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Comissões de bolsa. Reduza os seus custos para 20 euros por ano

Os investidores mais inteligentes e mais rentáveis negoceiam menos na bolsa. Se apontar as suas compras trimestrais para o longo prazo, minimiza as comissões anuais a 20 euros no intermediário certo.

Apenas um em cada cem aforradores investe em ações quando pensa na aposentação. A última sondagem do Instituto BBVA de Pensões mostra que os portugueses preferem planos de poupança-reforma e depósitos bancários. Muitos fazem mal.

Desde 1900 até 2015, as ações mundiais renderam anualmente cinco pontos percentuais acima da inflação, em média, revela a atualização mais recente do estudo de Elroy Dimson, Paul Marsh e Mike Staunton, da London Business School. Este retorno fica muito longe dos 0,8% das aplicações de curto prazo. Não menospreze a diferença: através da capitalização dos ganhos em cerca de 30 anos, uma rentabilidade anual de 5% acumula 330% em vez dos 27% da aplicação que renda 0,8% por ano.

Embora as ações possam fazer bem à saúde da sua carteira, não invista de qualquer maneira. Os intermediários financeiros, como os bancos e as corretoras, esperam que negoceie mal na bolsa para aumentarem os lucros através das comissões que cobram.

Brad Barber e Terrance Odean, docentes na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos da América, são dois dos investigadores que mais têm estudado sobre o impacto das comissões no desempenho dos investidores. Uma das suas últimas análises, que redigiram acompanhados por Yi-Tsung Lee e Yu-Jane Liu da Universidade de Chengchi, em Taiwan, concluiu que os investidores taiwaneses sofrem “uma penalização no desempenho anual de 3,8 pontos percentuais” devido aos custos de negociação.

Barber e Odean já tinham demonstrado que, nos EUA, os investidores mais ativos (que negoceiam mais frequentemente) têm desempenhos inferiores. Curiosamente, como as mulheres negoceiam menos, tendem a alcançar resultados superiores.

13 intermediários analisados

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Analisámos os custos dos intermediários financeiros que tiveram uma quota de mercado igual ou superior a 1,5% nas ordens recebidas através da Internet no mercado a contado em janeiro passado: ActivoBank, Banco Best, Banco BPI, Banco Carregosa, Banco de Investimento Global, Banco Invest, Caixa Banco de Investimento, Caixa Geral de Depósitos, Intermoney Valores, Millennium bcp, Montepio, Novo Banco e Santander Totta. Excluímos a sucursal do Credit Suisse por não ter preçário depositado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Gastar 3,8% do património em custos de bolsa é excessivo em qualquer parte do mundo. Se estiver a pagar anualmente o equivalente a mais de 1,79% da carteira, prefira comprar um bom fundo de investimento em ações. É esse o custo anual de investir no Invesco Global Structured Equity, que o Observador nomeou como o melhor fundo de ações mundiais para investir em 2016, de acordo com a documentação publicada pela sociedade gestora.

É possível cortar drasticamente as comissões de bolsa adotando a estratégia certa e escolhendo o intermediário financeiro mais económico. Neste artigo, o Observador dá-lhe algumas ideias.

Qual é o mínimo que se pode gastar em comissões?

A primeira estratégia desenhada pelo Observador é a que procura minimizar as comissões cobradas pelo intermediário financeiro. Todavia, antes de escolher o banco mais económico, é preciso responder a três perguntas:

  1. Qual é o número mínimo de títulos a deter na carteira?
  2. Qual é a bolsa mais económica para investir?
  3. Os dividendos são desejáveis no longo prazo?

A resposta à primeira pergunta é óbvia: para ser um investidor de bolsa tem de ter, no mínimo, ações de um emitente. Contudo, investir apenas nas ações da EDP ou da Apple é arriscado. É aconselhável diversificar a carteira. Vários estudos apontam diferentes números mínimos para considerar uma carteira diversificada, mas estão normalmente entre uma e três dezenas. A alternativa é investir num único título que, por si, já seja diversificado.

É possível adquirir na bolsa um fundo de investimento cotado muito diversificado, como o iShares Core MSCI World ETF, recomendado pelo Observador para investir em 2016. Porquê comprar um fundo cotado em vez de subscrever um fundo como o Invesco Global Structured Equity, que também diversifica as aplicações por todo o mundo? Porque os custos de gestão são muito mais baixos. Em vez de uma taxa de encargos correntes de 1,79%, o produto da iShares, que tem mais de 1.600 títulos diferentes na carteira, apresenta uma taxa de 0,20%. Porém, é preciso somar os custos de bolsa – comissões de negociação, sobre o pagamento de dividendos e de guarda de títulos – para poder comparar estas taxas. No passado, o Observador detalhou as vantagens de escolher fundos cotados que replicam índices.

A segunda pergunta também não é difícil de responder. As bolsas que compõem o universo Euronext – Amesterdão, Bruxelas, Lisboa e Paris – são as mais económicas. Se comprar dois mil euros de títulos numa destas praças financeiras, a comissão média nos intermediários mais populares é de 14 euros (o que inclui, tal como nos restantes exemplos deste artigo, os impostos sobre as comissões). Se gastar o mesmo montante em Frankfurt ou nas principais bolsas dos Estados Unidos da América cobram-lhe cerca de 17 euros. No Reino Unido, o custo sobe para 21 euros.

Há centenas de fundos cotados nas praças financeiras do grupo Euronext, como o iShares Core MSCI World ETF, que é transacionado em Amesterdão.

Fundos cotados nas bolsas mais baratas
Estes são os sete fundos mais baratos que se encontram cotados nas bolsas Euronext, que replicam diretamente índices de ações e que não distribuem dividendos aos participantes.
Fundo Em que investe Rentabilidade anualizada
Taxa de encargos correntes Bolsa
1 ano 3 anos 5 anos
Amundi ETF S&P500 B 500 principais empresas dos EUA -5,45% 16,60% 16,43% 0,15% Paris
Lyxor ETF FTSE 100 100 principais empresas do Reino Unido -13,61% 5,14% 7,34% 0,15% Paris
Lyxor ETF DAX 30 principais empresas da Alemanha -16,84% 6,88% 7,95% 0,15% Paris
ComStage ETF CAC 40 40 principais empresas de França -7,84% 8,31% 6,71% 0,20% Paris
iShares Core MSCI World ETF Cerca de 1.600 principais empresas dos mercados desenvolvidos -8,98% 11,82% 12,02% 0,20% Amesterdão
Lyxor ETF Euro Stoxx 50 50 principais empresas da zona euro -13,71% 7,25% 5,55% 0,20% Paris
ComStage ETF PSI 20 20 principais empresas de Portugal (atualmente 18) -10,20% -4,73% -6,14% 0,35% Lisboa
Fonte: Bloomberg, entidades gestoras a 15 de março de 2016.

Falta responder à pergunta mais difícil: os dividendos são desejados? Em geral, os investidores premeiam as ações de empresas que pagam dividendos, porque as distribuições mostram o empenho das administrações em remunerar os acionistas. No entanto, se for investir na bolsa através de um fundo cotado, deve evitar os dividendos. Os fundos cotados que não distribuem dividendos reinvestem os rendimentos que recebem das ações na carteira.

Há duas razões para evitar os dividendos. A primeira resume-se a não encarecer a carteira. A maioria dos intermediários financeiros cobra comissões sobre os dividendos (que podem absorver, no limite, metade dos recebimentos). O mais comum é a comissão ser equivalente a 2% do dividendo a receber com um mínimo de cerca de três euros. Pode parecer pouco, mas não é: se tiver dez ações na carteira que paguem dividendos trimestrais, o custo anual é, no mínimo, de 120 euros.

A segunda razão é fiscal: se for um investidor de longo prazo, o facto de adiar receber os rendimentos permite não pagar já impostos sobre os ganhos. Enquanto não mobiliza a aplicação, os dividendos capitalizam a favor do investidor. Mesmo os aforradores que desejam rendimentos periódicos da carteira não devem optar por fundos que distribuam dividendos. Em vez de receber distribuições, esses aforradores devem vender títulos exatamente na quantidade necessária. Assim, pagam, no máximo, 28% ao fisco, que é também a taxa de retenção na fonte sobre os dividendos.

Invista pela Internet

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Opte sempre por investir pela Internet. Além de ser mais barato, a oferta é mais extensa. Alguns intermediários, como a Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco, não aceitam ordens sobre títulos estrangeiros ao balcão. A análise do Observador aos intermediários mais económicos debruça-se unicamente sobre os investimentos pela Internet.

A estratégia minimizadora de comissões deve procurar investir num fundo cotado em Amesterdão ou Paris (Bruxelas e Lisboa têm poucos fundos realmente diversificados) que não pague dividendos. Qual o intermediário financeiro certo para este plano? O Banco Carregosa é, de longe, o mais económico, através da sua plataforma de negociação GoBulling Pro.

O preçário GoBulling Pro prevê um custo de cinco euros por ordem em Amesterdão ou Paris… mais nada. Os clientes do Banco Carregosa que adiram à plataforma não pagam comissões de guarda de títulos nem comissões sobre dividendos recebidos, como é normal entre os restantes intermediários financeiros.

O segundo intermediário mais barato é mais de duas vezes mais caro do que o Banco Carregosa. O Banco Best, através da plataforma Best Trading Pro, cobra um mínimo de 10,40 euros e também isenta os clientes de comissões sobre dividendos e de guarda de títulos.

Os responsáveis do Banco Carregosa dizem que não têm lucro nas transações nas bolsas Euronext através da GoBulling Pro. “Uma vez que os resultados obtidos têm sido excecionais, não temos uma forte expectativa de, pelo menos a curto prazo, alterar esta política de preços”, afirma João Queiroz, diretor de negociação do Banco Carregosa.

Embora o preçário seja díspar, a GoBulling Pro usa a plataforma de negociação desenvolvida pelo dinamarquês Saxo Bank, tal como a OnTrade do ActivoBank, a Best Trading Pro do Banco Best e a Montepio Trader do Montepio.

Usar uma destas plataformas exige cautela, porque a lista de títulos disponíveis para investir é muito vasta. Não se engane nem caia em tentação de aplicar noutros ativos mais complexos, como opções, contratos de futuros e contratos diferenciais. (Recorde-se que Ulisses Pereira, o guru de bolsa que perdeu 90% do dinheiro dos clientes, preferia investir maioritariamente através de contratos diferenciais, como noticiou o Observador no final de 2014.)

Como reduzir os custos anuais a 20 euros

Se uma família aplicar dois mil euros (ou outro valor) por trimestre num fundo de índice de ações mundiais, como o iShares Core MSCI World ETF, através da plataforma GoBulling Pro gasta 20 euros por ano. Se deixar de fazer reforços e mantiver apenas a carteira, não paga nada ao Banco Carregosa. Somando a taxa de encargos correntes deste produto, que é de 0,20% por ano, os custos anuais representariam cerca de 0,70% da carteira, menos do que os 1,79% do Invesco Global Structured Equity.

Visto de outra perspetiva, a estratégia da família que investe trimestralmente no iShares Core MSCI World ETF através da plataforma GoBulling Pro é melhor do que aplicar o dinheiro no Invesco Global Structured Equity enquanto este fundo não ganhar anualmente mais 1,09 pontos percentuais do que o índice de ações mundiais, a diferença entre 1,79% e 0,70%.

Qual é a probabilidade de um fundo tradicional bater o índice de ações mundiais consistentemente? Muito baixa. Entre mais de duzentos fundos de ações mundiais disponíveis aos investidores portugueses, nenhum conseguiu bater consecutivamente o índice em cada um dos últimos cinco anos. Há oito fundos que bateram o índice MSCI World, incluindo o Invesco Global Structured Equity, no último quinquénio, mas nenhum conseguiu fazê-lo em cada um dos cinco anos. O produto da Invesco falhou em 2012 e 2013.

Desde 2011 que investigadores universitários, liderados por Mark Grinblatt da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e por Matti Keloharju da Aalto University, na Finlândia, estudam como os investidores mais inteligentes aplicam o seu dinheiro. Os académicos cruzaram os resultados de testes do quociente de inteligência (QI) de finlandeses quando cumpriram o serviço militar obrigatório com as suas carteiras de fundos. Concluíram que os investidores mais inteligentes escolhem os fundos com as comissões de gestão mais baixas, como os fundos de índice. Mesmo os mais ricos preferem fundos baratos quando são inteligentes.

“Os investidores de elevado QI têm menos probabilidade de deterem fundos mistos, fundos geridos ativamente e fundos comercializados através de redes de retalho. Este comportamento tende a reduzir as comissões dos fundos.”
Mark Grinblatt, Seppo Ikaheimo, Matti Keloharjue e Samuli Knupfer, em “IQ and Mutual Fund Choice” (Fevereiro de 2012)

Quanto mais dinheiro tiver acumulado no seu património bolsista, menor o peso será o peso das comissões investindo num fundo de índice. Por exemplo, se a família já tiver 20 mil euros e aplicar dois mil euros por trimestre, o peso dos custos de bolsa desce para 0,28% da carteira por ano, investindo na plataforma do Banco Carregosa.

Dois mil euros é muito dinheiro para dispensar do seu orçamento trimestral? Desde que invista periodicamente 630 euros ou mais através da GoBulling Pro, a taxa anual de encargos será inferior a 1,79%. Nos restantes bancos, é preciso investir, em média, mais de 1.500 euros num fundo de índice com uma comissão de gestão de 0,20% para que os seus custos anuais ficam abaixo de 1,79% da carteira.

Também pode restringir as comissões de bolsa a cerca de 20 euros por ano noutros intermediários financeiros diminuindo o número de transações, ao optar por concentrar a poupança a aplicar de cada vez. Na plataforma Best Trading Pro, a segunda mais económica, a família gasta 20,80 euros se, em vez de fazer quatro negócios de dois mil euros, fizer dois negócios semestrais de quatro mil euros.

Não quer um fundo de índice?

A estratégia de investir unicamente num fundo cotado que replique um índice diversificado pode parecer contranatura para os investidores de bolsa. É possível argumentar, por exemplo, que um fundo de índice tem tanto boas sociedades como empresas com fracas perspetivas de valorização. Para os aforradores que querem selecionar as ações certas para o seu património também calculámos os intermediários financeiros mais económicos.

Carteira de 10 ações

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Para realizar simulações de custos, considerámos uma carteira de dez ações internacionais em proporção do peso dos mercados a nível global, optando pelos títulos das maiores empresas. Assim, a carteira é composta, em partes iguais, por ações das norte-americanas Apple, Microsoft, Exxon Mobil, Johnson & Johnson e General Electric, pelo britânico HSBC Holdings, pela francesa Total, pela suíça Nestlé, pela alemã Bayer e pelo espanhol Santander.

Quem já tem uma carteira e não transaciona por regra – porque acredita nas aplicações de longo prazo, por exemplo – encontra também na GoBulling Pro do Banco Carregosa e na Best Trading Pro do Banco Best as plataformas de negociação mais baratas. Porquê? É simples: porque são, entre os 13 intermediários analisados, os únicos que não cobram comissões sobre os dividendos distribuídos nem comissões de guarda de títulos. Ou seja, quem tiver uma destas contas de negociação e não mexer na carteira pode esperar não pagar comissões ao longo do ano.

Numa carteira-tipo de 20 mil euros composta por dez ações pagadoras de dividendos, os investidores, ao escolherem o Banco Carregosa ou o Banco Best, evitam gastar até 206,61 euros por ano. É esse o valor que o Santander Totta cobraria em resultado de uma comissão de 2,58% sobre os dividendos com um mínimo de 2,72 euros, acrescida da comissão de processamento de 2,26 euros, e de uma comissão de guarda de títulos de 11,69 euros por trimestre.

Os 206,61 euros a cobrar pelo Santander Totta numa carteira de 20 mil euros representariam um custo de 1,03% do património. Isto quer dizer que uma carteira neste banco teria de ganhar mais 1,03% do que no Banco Carregosa ou no Banco Best para justificar as comissões mais altas, assumindo uma carteira estática sem negociação. Na alternativa mais económica, o ActivoBank, os custos anuais com comissões sobre dividendos e guarda de títulos somam 0,53% do património.

E se quiser negociar frequentemente?

Não o faça, se aprecia o seu dinheiro. As comissões são demasiado penalizadoras. Parte dos ganhos que teria eventualmente a escolher boas ações seria injetado nos cofres do seu intermediário financeiro. (Além de investir em contratos diferenciais, Ulisses Pereira transacionava muito; chegou a fazer 500 negócios por ano com o dinheiro dos clientes.)

Antes de estudarem as escolhas de fundos pelos investidores mais inteligentes, Mark Grinblatt e Matti Keloharju analisaram a carteira de ações dos finlandeses mais inteligentes. O resultado principal não surpreendeu (os mais inteligentes ganham mais na bolsa), mas os investigadores fizeram outras descobertas, como o facto de os mais inteligentes investirem proporções maiores do património em ações e de diversificarem mais a carteira, mas negociarem menos na bolsa.

Um investidor com 20 mil euros distribuídos por dez ações gasta, em média, 0,57% por ano da carteira em comissões sobre dividendos e comissões de guarda de títulos. Se rodar metade da carteira, efetuando dez operações de bolsa (cinco de venda e cinco de compra), o custo anual sobe para 1,43% da sua fortuna. Se rodar toda a carteira (20 operações), as comissões absorvem 2,29% do património por ano. (Se fizer como Ulisses Pereira, 500 operações anuais absorvem, em média, 43,44% do seu pé-de-meia.)

A Best Trading Pro, a plataforma de negociação do Banco Best, é a solução mais económica para quem roda anualmente toda a carteira. O custo seria de 1,27% do património. O concorrente mais próximo, a GoBulling Pro, captaria 1,53% da carteira. Banco Invest (Invest Online e Invest Trader), Best Trading, Montepio Trader e Caixadirecta Invest têm os restantes preçários que absorvem menos de 2% do dinheiro do investidor, isto é, menos de 400 euros por ano numa carteira de 20 mil euros, incluindo as comissões de negociação, sobre pagamentos de dividendos e de guarda de títulos.

Quatrocentos euros são vinte vezes mais do que o que é cobrado na estratégia de investimento num fundo cotado de índice através da GoBulling Pro. Resta saber se acredita que a sua capacidade bolsista permite-lhe mais do que compensar a diferença.

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