O vice-presidente dos Estados Unidos e o Vaticano divergiram nas suas posições enquanto Francisco era o Papa. Temas como a migração, guerras e o controlo de fronteiras, que estão sob frequente discussão no Governo de Donald Trump, foram alguns que colocaram JD Vance e o líder da Igreja Católica em lados contrários.

Porém, tal não impediu que a 20 de abril de 2025, Francisco recebesse o vice-líder norte-americano no Vaticano, um encontro que o “vice” de Trump recorda no seu livro Communion: Finding My Way Back to Faith, segundo o The Washington Post, que teve acesso antecipado a um dos exemplares — a obra chegou às bancas esta terça-feira.

“Tínhamos funções diferentes, mas eu preferia as exortações específicas dele à vagueza que encontrei durante a reunião no Vaticano”, escreveu Vance, sublinhando que “mais vale ter uma conversa honesta do que uma mascarada por clichés”. A reunião à qual se refere será aquela que teve com os oficiais da Igreja Católica no dia antes de se encontrar com Francisco, que não pôde na ocasião atendê-lo devido ao seu frágil estado de saúde — o então Papa morreu menos de 24 horas após o encontro com o norte-americano.

Vance foi recebido pelo chefe da diplomacia do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, criticando o que considerou serem posicionamentos “genéricos” e contraditórios da Igreja Católica relativamente às guerras na Ucrânia e em Gaza. “O Vaticano parecia relutante em ir além de meras platitudes na sua orientação moral”, escreve, acrescentando que os diplomatas “nunca especificaram” quais eram as suas discordâncias sobre as políticas de migração dos Estados Unidos.

“Fiquei impressionado com o facto de uma das poucas instituições com autoridade moral e perspetiva global para abordar a questão da migração parecer tão receosa de dizer algo controverso que optou, na prática, por não dizer nada“, disse, reconhecendo que os detalhes podem ter sido evitados por questões diplomáticas, mas que os comentários na ocasião foram “muito abstratos para serem úteis”.