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Durante cerca de 30 anos, Barry Pollack construiu uma reputação rara nos tribunais norte-americanos, sendo descrito como um advogado capaz de defender casos que até então eram indefensáveis. Foi Pollack que negociou a libertação de Julian Assange após quase 15 anos de batalhas judiciais e agora é o nome escolhido para defender Nicolás Maduro no processo de narcoterrorismo que enfrenta em Nova Iorque.
Pollack é um veterano advogado de julgamento em Washington e sócio do escritório Harris St Laurent & Wechsler. De acordo com os jornais norte-americanos, como o The Wall Street Journal, especializou-se em crimes financeiros complexos, corrupção pública, segurança nacional e processos de alto risco político, representando executivos de topo, altos responsáveis governamentais e organizações envolvidas em investigações mediáticas.
“Tenho muita sorte por gostar realmente do que faço. É difícil imaginar-me a fazer algo que tenha um impacto tão grande na vida da pessoa com quem se está a lidar. E esses casos são intensos. Passamos muitas horas com o cliente”, afirmou Pollack em entrevista ao Lawdragon.
O advogado considera-se “criativo”, procurando diferentes formas de “analisar as provas que tem em mãos”. “Há advogados que são excelentes no tribunal. Depois, há advogados que realmente se aprofundam nos factos. Conhecem o caso, por vezes, muito melhor do que o governo e, por vezes, melhor do que o próprio cliente. Gosto de ser ambos. Acho que tenho a capacidade de comunicar bem com um júri”, sublinhou.
Barry Pollack contou, também, que tenta “ser muito sincero com o cliente”. “Digo-lhes sem rodeios: ‘Aqui estão os pontos fortes do caso, na minha opinião. Aqui estão os pontos fracos do caso, na minha opinião. Aqui estão os riscos’. E depois deixo o cliente tomar a decisão com pleno conhecimento dos riscos que está disposto a aceitar”, relatou.
O seu nome tornou-se conhecido por causa de Julian Assange, o fundador do WikiLeaks que esteve cinco anos numa prisão britânica depois de se ter declarado culpado de obter e publicar segredos militares dos Estados Unidos, nomeadamente centenas de milhares de registos de guerra e telegramas diplomáticos que incluíam detalhes de irregularidades militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão.
Em junho do ano passado, foi Pollack quem negociou o acordo com o Departamento de Justiça norte-americana que permitiu a libertação imediata de Assange, encerrando um dos processos mais longos e polémicos da justiça dos Estados Unidos.
Para além deste caso, na carreira de Pollack está o escândalo da Enron, uma empresa de energia norte-americana que foi investigada por alegados crimes financeiros. O advogado defendeu o contabilista Michael W. Krautz, que viria a ser um dos poucos arguidos absolvidos. Noutros processos de grande exposição, representou colegas advogados, empresários e figuras públicas acusadas de crimes financeiros e de abuso de poder, alcançando várias absolvições completas.
Paralelamente, Pollack desenvolve um trabalho firme na reversão de condenações injustas. Um dos casos mais emblemáticos foi o de Martin Tankleff, condenado aos 17 anos pelo homicídio dos pais e libertado após 17 anos de prisão, depois de Pollack ter conseguido a anulação das acusações. Pelo seu trabalho nesta área, já recebeu distinções como o Defender of Innocence Award e o Gideon Champion of Justice Award.
Segundo a imprensa norte-americana, o novo advogado de Nicolás Maduro é membro honorário do American College of Trial Lawyers e do American Board of Criminal Lawyers. Foi presidente da National Association of Criminal Defense Lawyers, uma das mais influentes associações da área no país.
Foi este percurso que levou o Presidente da Venezuela, agora deposto, a escolhê-lo no processo a decorrer no Tribunal Federal de Nova Iorque. A opção por Barry Pollack não é, por isso, acidental. Trata-se de um advogado habituado a processos em que o direito, a política e a diplomacia se cruzam.