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O secretário-geral do PCP anunciou esta terça-feira que o partido pediu acesso ao relatório integral da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) sobre o primeiro mandato de Paulo Viegas Nunes na administração do SIRESP e não afastou audições parlamentares.

Em declarações à Lusa, por telefone, durante uma ação de contacto com trabalhadores dos Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos de Loures e Odivelas (SIMAR), em Loures, Paulo Raimundo disse que o PCP entregou esta terça-feira à tarde um “requerimento para solicitar o conteúdo integral” do relatório invocado pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, para justificar a confiança em Paulo Viegas Nunes, que regressou este mês à liderança do SIRESP.

MAI nega ilegalidades na gestão da SIRESP e garante que não há impedimento à idoneidade de Paulo Viegas Nunes

O relatório em causa escrutinou a atividade do conselho de administração do SIRESP durante o mandato de Viegas Nunes, entre 2022 e 2024, e, de acordo com o ministro, “não foram apontadas ilegalidades” e “as desconformidades procedimentais então identificadas foram integralmente corrigidas”.

Também o Livre disse, na segunda-feira, querer conhecer o relatório da IGF.

Para Raimundo, é importante que os deputados conheçam o relatório porque “talvez estejam aí alguns elementos que possam ter dado fundamento às decisões tomadas por esta ou por aquela pessoa”.

Questionado sobre se o partido concorda com a realização de audições parlamentares sobre este caso, como já pediram IL e Chega, o líder do PCP disse que o partido não se opõe a outras iniciativas já apresentadas.

No domingo, foi conhecida a demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro, que alegou “graves irregularidades” na gestão da SIRESP S.A. durante a presidência do general do Exército Paulo Viegas Nunes.

Secretário-Geral Adjunto do MAI pediu exoneração antes de ser conhecida escolha de Viegas Nunes para SIRESP, diz MAI

Num esclarecimento sobre este tema, o gabinete do ministro Luís Neves referiu que o secretário-geral adjunto do MAI pediu pela primeira vez a exoneração a 28 de abril, antes de ser conhecida a escolha de Viegas Nunes, tendo na altura “invocado motivos diferentes dos que estão agora em causa”.

No entanto, uma troca de emails, a que a Lusa teve acesso, entre António Pombeiro e elementos do gabinete do ministro da Administração Interna, contraria esta versão, já que, no primeiro pedido de demissão a 28 de abril, António Pombeiro faz referências diretas a Viegas Nunes, nomeadamente de tentar aproximar o SIRESP da esfera das Forças Armadas.

A ação desta terça-feira junto dos trabalhadores dos SIMAR foi apresentada por Paulo Raimundo como mais uma iniciativa com quem “põe o país a funcionar”, em particular com quem faz a recolha do lixo e dos resíduos.

Raimundo defendeu que estes trabalhadores “merecem respeito, dignidade, salários, tempo para viver” e “tudo menos o ultrapassado e retrógrado pacote laboral que está em cima da mesa”.

Sobre o pacote laboral, e em particular as posições assumidas pelo Chega nesta matéria, o líder comunista insistiu que o partido de André Ventura faz “cambalhotas atrás de cambalhotas” e que os “trabalhadores não podem contar com isso” para derrubar a alteração à lei laboral proposta pelo Governo.