O presidente da Câmara Municipal de Vizela está a ser investigado numa nova queixa de violência doméstica. Antes do polémico arquivamento das suspeitas de agressão à mulher, Victor Hugo Salgado foi alvo de uma denúncia anónima por suspeitas de violência doméstica contra o filho mais velho, de 10 anos. A procuradora Maria Dulce de Montenegro deu credibilidade à denúncia e extraiu uma certidão para um novo inquérito autónomo contra o presidente da Câmara Municipal de Vizela.
Contactada pelo Observador, fonte oficial da Procuradoria-Geral da República confirmou que “a certidão extraída deu origem a inquérito. O mesmo corre termos no DIAP de Guimarães”, lê-se na resposta.
Nova denúncia apresentada no início de maio
Ao que o Observador apurou, a denúncia anónima foi recebida pelo Ministério Público no início de maio. A queixa relata indícios de violência doméstica de Victor Hugo Salgado contra o seu filho de 10 anos. O autarca tem ainda uma filha mais nova.
Na altura estava ainda aberto o inquérito que tinha como vítima a mulher do autarca e, por isso, a denúncia foi inicialmente junta a esse processo. Antes de o arquivar — de forma polémica, por não ter interrogado o autarca ou tentado outras diligências — a procuradora Maria Dulce de Montenegro decidiu extrair uma certidão das suspeitas relacionadas com a criança, dando início a um inquérito autónomo.
Primeira investigação foi arquivada sem que autarca fosse ouvido
Victor Hugo Salgado foi investigado pelo Ministério Público por violência doméstica contra a mulher, devido a uma queixa apresentada pela própria a 27 de fevereiro. O inquérito foi arquivado depois de a alegada vítima ter decidido não prestar declarações aos procuradores e ter desistido da queixa.
Após o Observador ter revelado o arquivamento, o procurador-geral da República Amadeu Guerra admitiu reabrir o inquérito através de uma intervenção hierárquica.
“Os superiores hierárquicos estão a analisar o despacho de arquivamento, e dentro do prazo da intervenção hierárquica, que são 20 dias sobre o despacho e a respetiva notificação, têm possibilidade de tomar uma posição relativamente a isto, nomeadamente de mandar fazer outras diligências que entendam que devem ser feitas”, afirmou o procurador-geral.
O prazo para essa eventual intervenção hierárquica já está a contar e decorre até 22 de junho.
Na altura, a procuradora que detinha o inquérito decidiu acabar com a investigação apesar dos vários documentos oficiais com relatos das agressões — feitos pela mulher do autarca à PSP e ao gabinete médico-legal — e registos médicos acerca dos ferimentos que terão provocado.
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O auto de notícia por violência doméstica elaborado pela Polícia de Segurança Pública (PSP) de Guimarães descreve uma discussão após o jantar de aniversário da alegada vítima, durante a qual o autarca “desferiu vários murros na boca e no nariz” da mulher. Os registos clínicos do hospital de Guimarães, onde a mulher foi assistida de seguida, revelam uma fratura no nariz, uma escoriação no lábio e várias equimoses. Num relatório pericial do Gabinete Médico-Legal de Guimarães, solicitado pela PSP, a mulher de Victor Hugo Salgado refere outros episódios de agressões físicas: “Terão sido uns quatro”, afirmou a queixosa.
Contudo, a procuradora que detinha o inquérito considerou que todos os elementos “têm de se considerar insuficientes para sustentarem uma acusação pelo crime de violência doméstica”, indica o despacho de arquivamento do DIAP de Guimarães, onde agora também corre termos o novo inquérito que visa Victor Hugo Salgado, agora por suspeitas de crime contra o filho.
Victor Hugo Salgado é candidato independente à Câmara de Vizela nas eleições deste ano, após o Partido Socialista lhe ter retirado o apoio na sequência da primeira investigação por violência doméstica.