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O Irão rejeitou, esta quarta-feira, um eventual acordo de cessar-fogo com Washington, por considerar que as propostas norte-americanas, apresentadas no plano de paz de 15 pontos, “não têm lógica”, depois de o Presidente dos Estados Unidos ter afirmado que estava a negociar com Teerão, noticiou a agência estatal iraniana citada pela Bloomberg. Em resposta, o exército iraniano deixou uma mensagem dirigida a Donald Trump: “Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas chegou ao fim“.
Num comunicado divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica iraniana, o porta-voz do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, o coronel Ebrahim Zolfaghari, insistiu que as declarações da Casa Branca sobre as negociações com a República Islâmica são falsas.
“Existem hoje duas frentes: a verdade e a mentira. E nenhum amante da verdade se deixa seduzir pelas tuas ondas mediáticas”, afirma o comunicado, questionando: “Será que os teus conflitos internos chegaram a um ponto em que estás a negociar contigo mesmo?”
O exército iraniano também advertiu que o preço do petróleo não voltará a ser o que era até que as Forças Armadas iranianas “garantam a estabilidade da região”.
“Nem os vossos investimentos na região se concretizarão, nem verão os preços da energia e do petróleo de antes, até compreenderem que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa das nossas forças armadas”, acrescenta o texto do Comando Unificado de Operações.
Donald Trump manifestou-se na terça-feira convencido de que Teerão e Washington vão “chegar a um acordo” no âmbito das conversações que o Presidente norte-americano afirma estar a manter com a República Islâmica, onde se verificou “uma mudança no regime”.
O líder dos Estados Unidos afirmou, ainda, que os representantes do Irão com quem Washington está a dialogar “concordaram que nunca terão a arma nuclear” e que Teerão lhe concedeu um “grande presente” relacionado com o estreito de Ormuz, rota comercial fundamental para o petróleo, controlada pelo Irão, e pedra angular deste conflito.
Os Estados Unidos transmitiram ao Irão, na noite de terça-feira, o plano de 15 pontos para pôr fim ao conflito, exigindo que entregue todo o combustível nuclear enriquecido que tem e mantenha aberto o Estreito de Ormuz.
Teerão reconheceu ter mantido alguns contactos indiretos com a Casa Branca, mas rejeitou categoricamente qualquer tipo de negociação. “Deixámos claro ontem que não há conversações nem negociações entre o Irão e os Estados Unidos”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano em entrevista ao canal India Today, acrescentando que Teerão teve uma “experiência catastrófica” com a diplomacia norte-americana.
Segundo Baghaei, o país foi atacado duas vezes num espaço de nove meses, numa altura em que decorria um processo negocial relacionado com a questão nuclear. “Isto foi uma traição à diplomacia”, afirmou.
“O Irão está sob ataques constantes e ataques com mísseis por parte dos Estados Unidos e de Israel. Por isso, as afirmações [de Trump] sobre diplomacia e mediação não são credíveis”, concluiu.