Sete influencers fechados numa casa em que só podiam circular em duas divisões e vigiados a todo o momento não terá sido a melhor ideia do mundo. Em nove horas, discussões, ameaças, violência e sexo explícito transformaram a experiência num verdadeiro caos, deixando como única opção acabar com a transmissão.

Os irmãos Daniel e Carlos Ramos, que ficaram conhecidos por fazerem vídeos polémicos, com discussões com pessoas com nanismo, um programa de “procura por namorada” para um assassino condenado e debates entre viciados em drogas, são os fundadores desta iniciativa, diz o El Mundo.

Conhecidos como “Zona Gemelos”, organizaram aquilo que designaram “experiência social” onde não havia regras de convivência nem um guião. Os participantes foram escolhidos por se terem tornado famosos através de características peculiares, fatores emocionais instáveis ou histórico de vícios.

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A experiência, que foi transmitida na plataforma Youtube e Kick – plataforma de streaming com maior liberdade para criadores de conteúdo devido à política de moderação mais flexível – tinha apenas uma regra: os influencers apenas podiam estar na cozinha e na sala de estar da casa.

O reality show começou no dia 12 de outubro. No início tudo apontava para uma semana dentro da normalidade, com a dinâmica prevista entre os participantes. No entanto, a situação escalou rapidamente quando, 25 minutos depois de estarem na casa, duas das influencers – conhecidas como “La Marrash” e “La Falete” – envolveram-se numa discussão que envolveu gritos, ameaças, empurrões e arremesso de loiça e comida.

Os organizadores e membros da produção tiveram de intervir, não só nesta discussão, mas em várias que aconteceram ao longo das nove horas, para que os conflitos e situações a que se expunham não deixassem ninguém realmente ferido. Os vídeos de vários momentos da transmissão rapidamente começaram a circular nas redes sociais.

Entre as coisas mais bizarras que aconteceram dentro da “Casa dos Gémeos”, está o momento em que uma das influencers, depois de ingerir grandes quantidades de álcool e drogas, tentou engolir uma lâmpada, tendo chegado a desmaiar.

Entre cenas sexuais explícitas, traições, discussões intensas com arremesso de objetos, gritos e ameaças, a transmissão em direito no Youtube foi várias vezes cortada. Já na plataforma Kick, que permite esse tipo de conteúdo, a transmissão chegou a ter mais de 60 mil pessoas a assistir em simultâneo.

Segundo o El Confidencial, durante a noite os conflitos continuaram e os organizadores decidiram acabar com o reality show nove horas depois de começar. “A casa está destruída. Vamos cortar a transmissão aqui. Mais tarde anunciaremos uma segunda edição com algumas regras básicas de convivência e algumas horas para dormir. Isto ficou fora do controlo”, assumiram a quem os assistia.

“Fora da câmara era ainda pior: temos cuspidelas por todo o lado”, relataram os irmãos, que acabaram por reconhecer que a segurança dos participantes não estava garantida.

A plataforma Kick, usada para este tipo de conteúdo digital que inclui violência e conteúdo explícito, tem sido bastante contestada, nomeadamente depois da morte do influencer francês Jean Pormanove num direto na plataforma, que durava há 298 horas. No caso espanhol, os influencers não foram obrigados a participar, ao contrário do influencer francês, mas o nível de conteúdo impróprio está a ser igualmente contestado nas redes sociais.

Texto editado por Dulce Neto