Como Mariana Leitão, líder da IL, também Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, manifestou o apoio público a António José Seguro. Mas a sintonia vai para além do apoio. Ambos admitem escolher o candidato apoiado pelo PS “sem entusiasmo”.
“Julgo que tem a capacidade de não dividir, mas terá que respeitar a maioria social de centro-direita que existe hoje em Portugal”, explicou Moedas em declarações ao Expresso. Apesar de Luís Montenegro assumir uma posição neutra quanto ao futuro da Presidência, o autarca de Lisboa é só mais um de vários nomes do PSD que tem manifestado apoio a Seguro.
O semanário também revela que, mais à direita, o socialista também conquistou a preferência de Assunção Cristas, que se seguiu a outros ex-líderes do CDS, como Francisco Rodrigues dos Santos e José Ribeiro e Castro. Apesar de os dois partidos que formam o Governo da AD não terem declarado apoio a ninguém, deputados e ministros podem fazê-lo. “No Governo não há inibição do exercício de direitos políticos, há direito de reserva”, disse na quinta-feira António Leitão Amaro, ministro da Presidência.
Se na noite eleitoral, Luís Marques Mendes não se comprometeu com o apoio a André Ventura ou a António José Seguro, agora, o candidato apoiado pela AD garantiu que o socialista “é o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”. A garantia dada pelo candidato que ficou em quinto lugar na primeira volta foi dada também ao Expresso, depois de o Observador ter avançado essa intenção.
No mesmo dia, à SIC Notícias, Mariana Leitão garantiu votar, também “sem entusiasmo”, em Seguro. Contudo, tal como o PSD ou o CDS, a IL não vai apoiar nenhum candidato na segunda volta. “A IL, enquanto partido, não vai fazer campanha por alguém que pode vir a ser uma força de bloqueio em Belém. (…) Não é uma questão de coragem”, disse a Presidente dos liberais.
Mas, porque rejeita “a forma de fazer política do outro candidato, o populismo, o divisionismo e a política através da mentira”, vai mesmo votar em Seguro. A mesma posição foi defendida, logo na noite eleitoral do último domingo, por Mário Amorim Lopes, líder parlamentar da IL.
Depois da tomada de posição por Marques Mendes, Ventura acusou o candidato derrotado de se ter juntado ao “tacho de interesses”. “Há três dias, o dr. Marques Mendes disse assim: ´eu não endossarei os meus votos a ninguém, porque quero dar liberdade a quem votou em mim´. Agora, como todos, como o sistema está todo a unir-se e o sistema de interesses está todo à volta da mesma coisa, o dr. Marques Mendes entendeu que não devia ficar fora deste tacho de interesses, e então já quis apressar-se para vir juntar-se a ele”, disse o líder do Chega.
“Está-se a ver uma união de todos, da esquerda, da direita, do sistema todo, do sistema de interesses todo contra mim. Basta ver as televisões de manhã à noite, os jornais de manhã à noite, e é cada dia uma nova figura absolutamente improvável, algumas delas que andaram a dizer que queriam combater o socialismo a vida toda, e que agora subitamente se tornaram grandes apoiantes de um socialista. Eu não só temo que isso aconteça, isso está a acontecer”.
Mais do que o PS e o PSD, que Ventura diz serem “a mesma coisa”, o candidato fica surpreendido com “o CDS e a IL correrem para este tacho”. “É absolutamente devastador ver como, na verdade, não há espaço não socialista em Portugal para lá do Chega. O único espaço não socialista, o único espaço que não se revê neste tipo de sistema é o Chega e é esta candidatura”.
Presidenciais. Ventura acusa Seguro de ter “medo do escrutínio” por só aceitar um debate