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As ruas de Vizela estão cheias de material de campanha de Victor Hugo Salgado
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▲As ruas de Vizela estão cheias de material de campanha de Victor Hugo Salgado

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

▲As ruas de Vizela estão cheias de material de campanha de Victor Hugo Salgado

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

"Foi um complô". Um dia na campanha de Victor Hugo Salgado, investigado por violência doméstica

Apoiantes dizem que adversário de Victor Hugo Salgado está detrás dos inquéritos na PGR, apesar de a mulher ter feito queixa. Os socialistas de Vizela desafiam o PS e estão com o autarca.

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No centro de Vizela, bandeiras da cidade sucedem-se nos estendais e janelas ao lado de outras bandeiras com a cara do presidente da Câmara, Victor Hugo Salgado. Surgem até mesmo nas fachadas de prédios devolutos, onde ninguém mora há muito tempo.

Apesar do palco montado para o comício do Movimento Independente Vizela Sempre, é o jogo entre o FC Vizela e o Chaves o que mais atrai os vizelenses que enchem as esplanadas ao redor do Jardim Manuel Faria. Victor Hugo Salgado perdeu o apoio do PS nacional ao saber-se que está a ser investigado por violência doméstica. Mas isso não preocupa Carla Ribeiro: “O PS devia ter dado o benefício da dúvida. Para nós, que acreditamos e conhecemos Victor Hugo, dizemos que ele não é violento. Foi um complô que o Dinis Costa fez contra ele por vingança.” É a cara de Victor Hugo Salgado tecida no cachecol que usa ao pescoço. “Acreditamos nele, é jovem, dinâmico, tem muito olho para as dificuldades de Vizela e dos vizelenses”, garante a apoiante de 48 anos, que elogia as remodelações de ruas e pavimentos e os novos Passadiços de Vizela. Tem três bandeiras de Victor Hugo estendidas em casa. “Há quatro anos, ele ganhou com mais de 70% dos votos. Este ano vamos ganhar com 80 e tal por cento.”

Não é a única convencida em Vizela de que Victor Hugo Salgado, visado em duas investigações por suspeitas de violência doméstica, irá vencer o seu terceiro mandato consecutivo. Um dos inquéritos diz respeito a uma queixa apresentada pela mulher, foi arquivado em maio porque a alegada vítima não prestou declarações e acabou reaberto pelo Ministério Público através de intervenção hierárquica em julho; outro debruça-se sobre uma denúncia de violência doméstica contra o filho e decorre desde junho. Ao Observador, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirma que “as investigações prosseguem, sujeitas a segredo de justiça”. Ao mesmo tempo, está a decorrer um processo disciplinar contra o cabo-chefe da GNR relacionado com o atendimento da chamada da mulher de Victor Hugo Salgado: foi acusado de violar o dever de zelo por não ter enviado uma patrulha e já apresentou um recurso.

  • FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
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“Vou dedicar esta vitória à minha mãe”

Presidente da Câmara desde 2017, Victor Hugo Salgado pertence à geração de Pedro Nuno Santos, de quem é amigo, mas que lhe retirou a confiança política do PS e o deixou fora das listas para as autárquicas deste domingo. Depois de uma curta passagem pela Assembleia da República como deputado, a que se seguiu o cargo de adjunto do então ministro do Trabalho, Vieira da Silva, voltou à política local, tornando-se vereador da câmara de Vizela em 2010. Foi, entre 2013 e 2016, vice-presidente da autarquia liderada por Dinis Costa, condenado no ano passado por peculato: pagou refeições e alojamentos com o cartão de crédito da câmara, concluiu o tribunal.

O antecessor de Victor Hugo Salgado revelou, em junho, ser o “autor de denúncia enviada à Procuradoria Geral da República onde pede averiguações sobre o presidente da Câmara Municipal de Vizela, alegando que, corre na voz do povo, este bateu na mulher e no filho, que existe uma queixa por violência doméstica e que se trata de um crime público que estariam, no seu entendimento, a tentar abafar”, de acordo com uma notícia da Rádio Vizela. Ao Observador, Dinis Costa não quis prestar esclarecimentos, mas a notícia da rádio local levou muitos a crer que teria sido ele o autor das duas denúncias, o que não se verifica: foi a mulher que fez queixa de Victor Hugo Salgado junto da PSP de Guimarães, no seu caso concreto.

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Victor Hugo Salgado pretende avançar na Justiça contra o seu antecessor, com quem se incompatibilizou em 2016, tendo-o exonerado do executivo camarário. De bandeira e harmónica nas mãos, António Machado, de 69 anos e apoiante do atual autarca, dá alguns detalhes. Neste “dia especial” veio dar o seu apoio a Victor Hugo Salgado. Trabalhou na câmara durante 25 anos como motorista, afirma, e também conduziu Dinis Costa. Alega que o atual autarca “descobriu” as suspeitas e “controlou” as despesas do antecessor. Victor Hugo seria exonerado e, nas autárquicas de 2017, Dinis Costa favoreceu João Ilídio Costa como candidato pelo PS. Costa e Salgado tornaram-se adversários políticos mas, no fim, o movimento em nome próprio de Victor Hugo Salgado foi o vencedor com quase 39% dos votos. Em 2021, o PS apoiou-o e Salgado chegou mesmo a presidente da Federação Socialista de Braga, cargo que abandonou depois de se saber que era investigado.

À chegada ao comício, o autarca de Vizela não quis prestar declarações ao Observador. Estava acompanhado pelos candidatos do Movimento Vizela Sempre e, uma hora depois, juntou-se-lhe a mulher e os dois filhos menores, ao lado de quem assistiu aos discursos. Na plateia, as bandeiras só esvoaçaram e se ouviram gritos quando foi a vez do presidente subir ao palco, já o céu se fechava. “Se começar a chover é ótimo, porque faz por esta altura oito anos que nós fazíamos o comício de encerramento do Movimento Vizela Sempre enquanto independentes e chovia copiosamente. E, depois daquela chuva toda, conseguimos ter uma das vitórias mais históricas, mais expressivas, mais significativas e, sobretudo, mais sentidas do concelho de Vizela.” Cinco minutos depois, agradecia à mulher e aos filhos, “sobretudo pelas ausências”. “Para se fazer tanta obra, para se conseguir esta mudança, acaba por haver uma ausência”, lançou.

Ainda falou do pai por lhe “ter ensinado a amar Vizela” e fez um último agradecimento: “No próximo domingo vamos arrancar uma das maiores vitórias autárquicas neste concelho. E nesse dia vou dedicar essa vitória à minha mãe.” No final do discurso, Victor Hugo Salgado cumprimentou os seus camaradas de Movimento e deu um beijo à mulher, que dois dias depois do comício pediu ao Observador que não fossem reproduzidas imagens suas nem dos filhos no comício. Fotos que o marido publicou nas redes sociais.

Quando a família saiu do jardim já chovia, algo que não deteve os apoiantes: deixadas as cadeiras vazias, uma longa fila organizou-se para o porco no espeto, a apurar sobre as brasas desde o início da tarde.

PS local e nacional em desacordo sobre Vizela

“O que o povo quer, o que o povo precisa, é de uma festa a suar a camisa”, cantam os vizelenses 4Mens. É perto do palco, de pé junto à mulher e amigos, que se encontra Adriano Ribeiro de Oliveira. Destaca que Victor Hugo Salgado “requalificou a Praça da República e o Parque das Termas” e que, “depois das festas, limpa-se logo tudo, e leva os reformados todos a Fátima e à Quinta da Malafaia”. É nesta quinta, em Esposende, que se celebram arraiais minhotos de arromba e, no último passeio em setembro, saíram 33 autocarros de Vizela. Sobre a violência doméstica, acredita que “muita gente meteu-se na vida particular”. “Bom não foi. Ele ia ser deputado por Braga”, frisa o homem de 72 anos.

Victor Hugo Salgado chega a estas eleições sem o apoio dos socialistas nacionais — nada que preocupe o cantor Toy, cabeça do cartaz musical deste comício. “Meu amigo Victor Hugo, uma pessoa diferente, ainda bem que se candidata como independente”, diz em palco, onde abriu a atuação com o êxito Coração Não Tem Idade. “O partido é a nossa terra, a nossa cidade — e o partido dele é Vizela”, continua. Era Toy o mais aguardado por Ivone e Natalícia Silva, irmãs de 48 e 50 anos. “Estou satisfeita” com o presidente, começa Ivone, que sobre as investigações apela a que não se misture “vida pessoal com a profissional”. Natalícia também apoia Victor Hugo, que “cumprimenta toda a gente”, com cautela: “Bater no filho é mentira. Com a mulher, senti que se aconteceu foi muito mau, porque já me aconteceu a mim e não podemos apagar. Mas são adultos, resolvam as coisas se têm que se separar.”

Presos aos postes nas ruas do centro, não faltam cartazes com o rosto da Vizela Romana, estátua símbolo da jovem cidade elevada em 1998. É esta a imagem, no boletim de voto, do Movimento Vizela Sempre e para os mais distraídos não falta o alerta sobre o “2.º Quadrado”. Há quem diga que pode ajudar os eleitores mais idosos que não saibam ler e que em vão procurem o punho do Partido Socialista no boletim de voto.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Afinal, o PS não apresentou quaisquer listas, apesar de o comício celebrar a apresentação de José Armando Branco, presidente da Concelhia do PS Vizela, como candidato à junta da união de freguesias de Caldas de Vizela. “É por isso que recordo uma célebre frase do treinador Joaquim Meirim: ‘Em equipa que ganha, não se mexe.’ As equipas do Movimento Vizela Sempre são as melhores”, afirmou Branco frente à estátua de António Guterres, um agradecimento àquele que era o primeiro-ministro em funções aquando da elevação a concelho. Tal como aconteceu com os anteriores membros socialistas do executivo municipal, Branco migrou para as listas do movimento de Victor Hugo Salgado.

Em junho, foi o presidente da Concelhia do PS Vizela a garantir que, depois de “reuniões” na cidade, mas também em Braga e Lisboa, o PS carecia de “condições para apresentar uma lista em Vizela, manter-se-á na mesma” e Salgado candidatar-se-ia como independente. “O PS está todo com Victor Hugo Salgado”, afirmou, citado pela Rádio Vizela, ao frisar que a decisão tinha sido negociada com o PS nacional “para não haver expulsões, nem perseguição a nenhum militante”. Ao Observador, José Armando Branco não quis prestar declarações, ao contrário de André Rijo, coordenador autárquico do PS. Confrontado com um possível acordo para evitar expulsões ou processos contra militantes e sobre o cargo de José Armando Branco, o coordenador autárquico adianta que “todas as questões colocadas não deixarão de ter o tratamento estatutário e disciplinar à luz da autonomia e independência dos órgãos jurisdicionais do partido”.

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População pode ter-se “dividido” em Vizela, mas autarca “vitimizou-se”

“Agora vamos meter um intervalo, deixamos de ser socialistas, vamos ser independentes e daqui por quatro anos voltamos todos.’ Foi o que [o presidente da Concelhia do PS Vizela] disse”, brinca Jorge Pedrosa, vereador sem pelouros e candidato à Câmara de Vizela pela coligação Mais Vizela, que junta o PSD, Iniciativa Liberal e CDS-PP. “Penso que o PS local e nacional deram um atestado de incompetência àquilo que são os seus militantes, ao não arranjarem candidatos para concorrerem a esta autarquia”, atira Vítor Magalhães, do Chega.

“Vergonhoso” é a palavra usada por Marco Pereira, da CDU. “Nós temos uma linha ideológica a seguir, mas que ideologia têm essas pessoas? Se realmente tivessem, continuavam com a sigla PS. Mas há muitos socialistas das freguesias que poderiam seguir o rumo do PS. E ninguém lhes apontou nada à cabeça para seguirem o rumo dos independentes.”

  • Jorge Pedrosa representa a coligação entre o PSD, a IL e o CDS-PP
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  • Aos 31 anos, Vítor Magalhães é o candidato a Vizela pelo Chega
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  • Marco Pereira, da CDU, é engenheiro informático
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  • Nuno Vale candidata-se pelo Bloco de Esquerda
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Nuno Vale, do Bloco de Esquerda, explica que o PS receou lançar alguém “sabendo que Victor Hugo Salgado se vai candidatar”: “Nem sei quem é que teria a coragem de se lançar como adversário de Victor Hugo Salgado, porque depois teria que vir alguém aqui dentro ou fora da concelhia para o desafiar. Terá sido mais uma espécie de taticismo político da parte do PS.” Garante ainda que o seu partido está “numa boa posição de chamar os eleitores que se revejam na esquerda moderada, porque aqui em termos de município, não há lugar para radicalismos”.

Perante as investigações ao autarca, os seus adversários políticos aguardam a decisão da Justiça. “Vejo que as pessoas ainda não perceberam bem o estado da notícia em si, a gravidade que tem. Se for verdade, é muito grave e as pessoas têm que perceber que isso não pode existir”, salienta Marco Pereira. O bloquista Nuno Vale admite uma divisão entre os vizelenses: “Temos as pessoas que são adeptas do Victor Hugo Salgado e das suas políticas, ou das suas ideias, e da sua posição como autarca amigo do povo. E depois temos outras que ficaram desiludidas com a alegada agressão e que se sentem desapontadas, que acham que não se deveria recandidatar.”

Na apresentação da sua comissão de honra e segundo a Rádio Vizela, Victor Hugo Salgado afirmou que a sua candidatura foi alvo de “uma vontade quase de um assassinato político”, descartando “exageros” e lamentando as “dores de crescimento do ponto de vista pessoal”, “daquilo que é uma família” e “dores do meu filho e da minha filha”. À direita, PSD e Chega alertam para uma “vitimização”. “A narrativa utilizada pelo senhor presidente foi tentar vitimizar-se e inverter o que aconteceu”, lamenta Jorge Pedrosa, que se surpreendeu ao questionar Victor Hugo Salgado. “Optou por não responder e, pura e simplesmente, refugiou-se em que era um assunto de foro privado, mas nunca negou em momento algum. Dentro de portas, goza de uma taxa de aprovação bastante elevada. Somos um meio pequeno e muita gente está dependente do município, que tem projetos, fornecedores de bens e serviços à Câmara, emprega muita gente. Isso constrange muita gente, julgo eu.”

[Há um novo candidato a Belém. Soares fica em choque com o anúncio do amigo que considera irmão. Freitas elege Zenha como principal adversário. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui.]

Vizela, uma jovem cidade ameaçada pelo desemprego das “crises cíclicas” do têxtil

Um dia depois do comício, é um trio elétrico em tudo semelhante aos dos programas de televisão das tardes do fim de semana que cruza as ruas de Vizela. A dois quilómetros do centro, junto às instalações da Polopiqué, ainda se ouve bem alto o hino de campanha de Victor Hugo Salgado. Esta empresa de têxteis abrange os concelhos de Santo Tirso, Vizela e Guimarães, foi fundada em 1935 como Teviz, e é uma das principais empregadoras da região. Mas, há um mês, anunciou intenções de despedir 400 das 800 pessoas que ali trabalham. Muitas têm o marido ou a mulher na mesma fábrica e estão lá há décadas.

▲ O trem elétrico da campanha de Victor Hugo Salgado

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

“Temos grandes empresários do sector têxtil e do calçado que empregam muita gente, mas ciclicamente temos crises nesse setor”, reconhece Jorge Pedrosa, do Mais Vizela, que teme a perda de até mil postos de trabalho, não só em grandes empresas, mas também nas pequenas que delas dependem. Até agora, calcula em até 100 os vizelenses afetados. “É importante atrair investimento de empresários que possam criar unidades fabris em Vizela, mas diversificadas e com o objetivo de absorver o desemprego e criar trabalho qualificado que possa fazer com que os nossos jovens, e desempregados, tenham outro tipo de emprego melhor remunerado e que possa ser criada riqueza dentro de portas.”

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Vizela é uma jovem cidade com “uma população que está a envelhecer a um ritmo galopante”, acrescenta Nuno Vale, do Bloco de Esquerda. “Se não conseguirmos trazer gente em idade ativa, vamos ter os jovens a crescer cá e a ter que procurar emprego fora. Eu acabei por ter oportunidade em Lisboa, e agora felizmente trabalho aqui mais perto, em Braga”, relata o candidato de 42 anos. “Ou nós somos mais competitivos com os outros municípios que gravitam à nossa volta, ou então passamos a ser um município dormitório também”, avisa Jorge Pedrosa.

Como o Chega, apela à revisão do Plano Diretor Municipal para atrair mais indústria, mas falta mais. As pessoas estão preocupadas com arranjar emprego e como chegar a ele. “Não há uma rede viária viável” nem “transportes públicos de qualidade a meios suportáveis” para pessoas que, na maioria, recebem o salário mínimo nacional, lembra Marco Pereira da CDU. E todos os candidatos concordam em, o mais depressa possível, criar um acesso direto à A11 — para o qual há “de certa forma, um compromisso” com o Governo, salienta o candidato social-democrata — essencial aos parques industriais.

▲ O Castelo da Ponte é um problema a resolver pelo próximo executivo camarário

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Todos os candidatos reconhecem, seja com ajuda do PRR ou mais focada no centro da cidade em detrimento das freguesias, obra feita a Victor Hugo Salgado. Mas, não muito longe dos hipermercados que surgiram nos últimos 20 anos, ergue-se o chamado “Castelo da Ponte”, que remonta ao início do século XX. A Famaconcret, empresa a que foi atribuída a recuperação do edifício, pede uma indemnização à autarquia no valor de 1,3 milhões de euros na sequência de uma rescisão unilateral com vista a um novo concurso público. A Câmara só se propôs pagar 156 mil euros, explica Jorge Pedrosa. Ainda assim, no debate da rádio, Victor Hugo Salgado garantiu que iria avançar com um projeto para o local, onde esteve previsto um Museu da Luta Autonómica do concelho de Vizela ou um Museu da Mota, seis meses depois da eventual eleição.

Num boletim de voto sem PS e pela semelhança entre os nomes, há quem tema que se gere confusão nos mais idosos entre a Coligação Mais Vizela e o Movimento Vizela Sempre, que se apresentam em primeiro e segundo lugar, respetivamente. Mas Victor Hugo Salgado não teme outros partidos: “A nossa verdadeira oposição é a abstenção. E quem pensa que já ganhámos está efetivamente enganado. Só no dia das eleições é que nós ganhamos”, alerta no fim do comício. “Aqueles que pensavam que nós já tínhamos ganho e não vão votar, o voto deles não vai estar lá dentro e por isso eu preciso do vosso apoio. Eu preciso dos vossos votos.”

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