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O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo registou nesta terça-feira com agrado a rapidez do esclarecimento da Procuradoria-Geral da República sobre o inquérito que envolve Gouveia e Melo e desejou que a campanha seja sobre temas relevantes para os portugueses.

“Registo apenas com agrado a velocidade com que a Procuradoria da República tem vindo a esclarecer a situação em que cada um dos candidatos, neste caso, se tem visto envolvido, para que as suspeitas não fiquem no ar”, afirmou o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à Casa dos Animais, em Lisboa.

Vincando que os candidatos devem esclarecer tudo o que é devido, Cotrim Figueiredo desejou para o próximo ano prestes a começar que “a campanha não passe pela discussão permanente dos casos”, mas sim pelos temas “mais relevantes para a vida dos portugueses”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu nesta terça-feira que o inquérito em curso sobre os ajustes diretos feitos na Marinha se encontra “em fase final de investigação” e que o candidato à Presidência da República Henrique Gouveia e Melo não é arguido no processo.

O esclarecimento surgiu um dia depois de a revista Sábado ter noticiado a existência deste inquérito.

“Neste caso, parece-me relativamente normal que numa campanha presidencial, tudo o que seja passado dos candidatos seja mais escrutinado, incluindo os processos que já havia antes de começar a campanha presidencial”, vincou Cotrim Figueiredo, reiterando que é da responsabilidade dos candidatos dar todos os esclarecimentos necessários para “matar” o assunto.

Já questionado sobre a promulgação pelo Presidente da República do decreto-lei que prorroga por três meses os contratos de concessão dos casinos do Algarve, de Espinho e da Póvoa de Varzim “registando que o primeiro-ministro não participou na deliberação”, Cotrim Figueiredo recordou que o primeiro-ministro, “sabendo da delicadeza dessa questão e do sue envolvimento próximo com a empresa Solverde”, comprometeu-se a resolver o assunto até ao final deste ano.

SNS

“É mais um daqueles compromissos com datas, como aconteceu com a resolução dos problemas do SNS, como aconteceu com uma série de outras matérias em que se comprometeu a resolver a tempo e não o faz”, apontou. O candidato defendeu também que os governos têm de olhar para a raiz dos problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), caso contrário vão continuar a acontecer.

“Os governos de turno, enquanto não olharem para a raiz do problema e para a forma como o Serviço Nacional de Saúde está organizado, enquanto não o fizerem, estes problemas vão sempre acontecer, porque o interesse dos utentes não está alinhado com os interesses dos profissionais de saúde, nem com os interesses das instituições prestadoras de cuidados de saúde”, afirmou.

João Cotrim Figueiredo tinha sido questionado sobre o que faria enquanto presidente da República relativamente ao aumento da pressão nas urgências hospitalares por causa da gripe, que tem levado a elevados tempos de espera para observação de doentes.

“O Presidente não governa, o Presidente tem apenas a possibilidade e a responsabilidade de chamar a atenção para o Governo que estiver em funções da importância dessas matérias. Acontece que, no caso das urgências encerradas, chamar a atenção para essa matéria já é manifestamente insuficiente”, afirmou.

Chega

Questionado ainda sobre um novo cartaz do candidato do Chega, André Ventura, onde se lê “as minorias do costume têm de cumprir a lei”, após ter sido ordenado judicialmente para remover cartazes que visavam a comunidade cigana, Cotrim Figueiredo rejeitou “comentar nenhum assunto que dê espaço mediático aos candidatos quando é isso exatamente o que é pretendido”.

A propósito da visita à Casa dos Animais de Lisboa (CAL), que é o centro de recolha oficial de animais errantes na cidade e que abriga atualmente 151 cães e 46 gatos para adoção, o candidato liberal abordou ainda a necessidade de apostar na implementação das regras que já existem, sobretudo relativamente ao bem-estar animal e aos maus-tratos a animais e de uniformizar as regras de adoção e verificação das condições das famílias que adotam.