira-ministra italiana disse-se "enojada" com o caso

CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

▲Primeira-ministra italiana disse-se "enojada" com o caso

CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

No fórum italiano Phica, fotografias de mulheres roubadas das redes sociais de celebridades e políticas eram manipuladas e compartilhadas sem o seu consentimento, acompanhadas de comentários dos próprios utilizadores. Esta semana, depois de várias críticas e denúncias de mulheres cujas imagens tinham sido expostas, o site acabou por encerrar. Entre as vítimas está a primeira-ministra, Giorgia Meloni, que disse estar “enojada” e pediu consequências “sem concessões”.

O Phica — nome semelhante a um termo coloquial para vagina em italiano — tinha sido criado em 2005 e, de acordo com o semanário L’Espresso, contava com mais de 720 mil inscritos. As mulheres eram catalogadas de acordo com a região de proveniência e, segundo o The Guardian, uma “secção VIP” era reservada para pessoas com maior estatuto, onde se incluía Meloni, a líder do Partido Democrático e da oposição, Elly Schlein, a influencer Chiara Ferragni e a atriz e realizadora do filme Ainda temos o amanhã, Paola Cortellesi.

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O caso tinha sido exposto primeiro por Mary Galati, de Cinisi, região de Palermo, que publicou a sua história esta terça-feira na rede social X. Segundo ela, o primeiro aviso veio em maio de 2023, quando uma amiga da sua terra lhe tinha dito que as suas fotos tinham sido encontradas no Phica.

“Todas as minhas fotos do Instagram estavam nesse site. Um tipo vendia informações minhas, como o meu nome, apelido e país, além do meu local de trabalho. Esse tipo apresentava-me como a sua ex-‘amiga com benefícios'”, denunciou, acrescentando ter recebido mais de “400 comentários porcos” nas suas fotos.

Numa entrevista dada à revista L’Espresso, Galati contou que, depois de investigar mais fundo e de ler o fórum, “viu tudo”. “Homens que partilham imagens das suas esposas ou sogras para ridicularizá-las ou humilhá-las. Existem várias subcategorias, algumas divididas por regiões, outras por partes do corpo ou por faixas etárias, que vão desde meninas até mulheres de oitenta anos. É um arquivo sem fim, construído dia após dia há quase vinte anos”, disse, contando que fez queixa por duas vezes às autoridades mas que “as respostas eram sempre as mesmas”.

“‘Vamos ver o que podemos fazer’. Depois, silêncio”, sublinhou Mary Galati que criou, logo em 2023, uma petição na página Change.org, que defendia o encerramento do site. Depois da publicação no X e subsequentes críticas públicas, o número de assinaturas explodiu de 30 mil para mais de 170 mil à data da última consulta.

Após esta primeira denúncia de Galati, o caso tomou uma maior proporção esta quarta-feira depois da vereadora do Partido Democrático italiano da cidade de Latina, Valeria Campagna, ter exposto nas redes sociais que fotos suas tinham sido publicadas naquele espaço sem o seu consentimento, contou o Corriere della Sera.

“Não foram apenas imagens em trajes de banho, mas momentos da minha vida pública e privada”, escreveu no Instagram, acrescentando que as imagens eram acompanhadas de “comentários sexistas, vulgares, violentos”. “Hoje estou revoltada, zangada, desiludida. Mas não posso ficar calada. Porque esta história não diz respeito apenas a mim“, sublinhou.

Já a eurodeputada Alessandra Moretti disse esta quinta-feira ao Corriere della Sera que os utilizadores do fórum “roubavam” há vários anos “fotos e vídeos de programas de televisão” em que tinha participado. “Depois alteram-nos e divulgam-nos a milhares de utilizadores”, acrescentou. “Este tipo de site, que incita à violação e à violência, deve ser encerrado e banido“, acrescentou.

Por seu tunro, Alessia Morani, antiga deputada do mesmo partido que também teve imagens suas publicadas, anunciou que iria “denunciar” a página. “Os comentários são francamente inaceitáveis e obscenos e ferem a minha dignidade como mulher. Infelizmente, não sou a única e todas nós devemos denunciar esses grupos de homens que continuam a agir em grupo e impunemente, apesar das muitas denúncias”, escreveu no Instagram.

A resposta da primeira-ministra chegou só esta sexta-feira, numa entrevista ao Corriere della Sera, em que se disse “enojada com o que aconteceu” e expressou a sua “solidariedade e proximidade a todas as mulheres que foram ofendidas, insultadas e violadas na sua intimidade pelos gestores deste fórum e pelos seus utilizadores”.

“É desanimador constatar que, em 2025, ainda há quem considere normal e legítimo pisar a dignidade de uma mulher e torná-la objeto de insultos sexistas e vulgares, escondendo-se ainda por cima atrás do anonimato ou de um teclado”, acrescentou Meloni, cuja irmã, Alanna, também teve imagens divulgadas no Phica.

“Confio nas autoridades competentes para que os responsáveis sejam identificados o mais rapidamente possível e punidos com a máxima severidade, sem concessões. No nosso sistema jurídico, a divulgação sem consentimento de conteúdos destinados a permanecer privados é um crime e é designada por ‘revenge porn’ (pornografia de vingança, em inglês)”, sublinhou.

Outros nomes na lista são Mara Carfagna e Mariastella Gelmini, do partido Nós Moderados; Maria Elena Boschi, do partido Italia Viva; Chiara Appendino, do Movimento 5 Estrelas; Alessandra Mussolini, neta do ditador italiano Benito Mussolini do partido Lega.

Há ainda duas ministras afetadas: a responsável pelo Ensino Superior, Anna Maria Bernini e a ministra do Turismo, Daniela Santanchè.

A publicação de Santanchè nas redes sociais sobre o tema referenciava o fecho da plataforma, que foi anunciado na primeira página do próprio Phica. “Infelizmente, como acontece em todas as redes sociais, há sempre pessoas que utilizam as plataformas de forma incorreta, prejudicando o seu espírito e sentido original”, lê-se no comunicado da equipa gerente.

“Apesar dos esforços, não conseguimos impedir a tempo todos os comportamentos tóxicos que levaram a Phica a tornar-se, aos olhos de muitos, um lugar do qual se distanciar, em vez de se sentir orgulhoso de fazer parte”, disse ainda a equipa que decidiu, “com grande pesar, […] encerrar e apagar definitivamente tudo o que foi feito de errado.

O presidente do Senado, Ignacio della Russa, também tinha criticado a polémica no Facebook, expressando a sua “firme condenação pelo caso de sexismo online que envolveu várias mulheres – figuras públicas, políticas, mas também muitas pessoas comuns – às quais foram roubadas fotos das suas redes sociais e depois divulgadas num site para adultos após terem sido retocadas”.

Segundo a agência ANSA, a Polícia Postal — dedicada a investigações envolvendo a internet e as redes sociais — está a investigar “queixas de toda a Itália” envolvendo ambos os casos Phica e a Minha Esposa, estando agora a procurar quem eram os gestores do site e do grupo de Facebook.

Numa publicação feita no Instagram depois do fecho do site, Mary Galati celebrou o encerramento do fórum, contando ter recebido “ameaças” e “insultos” depois de expor o Phica. “Espero que a multidão enfurecida não venha atrás de mim, já que lhes tirei o “‘passatempo’”, disse Galati na publicação.

Grupo semelhante no Facebook encerrado na semana passada

Este caso surgiu apenas uma semana depois de um outro, em tudo semelhante. Na passada quarta-feira, um grupo com cerca de 32 mil assinaturas no qual eram partilhadas e comentadas fotos de mulheres em momentos de intimidade, presumivelmente sem a sua permissão, foi encerrado pela rede social.

O encerramento deve-se ao facto do grupo violar as normas contra a exploração sexual de adultos da rede social, conforme explicou à agência EFE um porta-voz da Meta, empresa que detém o Facebook.

“Não é permitido conteúdos que promovam violência, abusos ou exploração sexual. Se tornarmos conhecimento de conteúdo que incitem à violação, podemos desativar os grupos e as contas que os publicam e compartilhar os seus dados com as autoridades policiais”, referiu o porta-vos, citado pela agência noticiosa.

O grupo público em causa chamava-se “Mia Moglie” (minha esposa, em português), acumulando 31.885 membros desde a sua criação há sete anos.

Neste grupo eram publicadas fotografias de mulheres em momentos íntimos captadas sem o seu consentimento, algumas inclusive geradas com Inteligência Artificial (IA).

A decisão da Meta surgiu depois de uma denúncia no Instagram da escritora e ativista Carolina Capria e da organização “No justice no peace”.

A ativista tomou conhecimento da existência “de um grupo no Facebook com 32.000 utilizadores, no qual alguns dos seus membros trocam fotos íntimas das suas próprias mulheres para comentar a sua aparência e dar voz às suas fantasias sexuais. As mulheres, que muitas vezes não sabem que estão a ser fotografadas, eram submetidas a uma violação virtual“, escreveu Carolina Capria na rede social, citada pela EFE.

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