Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Quem imaginava uma campanha morna para estas legislativas, não mais que um passeio triunfal do Partido Socialista em direção à maioria absoluta, enganou-se redondamente. Rui Rio está a revelar ser um político em campanha mais forte do que se podia supor inicialmente. Tanto ele como Cristas podem agradecer aos deuses o presente que lhes caiu no colo, em forma de Tancos, e que veio reforçar o depauperado armazém de munições contra o governo de António Costa. O assunto chegou para ficar, o que significa que houve outro efeito surpresa: ao palco mediático acabou por subir a direita, que disputa os holofotes com Costa. Quanto à esquerda, que começou a campanha a explorar a relação tensa com o PS, tem vindo a passar mais discreta. O PAN está a fazer a primeira caravana debaixo de toda a atenção mediática, mas ainda parece não ter percebido bem para que lado aponta a luz. Esta é a análise dos repórteres do Observador que estão na estrada, quando estamos exatamente a meio da campanha eleitoral.

PS. O novo medo de Costa, depois do despiste de 2015

Há um momento da campanha de 2015 em que António Costa percebeu o que combatia realmente e que podia ser difícil de bater a PSD/CDS: quando uma senhora em Viseu lhe disse que gostava do que ele dizia, mas tinha receio de votar nele por arriscar perder o que tinha e estava a recuperar. Desta vez é outra a conversa que ouve na rua a fazê-lo pensar: quem lhe diz que gostava de votar nele mas tem receio da maioria absoluta.

O desejo escondido do PS tornou-se um problema. O líder socialista já assumiu que a maioria absoluta não é coisa que apaixone os portugueses, embora saiba que é o que lhe dá segurança para o dia seguinte às eleições. Como não pode falar nela, vai alinhando outra linha de argumentação. Quem quer o PS no Governo, tem de votar no “partido da mãozinha” não em nenhum outro quadrado acima ou abaixo. O político que gosta de jogar, neste campeonato não quer contas. Quer os votos expressos, para conseguir “governar mais quatro anos”, para dar “estabilidade” política, para que o que foi feito não possa ser revertido.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.