O bloqueio entrou em vigor. Ao 45.º dia do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão, os norte-americanos impuseram um bloqueio militar no Estreito de Ormuz, que impediu a passagem de qualquer navio. Pelo menos dois petroleiros terão voltado para trás para não passar por aquela via. Apesar das ameaças iranianas, não houve qualquer ataque aos navios militares norte-americanos.

No Líbano, a guerra prosseguiu com ataques israelitas ao sul do país e por parte do Hezbollah contra as IDF. Em vésperas do encontro dos embaixadores israelita e libanês nos Estados Unidos, Benjamin Netanyahu assegurou que a ofensiva irá continuar, enquanto o primeiro-ministro libanês declarou que o país “irá continuar a trabalhar para parar esta guerra”.

No Golfo, a situação permanece calma. Bahrain e Arábia Saudita foram alvos de ataques de milícias iraquianas pró-Teerão, mas não foram atacadas pelo Irão. Os dois países convocaram os representantes iraquianos.

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O falhanço nas negociações e o bloqueio de Ormuz por Trump. O que aconteceu no último dia de guerra?

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta segunda-feira, dia 13 de abril:

No Irão

  • Na sequência do anúncio de Donald Trump de que iria entrar em vigor um bloqueio do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos esta segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou que a aproximação de qualquer veículo militar do Estreito seria considerada uma violação do cessar-fogo e ameaçou com um “vórtice mortal” caso ocorra algum “movimento errado”.
  • O comandante da Marinha iraniana Shahram Irani considerou que a ameaça norte-americana é “ridícula e engraçada”.
  • O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que o Irão não iria ceder às ameaças de bloqueio do Estreito. “Se eles lutarem, nós lutamos, se eles se chegarem à frente com lógica, lidaremos com lógico”, declarou.
  • A circulação marítima foi interrompida na sequência do início do bloqueio norte-americano no Estreito de Ormuz, que entrou em vigor às 15h (hora de Lisboa).
  • O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA intercetarão todos os navios que tenham pago uma portagem ao Irão: “Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar.”
  • A Índia anunciou que os seus dois petroleiros que passaram recentemente pelo Estreito não pagaram nenhuma portagem ao Irão.
  • Dois petroleiros que tinham como destino a China deram a volta para não passar pelo Estreito de Ormuz.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, que esteve presente nas conversações do fim de semana em Islamabade, disse que o Irão encontrou “maximalismo, objetivos flutuantes e bloqueio” por parte dos Estados Unidos. “Zero lições aprendidas. O bem irá gerar boa vontade, inimizade gerará inimizade.”
  • O vice-presidente norte-americano, que também esteve presente nas negociações, disse ter havido “muito progresso” em Islamabade. “Não diria que as coisas correram mal”, afirmou JD Vance.
  • Uma fonte norte-americana avançou ao Axios que o enriquecimento de urânio terá sido um dos pontos de discórdia nas negociações, com os EUA a pedirem uma moratória de 20 anos no enriquecimento e a remoção do stock do país, enquanto Teerão propôs uma moratória de menos de dez anos e a mistura do urânio altamente enriquecido com urânio menos enriquecido.
  • Donald Trump disse “não querer saber” se há acordo com o Irão ou não.
  • Responsáveis iranianos declararam que 77 edifícios históricos, palácios e museus em Teerão foram destruídos pelos ataques norte-americanos e israelitas.
  • A circulação ferroviária em Teerão, Tabriz e Mashhad foi restabelecida.

Em Israel e no Líbano

  • O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, visitou parte das tropas que invadiram o sul do Líbano. “A guerra continua, incluindo dentro da zona de segurança do Líbano”, afirmou.
  • Netanyahu também declarou que o vice-presidente norte-americano, JD Vance, lhe ligou depois de as negociações terem colapsado em Islamabade.
  • O Ministério da Saúde israelita declarou que mais de 7.500 pessoas foram hospitalizadas desde o início da guerra.
  • As IDF lançaram mais ataques no sul do Líbano, às cidades de Choukine, Nabatieh e Mayfadoun. Em 24 horas, os israelitas atingiram 150 alvos do Hezbollah.
  • Israel estava à beira de assumir o controlo da cidade de Bint Jbeil, tendo já matado mais de 100 membros do Hezbollah naquela região.
  • A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) declarou que um tanque israelita atropelou dois veículos da força de paz da ONU.
  • O Hezbollah reivindicou 42 ataques às forças israelitas nas últimas 24 horas, incluindo 22 com drone.
  • O Ministério da Saúde libanês diz que cinco pessoas foram mortas no último dia. O número total de vítimas desde o início da guerra é de dois mil mortos.
  • O líder do Hezbollah Naim Qassem pediu ao Governo libanês que cancele a reunião de terça-feira que está marcada entre os embaixadores do Líbano e de Israel para esta terça-feira em Washington.
  • O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, declarou que o país irá “continuar a trabalhar para parar esta guerra”, incluindo a retirada de Israel de território libanês.

No Golfo

  • O Bahrain e a Arábia Saudita convocaram os representantes iraquianos no seu território para protestar contra os drones que têm sido disparados contra o país por milícias iraquianas pró-Irão.
  • O Irão exigiu compensações de guerra ao Bahrain, Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

No resto do mundo

  • Donald Trump atacou o Papa Leão XIV em vários pontos, incluindo na questão do Irão. “Não quero um Papa que ache que é OK o Irão ter uma arma nuclear”, escreveu na Truth Social.
  • O Presidente norte-americano declarou que o investimento dos Estados Unidos na NATO será revisto, por aquilo que classificou como a falta de apoio dos países da Aliança durante a Guerra do Irão. “Eles não estiveram lá para nós”, disse.
  • O Reino Unido e França vão encetar negociações esta semana para arranjar uma solução de passagem segura no Estreito de Ormuz. Emmanuel Macron classificou a missão como “estritamente defensiva”.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, disse ao homónimo iraniano que o conflito “não tem qualquer solução militar” e deixou apelos para evitar uma escalada. O Kremlin também se disponibilizou para receber o urânio iraniano enriquecido, no âmbito de um acordo de paz.
  • O representante máximo da diplomacia da Turquia, Hakan Fidan, mostrou-se confiante num cessar-fogo duradouro entre EUA e Irão.
  • Os preços do petróleo subiram novamente, com o preço do barril a ultrapassar os 100 dólares.