A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) vai pedir ao Governo e ao Instituto da Mobilidade e do Transporte (IMT) um apoio extraordinário ao setor, recuperando mecanismos como o Fundo Ambiental, para fazer face ao aumento dos combustíveis.
Em declarações à Lusa a propósito do aumento do preço dos combustíveis, o presidente da FPT, Carlos Silva, lembrou haver várias medidas que podem ser tidas na situação, nomeadamente quanto ao combustível profissional e até “recuperar alguns mecanismos [usados] no período pós-pandemia e também já com a guerra da Ucrânia”.
“Tivemos o fundamental, atribuíram montantes fixos por veículo e, tal como já acontece, e ainda acontece com os transportes públicos pesados, o táxi tem que ser analisado e considerado como transporte público que também é”, acrescentou.
Para o responsável, faz “todo o sentido que o setor do táxi beneficie desse apoio extraordinário ao setor dos transportes públicos”, sublinhando que, na Europa, “a tendência dominante foi a redução temporária de impostos sobre os combustíveis e descontos diretos à bomba, combinando com as subvenções por veículo e por empresas de transporte”.
Segundo o responsável, existem programas nacionais de compensação do aumento dos custos de energia para operadores de transportes públicos, com apoios diretos ao combustível.
“Nós temos que ter esses apoios também porque torna-se incomportável o custo do combustível, que tem uma relevância muito grande nos custos operacionais do setor”, acrescentou, recordando que existem mecanismos para tal, através do Fundo Ambiental, como foi aplicado em 2022 e “que deveria ser novamente introduzido”.
Carlos Silva adiantou também que houve já muitos empresários que na renovação da frota “optaram por veículos de outras energias” que não combustíveis fósseis.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicou que o Governo continuará a acompanhar a evolução do preço dos combustíveis “nas próximas semanas”, sem excluir medidas a nível nacional e até ibérico.
Apesar de não estar diretamente dependente de produtores do Médio Oriente, os preços dos combustíveis em Portugal são fixados internacionalmente, pelo que a evolução das cotações globais do crude se reflete no preço de venda ao público.
As variações do preço do petróleo podem demorar alguns dias a refletirem-se nos postos de abastecimento. Isso acontece porque as empresas distribuidoras compram combustível antecipadamente e os preços incluem também custos de refinação, transporte, impostos e margens comerciais.
O mecanismo de fixação dos preços em Portugal segue, em regra, a média das cotações da semana anterior, pelo que qualquer manutenção da tendência de alta deve refletir-se nos preços de venda ao público nesse período.