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O navio de cruzeiro MV Hondius, suspeito de ser um foco de hantavírus, já partiu após a sua paragem em Cabo Verde e vai atracar em Tenerife dentro de três dias, confirmou esta quarta-feira o Ministério da Saúde de Espanha, citado pelo El Espanol. O Hospital Universitário de La Candelaria, em Santa Cruz de Tenerife, será o centro de tratamento para os passageiros potencialmente infetados.
Em conferência de imprensa, a ministra da Saúde, Mónica García, garantiu que, assim que o navio chegar ao porto de Granadilla de Abona, serão todos encaminhados para os seus países. Além disso, “todos os passageiros e tripulantes estão atualmente assintomáticos“, disse, citada pelo El Mundo.
García sublinhou, também, que esta operação não representa nenhum risco para a população, uma vez que o porto tem “muito pouca atividade e é secundário, localizado a dez minutos do Aeroporto de Tenerife Sul”. Mas o governo das ilhas Canárias levantou várias objeções, mostrando-se preocupado com o eventual perigo de contágio na ilha e exigindo que nenhum passageiro saia do navio.
Durante a tarde desta quarta-feira, um dos aviões-ambulância que transportavam pacientes contagiados chegou a Amesterdão, onde doentes foram levados por uma ambulância holandesa e outra alemã. O outro avião-ambulância parou em Tenerife para reabastecer e por ali ficou, por se ter detetado um problema elétrico no sistema de suporte a um dos doentes. Mas, apesar de se ter chegado a preparar a sua substituição por outro avião, vindo de Oslo, as ilhas Canárias conseguiram oferecer um sistema de suporte novo, para que o avião pudesse seguir viagem.
Entretanto, dois passageiros britânicos que já tinham voltado ao Reino Unido e que não têm sintomas estão em auto-isolamento, sendo que o período de incubação do vírus pode ir de uma a seis semanas, ou até mais.
O cruzeiro seguiu rumo às Canárias, transportando dentro de si o corpo de um dos doentes que morreram: Cabo Verde não teria condições para tomar conta do corpo e cremá-lo, pelo que será recebido à chegada a Tenerife. Por enquanto, está conservado numa sala fria dentro do próprio navio.
As autoridades argentinas revelaram ainda à Associated Press, na tarde desta quarta-feira, que a tese do seu governo é que o primeiro casal que morreu poderá ter contraído o vírus em Ushuaia, a cidade mais a sul do mundo, na Argentina, onde estiveram a fazer observação de pássaros num aterro sanitário. A teoria é que poderão ter levado o vírus para dentro do barco, depois de terem contactado com roedores que poderiam ser portadores do mesmo.
Oito casos de contágio, cinco já confirmados em laboratório
A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que se está a coordenar com as autoridades espanholas para que o navio possa atracar nas ilhas Canárias e o Ministério da Saúde espanhol disse que o país “tem a obrigação moral e legal de auxiliar estas pessoas”. Até à esta quarta-feira, a organização anunciou na rede social X a existência de oito possíveis casos (cinco dos quais confirmados em laboratório e três suspeitos), números que incluem os três mortos.
Swiss authorities have confirmed a case of #hantavirus identified in a passenger from the MV Hondius cruise ship.
He had responded to an email from the ship’s operator informing the passengers of the health event, and presented himself to a hospital in Zurich, Switzerland, and… pic.twitter.com/4mmBd7qSA4
— World Health Organization (WHO) (@WHO) May 6, 2026
Em declarações à Onda Cero, o presidente do governo das Canárias, Fernando Clavijo, criticou o Governo de Espanha pela sua “deslealdade institucional” e falta de profissionalismo por não o ter mantido informado. Repreendeu, ainda, a ministra da Saúde, Mónica García, por não lhe terem transmitido explicações sobre os critérios seguidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Não posso permitir que entre nas Canárias“, insistiu.
Espanha aceitou, na sequência da pressão da OMS e da União Europeia, que o cruzeiro fizesse escala nas Canárias para gerir os cuidados de saúde dos passageiros e da tripulação ao abrigo de um rigoroso protocolo internacional. Num comunicado divulgado na rede social X por volta das 21h30 de terça-feira, lia-se que a OMS em coordenação com a UE tinha acabado “de solicitar ao Governo de Espanha que acolha a embarcação nas Ilhas Canárias em cumprimento do Direito Internacional e do espírito humanitário”.
España acogerá la embarcación MV Hondius en las Islas Canarias en cumplimiento del Derecho Internacional y el espíritu humanitario. pic.twitter.com/V2Joo7CXgp
— Ministerio de Sanidad (@sanidadgob) May 5, 2026
A ministra da Saúde, Mónica García, respondeu, ainda na conferência de imprensa desta quarta-feira, às críticas Clavijo, afirmando: “Não vamos entrar em polémicas políticas, não é o caso. Este Governo já geriu muitas crises”.
O Governo da Suíça confirmou também, esta quarta-feira, que o oitavo passageiro infetado pelo hantavírus está a receber tratamento em Zurique e que não existe qualquer perigo para a população do país.
O navio fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem. Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 6 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
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