Os restaurantes e bares dos Estados Unidos tornaram-se um alvo de fiscalização e de intimidação por parte das autoridades do país desde que Donald Trump regressou ao cargo, em janeiro do ano passado. São cada vez mais os relatos dos proprietários estrangeiros, que denunciam abusos por parte dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) que, por vezes, se mascaram para entrar e vigiar este tipo de estabelecimentos, refere o Los Angeles Times.

No Minnesota, quatro agentes do ICE almoçaram num restaurante mexicano, acabando por regressar depois do fecho para seguir os proprietários e os empregados e detê-los nas proximidades, avançou o jornal local Star Tribune. Com poucos dias de diferença, um agente entrou num restaurante tailandês no mesmo estado, gritou imediatamente com os funcionários e acusou-os de esconderem “uma criança”, contaram os proprietários ao USA Today. Um vídeo da câmara de segurança do restaurante mostra o agente a sair e a voltar ao restaurante com uma arma, traumatizando o staff e os clientes.

Com o aumento das ameaças contra os imigrantes no país, muitos proprietários têm vindo a  manifestar-se contra o ICE. Alguns colocam cartazes de protesto à porta dos estabelecimentos. É o caso de Anton Kinloch, proprietário de um bar de cocktails em Nova Iorque, que escreveu num cartaz “Amamos gelo ( “ice”em inglês) nas bebidas. Não amamos gelo na vida real. Solidariedade sempre”, relata o The Guardian. Há mesmo quem se recuse a cozinhar “para os fascistas e os seus cúmplices”, como Jason Vicent, um dos proprietários de uma pizzaria em Chicago, que proíbe qualquer um que esteja a utilizar um boné MAGA ou uma t-shirt pró-ICE de entrar no estabelecimento.

Os estabelecimentos que se revelaram mais críticos relativamente à atuação das forças de segurança norte-americanas também se tornaram alvo de ataques dos próprios apoiantes do ICE. Segundo o jornal britânico, têm sofrido assédio na internet, vandalismo, ameaças de boicote e até mesmo confrontos físicos. Jamie Kenyon, chefe executivo de um restaurante em Nova Iorque, contou ao The Guardian que, minutos depois de ter publicado uma mensagem pró-imigração na página do Instagram do seu restaurante, recebeu um telefonema de um desconhecido a ameaçá-lo e a condenar a publicação. Alguns proprietários, como Kenyon, dizem que os seus negócios têm tido comentários falsos na internet, tanto no Google como em plataformas de avaliação de estabelecimentos deste tipo.

Os imigrantes representam 22% da força de trabalho do setor da restauração no país, de acordo com dados do Independent Restaurant Coalition, embora esse número possa ultrapassar os 30% em vários estados norte-americanos, como o Texas, a Califórnia e Nova Iorque. A maior parte dos responsáveis do setor considera que deportar os trabalhadores seria catastrófico, dada a importância da mão-de-obra estrangeira na restauração.

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