O principal responsável do Partido Comunista Chinês para Hong Kong acusou esta quarta-feira pessoas com “segundas intenções” de usarem o incêndio do complexo residencial Wang Fuk – o mais mortífero em Hong Kong desde 1948 – para incitar a agitação social.

O incêndio, que começou a 26 de novembro, causou a morte de 168 pessoas e devastou sete dos oito edifícios do complexo de habitação pública na zona de Tai Po, que albergava mais de 4.600 pessoas.

Autoridades de Hong Kong detêm 13 pessoas por suspeita de homicídio culposo em relação ao incêndio que matou 151 pessoas

“Após o incêndio em Tai Po, pessoas com segundas intenções politizaram a tragédia numa tentativa de semear o caos na cidade”, lamentou o diretor do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, sob a tutela do Conselho de Estado, do executivo chinês.

“Isto recorda-nos, mais uma vez, que Hong Kong ainda enfrenta vários riscos e desafios na sua caminhada para a estabilidade e a prosperidade“, disse Xia Baolong.

Num discurso transmitido na abertura do Dia da Educação para a Segurança Nacional, Xia instou os residentes de Hong Kong a permanecerem vigilantes face aos riscos para a China.

“Ter segurança num determinado momento não significa segurança permanente. A estabilidade atual também não garante a segurança futura”, alertou o dirigente.

Na mesma cerimónia, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, prometeu que o respeito pelos direitos humanos não seria afetado pela defesa da segurança nacional.

John Lee disse ainda que irá punir os responsáveis pelo incêndio de Tai Po e implementar reformas alargadas, de acordo com as conclusões de uma comissão independente de investigação.

Empreiteiros de Hong Kong prometem proibição de fumar em estaleiros após incêndio mortal

Na terça-feira, a justiça da região condenou Raymond Chong Wai-man, de 61 anos, a um ano de prisão por publicações nas redes sociais que sugeriam que o incêndio de Tai Po poderia desencadear uma nova vaga de protestos semelhantes aos de 2019.

Uma proposta de lei, apresentada pelo Governo, que previa a extradição para a China continental, desencadeou protestos com milhões de participantes e que culminou com reivindicações por sufrágio universal.

[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui o segundo episódio, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio]

As manifestações, por vezes violentas, terminaram com a imposição por parte de Pequim de uma lei de segurança nacional que prevê a pena perpétua.

“Se este incêndio desencadear outra campanha de resistência política semelhante em escala ao movimento contra o projeto de lei de extradição, o Partido Comunista certamente não ousará realizar um massacre como da última vez”, escreveu Raymond Chong.

O reformado acrescentou que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderia punir o Governo Central chinês em caso de repressão de uma nova vaga de protestos em grande escala em Hong Kong.

O Ministério Público da antiga colónia britânica disse que as publicações de Chong incitaram ao ódio em relação às autoridades locais e de Pequim.