Isabel Rio Novo: "Agustina foi mais ousada e adiantada do que feministas encartadas" /premium

A autora de “A Sibila” foi prejudicada por ser mulher, nortenha e de direita, mas divertia-se com esses preconceitos. Entrevista com a autora da primeira grande biografia de Agustina.

“Agustina foi mais ousada e adiantada do que feministas encartadas”[entrevista originalmente publicada a 18 de fevereiro de 2019, atualizado a 3 de junho de 2019, a propósito da morte de Agustina]

“Nunca foi a mais lida das romancistas portuguesas, mas a sua influência social extravasou, de longe, aquela que normalmente é permitida às gentes da literatura”, lê-se nas primeiras páginas de O Poço e a Estrada, primeira biografia de Agustina Bessa-Luís, que chegou às livrarias na última sexta-feira e vem assinada por Isabel Rio Novo, de 46 anos, escritora e professora de Estudos Literários no Instituto Universitário da Maia. O livro tem chancela Contraponto, do grupo Bertrand, e inicia uma coleção de seis biografias de figuras portuguesas contemporâneas. Os nomes que se seguem são os de Amália Rodrigues, José Cardoso Pires, Herberto Helder, Manoel de Oliveira e Natália Correia.

Ao longo de mais de 500 páginas, O Poço e a Estrada apresenta pormenores, pequenas histórias, revelações e novas interpretações sobre uma das mais elogiadas escritoras portuguesas, que morreu a 3 de junho com 96 anos e que estava há mais de uma década afastada de olhares públicos por um estado de saúde que tem sido descrito como muito precário.

Agustina Bessa-Luís iniciou a vida literária em 1949, com o romance Mundo Fechado, e logo em 1954 ganhou um lugar história da literatura, ao publicar A Sibila, considerada uma das grandes ficções do nosso século XX. Mulher controversa e determinada, com olhar irónico sobre si e sobre os outros, definiu-se como insubmissa e incapaz de viver em apatia. “Ostento o orgulho daqueles que são capazes de decidir”, afirmou em 1990 numa entrevista ao jornal “Semanário”.

Ser mulher e nortenha (nasceu em Vila Meã, Amarante, e viveu quase sempre no Porto) criou-lhe obstáculos e incompreensões, sustenta a biógrafa, e o mesmo se diga das ideias políticas conservadoras que lhe valeram críticas quando dirigiu o diário portuense “O Primeiro de Janeiro”, em 1986 e 87, ou quando assumiu a direção do Teatro Nacional D. Maria II, entre 1990 e 93.

O feminismo nas atitudes, a capacidade de resistência aos juízos e a “entrega quase mística” à escrita, em detrimento de uma vida familiar tradicional, são passagens fortes que o livro apresenta. A escrita demorou mais de um ano e meio, entre abril de 2016 e novembro de 2018, depois de longa fase de pesquisa em que Isabel Rio Novo conversou com amigos e conhecidos de Agustina – Fernando Pinto do Amaral, Francisco José Viegas, Inês Pedrosa, Isabel Pires de Lima, Lídia Jorge, Mário Cláudio, Patrícia Reis, Pedro Mexia, muitos outros. A autora também leu cartas assinadas pela escritora e entrevistas que esta concedeu à imprensa, viu documentários e visitou locais, releu contos e romances. Só não conseguiu chegar à família, o que faz desta uma biografia não-autorizada.

Alegadamente, o livro contou com o entusiasmo inicial da única filha de Agustina, Mónica Baldaque, mas também um súbito desinteresse posterior, deixando a autora “dececionada”, mas nunca sem vontade de prosseguir.

Em entrevista ao Observador, feita e publicada originalmente antes da morte de Agustina, Isabel Rio Novo contou a sua versão deste episódio, disse que descobriu o papel fundamental do marido de Agustina e explicou que uma biografia é sempre uma invenção da verdade.

“O Poço da Estrada: biografia de Agustina Bessa-Luís”, de Isabel Rio Novo (Contraponto)

Quem é a Agustina Bessa-Luís que aparece neste livro?
É alguém que dificilmente cabe em rótulos. Brincado com as palavras, porque também sou romancista, é uma pessoa que dificilmente cabe. Não cabe em lado nenhum, nem sequer nesta biografia, e dificilmente cabe nos romances que escreveu. São romances inacabados, temos a impressão de que na última página a escritora pousou a caneta de repente, mas poderia muito bem ter continuado. São romances sem princípio nem fim. Penso que nesta biografia se descobre muita coisa sobre Agustina, mas também se chega ao fim com vontade de descobrir muito mais. Esse é um dos meus desejos, ficaria muito contente se isso acontecesse: que depois de ler esta biografia o leitor queira voltar à obra de Agustina ou, eventualmente, começar a descobri-la.

A imagem que tinha da escritora mudou muito ao tornar-se sua biógrafa?
Conhecia relativamente bem Agustina. Estava a par de episódios curiosos que são públicos, como o facto de ter conhecido o marido através de um anúncio num jornal. Conhecia bastante bem a obra de ficção e tinha o privilégio de ter integrada uma equipa que a entrevistou em 2003 e em 2004, no contexto de um projeto do Instituto Universitário da Maia, onde dou aulas. Nessas ocasiões, ela recebeu-nos muito bem na casa da Rua do Gólgota [no Porto]. Fui com uma colega, Helena Padrão, que além do mais era amiga de Agustina. Eu era uma jovem investigadora bastante tímida e enleada, e diante da escritora que admirava remeti-me para segundo plano, mas recordo o privilégio de ter podido contactar com a inteligência dela, com o sentido de humor, com aquele olhar muito arguto, que nos perscrutava sem nos devassar. Portanto, antes desta biografia eu achava que já conhecia bastante bem Agustina.

E afinal não conhecia?
Sim e não. Não descobri uma pessoa radicalmente diferente, mas uma pessoa ainda mais inesperada e insubmissa. Em alguns pontos, ainda mais controversa.

Quer dar um exemplo?
Para já, acho difícil destrinçar as duas qualidades, insubmissa e controversa. Agustina não foi uma criança comum, desde logo pela maturidade intelectual que tinha e pela experiência precoce de leitura e escrita. Quando começou efetivamente a escrever, fê-lo aos 15 anos, com um grau de exigência e de maturidade raros nessa idade. Depois, não conheceu o marido nas circunstâncias que esperaríamos de numa pessoa do seu estrato social e não foi seguramente a típica esposa e mãe burguesa. Em plena fase pós-25 de Abril, quando todos estávamos numa onda de entusiasmo, ela foi das primeiras a questionar os efeitos da nossa revolução. Ao mesmo tempo, não foi a apoiante política esperada, porque aqueles a quem foi concedendo apoio perceberam que ela escaparia sempre a qualquer tentativa de aprisionamento ideológico. Depois, globalmente, nunca se afirmou feminista, mas em alguns aspetos a sua história de vida foi mais radical do que a de muitas feministas.

"Boa parte da intelectualidade que se assumiu mais ou menos abertamente contra o Estado Novo censurava em Agustina o facto de ela não o fazer. No período antes do 25 de Abril, e logo a seguir, era muito difícil destrinçar os rótulos “conservadora” e “reacionária”, eram posições consideradas iguais."

O seu livro sugere até que Agustina foi prejudicada por ser mulher.
É uma impressão minha, sustentada nos factos que pude recolher, mas envolve um juízo sempre subjetivo, claro. Penso que ela foi vítima desse preconceito e também, em boa medida, do preconceito de ser uma pessoa do norte, ou do Porto. Esse preconceito regional foi, aliás, muito vincado na fase em que dirigiu o Teatro Nacional D. Maria II.

O preconceito de género e o preconceito das origens, é isso?
Ambos. Grande parte da imprensa na altura ironizava o facto de ela ter uma imagem de senhora doméstica, e esta expressão pode levar aspas, porque a encontrei nos jornais da época. A crítica era: como é que a escritora doméstica iria ter tempo para dirigir um teatro em Lisboa, estando a viver no Porto? A dada altura, Agustina arranjou uma casa em Lisboa, precisamente para poder passar alguns dias por semana na cidade, mas ela própria dizia algo como isto: o país, de norte a sul, tem pouco mais de 300 quilómetros, não é uma distância enorme, e há muitos empresários que fazem o mesmo e não são questionados. Independentemente de tudo o que possa ter falhado por responsabilidade dela na gestão do teatro, foi vítima de muitos preconceitos que não tinham fundamentação objetiva.

Agustina também gostava de cultivar essa imagem de senhora doméstica ou não?
Acho que ela se divertia com isso, com os juízos precipitados que poderia infundir nos outros e que obviamente sabia não corresponderem à verdade. Ela não tinha o mínimo complexo em relação às origens. Pelo lado materno, provém de uma família com raízes na aristocracia do Douro; pelo lado paterno, provém de uma espécie de fidalguia liga à propriedade da terra, ou seja, origens rurais. Não se envergonhava minimamente. Penso que essa faceta de senhora doméstica, ou de escritora doméstica, era de facto cultivada, porque Agustina não queria saber do que dissessem.

Escreve que Agustina sabia cozinhar, até cozinhava bem, mas não era muito dada à vida doméstica. Também não adorava a vida social. A literatura era tudo?
De acordo com os testemunhos que pude recolhe, o essencial para ela era escrever, ainda que não enjeitasse por completo as suas obrigações domésticas ou de convívio social. Não era propriamente uma intelectual que frequentasse com assiduidade cafés ou tertúlias literárias.

A autora, Isabel Rio Novo (Foto: Mário Santos)

Acha que, para além do facto de ser mulher e nortenha, as ideias políticas de Agustina também a prejudicaram? Ela sempre se situou à direita, o meio literário português não é tradicionalmente de direita.
Penso que sim. Boa parte da intelectualidade que se assumiu mais ou menos abertamente contra o Estado Novo censurava em Agustina o facto de ela não o fazer. No período antes do 25 de Abril, e logo a seguir, era muito difícil destrinçar os rótulos “conservadora” e “reacionária”, eram posições consideradas iguais. Agora, houve intelectuais de ideologia diferente que souberam reconhecer que ela não era nenhuma fascista nem apoiava o salazarismo. Uma dessas pessoas foi Sophia de Mello Breyner. Em correspondência com Jorge de Sena, Sophia defende Agustina, diz que compreende as posições dela e não acha possível que ela seja fascista.

Em várias passagens sugere que na vida pessoal da escritora houve uma inversão dos papéis tradicionais no casamento. Ela seria a força masculina. Isso fará de Agustina menos conservadora do que se poderia supor?
Por isso é que digo que apesar de nunca se afirmar feminista, e muitas vezes até ter sido jocosa ou crítica quando se referia ao feminismo, foi em muitas posições da sua vida mais ousada e adiantada do que feministas encartadas. Não vou tão longe a ponto de dizer que ela era a força masculina do casal, isso é uma componente psicanalítica, mas fiquei com ideia de que Alberto Luís [o marido, 1921-2017] compreendeu desde muito cedo que a mulher era possuidora de um talento verdadeiramente raro e fez sua a missão de ajudar à construção de Agustina escritora. Eu já sabia, ao partir para esta biografia, que o marido era uma pessoa extremamente culta. Ainda tive o prazer de o conhecer pessoalmente. Ele tinha a sua componente de artista, como pintor, tinha um contributo direto na criação literária da mulher, adiantando trabalho de pesquisa que ela não gostava de fazer, ajudando a datilografar manuscritos de livros ou a rever provas. Mas percebi agora que ele foi além disso. Ajudou-a na solidez cultural, através das viagens que faziam e das leituras que ele lhe indicava. Sobretudo, ele possibilitou que Agustina dedicasse a sua existência a escrever.

Várias páginas da biografia são acerca de uma polémica de 1950 que envolveu o crítico Jaime Brasil. Que polémica foi esta e porque é que decidiu dar-lhe tanto destaque?
Muitos anos mais tarde, Agustina referia-se sempre a esse episódio de maneira risonha, desvalorizando-o, mas quem pesquisa essa etapa percebe que foi um episódio doloroso e traumático. Na altura, Agustina tinha 28 anos, tinha acabado de publicar a sua novela de estreia, “Mundo Fechado”, com muito bom acolhimento, incluindo de escritores consagrados, como Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro. O próprio Jaime Brasil tinha saudado a estreia. Logo a seguir, escreve o segundo romance, Os Super-Homens, que será no conjunto da obra, visto hoje, um romance de menor qualidade. Jaime Brasil, na altura crítico do suplemento literário de “O Primeiro de Janeiro”, arrasou o romance. Não o fez por ser um livro fraco do ponto de vista narrativo ou estético, mas porque o considerava imoral e indecente. Chegou ao ponto de afirmar que uma senhora não escreveria páginas como aquelas e indiretamente comparou a autora com uma cabra com o cio. O romance continha várias cenas de sexo, uma referência a um aborto provocado e falava de uma rapariga que se envolve com um rapaz sem estar apaixonada ou ter intenção de arranjar noivo. O crítico achou inconcebível.

No início, o projeto foi bem recebido, com entusiasmo, até, quando o editor o apresentou à família. Depois, essa perspetiva de a família colaborar não se verificou, por razões editoriais que eu não quero comentar. É uma questão entre editores e chancelas.

Mas ele até era um homem progressista.
Sim, mas descobri na correspondência dele que na prática nem sempre seguia as ideias teóricas que defendia de igualdade dos sexos e emancipação feminina. Descobri-lhe alguns comentários bastante misóginos. Ora, nos anos 50, uma jovem portuguesa estava muito coartada quanto ao tipo de resposta que poderia dar a um ataque como o de Jaime Brasil. Ela responde-lhe, com violência, até, mas reconhece que está limitada pelo pudor feminino.

Essa polémica foi um momento-chave na carreira de Agustina?
Completamente. Bastaria ela não ser tão forte como era, não ser tão consciente do seu talento literário e não ter tido o apoio do marido, como provavelmente teve, para que tivesse sucumbido e desistido de ser escritora. Nos anos a seguir, ela não escreve romances, dedica-se a contos e outras obras, mas, quando regressa, regressa com A Sibila, o romance que vai mudar tudo e a faz entrar pela porta grande no mundo das letras. A sombra de Jaime Brasil vai ressoar durante anos e anos. Mesmo na correspondência com José Régio, ela está sempre a lembrar-se do episódio e é Régio, mais velho e conciliador, quem a aconselha a esquecer o assunto, porque era passado.

As obras de Agustina foram uma das suas fontes principais, porque a ficção dela é assumidamente autobiográfica…
Isso por uma razão muito simples: uma das vantagens que eu tinha à partida era um muito bom conhecimento da obra, porque já era leitora compulsiva de Agustina, desde a adolescência, e já tinha realizado vários trabalhos em contexto universitário sobre a obra dela. Ela sempre assumiu e explicou isso, que na obra ficcional ressoam muitas marcas autobiográficas. Claro, marcas efabuladas, desnaturadas, como é normal. Portanto, seria impensável escrever uma biografia apenas através dessas marcas, mas foram um bom ponto de partida.

Uma vez que tem um mestrado em história e é também romancista, podemos dizer que esta biografia junta a investigadora na pesquisa e a ficcionista no encadeamento dos factos?
Concordo. Há um trabalho de pesquisa que se procura que seja o mais rigoroso possível, minucioso, extensivo, que tem a ver com a componente de historiadora. Não me considero historiadora, mas a experiência em trabalhos académicos faz de mim seguramente uma investigadora. Acontece que fazer uma biografia não é só reconstituir os principais eventos da vida de um biografado, através de uma sequência mais ou menos cronológica. Depois é preciso apresentá-los sob a forma de uma narrativa interessante e, se possível, empolgante. Nessa componente da narrativa, ser romancista pode ser relevante.

“É alguém que dificilmente cabe em rótulos”, diz Isabel Rio Novo sobre Agustina

Muitas vezes, os biógrafos apresentam-se como descobridores da verdade. No seu caso, assume que a biografia é uma construção narrativa.
Assumo, como também acho, se me é permitido, que não existe nenhuma História que não seja uma narrativa. Basta a descoberta de factos novos para se repensar o que até aí era uma verdade histórica. Temos de ter sempre muito cuidado, porque provavelmente não existem verdades absolutas. Nesse sentido, por muito rigor, pesquisa e recolha factual que haja, uma biografia acaba também por refletir a pessoa da biógrafa, quanto mais não seja na construção da narrativa.

Nas primeiras páginas afirma que gostaria de ter falado com a filha, com os netos e os bisnetos de Agustina, mas por “questões editoriais” isso não foi possível. No fim do livro, regista que algumas pessoas se afastaram deste projeto e até revelaram “más maneiras”. É uma crítica à falta de apoio da família de Agustina na sua pesquisa?
Uma crítica não é, se algum dia tiver de fazer alguma crítica terei de a fazer em local apropriado. Essas duas passagens que refere são um desabafo, que surge, aliás, em duas partes do livro em que posso desligar-me das funções mais objetivas de biógrafa. No início, o projeto foi bem recebido, com entusiasmo, até, quando o editor o apresentou à família. Depois, essa perspetiva de a família colaborar não se verificou, por razões editoriais que eu não quero comentar. É uma questão entre editores e chancelas.

Estamos a falar de concorrência entre editoras? A sua biografia é da Contraponto, chancela do grupo Bertrand, e a obra completa de Agustina tem saído pela Relógio D’Água.
Não sou a pessoa indicada para responder a isso. Posso dizer apenas, porque é público, que a Relógio d’Água anunciou – já depois de nós termos começado a trabalhar nesta biografia, e já depois de a posição inicial da família se ter invertido – que o historiador Rui Ramos estará neste momento a trabalhar numa biografia de Agustina.

Chegou a falar com a filha, pediu-lhe testemunho, cartas e documentos e e ela disse que sim, mas mais tarde mudou de opinião. Foi isso?
O editor Rui Couceiro contactou na altura Mónica Baldaque [filha de Agustina] e Alberto Luís. O projeto foi recebido com entusiasmo, o Rui deu-me conta desse bom acolhimento, eu continuei a trabalhar, porque já tínhamos começado a gizar o plano e a pesquisa. Depois, infelizmente, deu-se o falecimento de Alberto Luís e durante uns meses largos eu e o editor entendemos que não seria o momento apropriado para reatar a conversa. Mais tarde, quando retomámos o contacto com Mónica Baldaque, que me recebeu muito bem no seu escritório, foi-me dito com que não haveria qualquer possibilidade de esta biografia ter a ajuda da família, nem sequer uma entrevista. Isto foi-me dito de maneira cordial, mas também inflexível.

Mesmo que estivesse a ser preparada outra biografia, eu, como leitora, vejo que uma figura ímpar da nossa cultura como Agustina mereceria não uma ou duas, mas várias biografias. Haver uma segunda a caminho não me parece que seja razão para não se acarinhar esta. Garanto que se houver outras biografias de Agustina, como apaixonada que sou, vou lê-las a todas.

Achou nessa ocasião que o próprio projeto estaria em causa?
Nunca pus isso em questão, mas quando temos a expectativa de ter acesso a um determinado tipo de fontes e de repente ficamos a saber que não vamos ter, há um primeiro momento de deceção. A partir daí, passei a concentrar-me em tudo o que estava ao meu alcance e não me faltaram fontes.

Ou seja, a recusa da família não teve relação com o eventual conteúdo da biografia, mas apenas com questões editoriais.
Acho que sim, seria impossível ter a ver com o conteúdo, porque nessa altura não havia ainda conteúdo sequer, havia notas e apontamentos meus. Foram questões editoriais, sim.

Entretanto já lhe chegou a opinião da família de Agustina em relação ao livro?
Diretamente, não. Como não tiveram a iniciativa de colaborar e acompanhar o processo, presumo que não estejam interessados no produto final.

Está magoada com a família de Agustina?
Na altura fiquei dececionada. Mesmo que estivesse a ser preparada outra biografia, eu, como leitora, vejo que uma figura ímpar da nossa cultura como Agustina mereceria não uma ou duas, mas várias biografias. Haver uma segunda a caminho não me parece que seja razão para não se acarinhar esta. Garanto que se houver outras biografias de Agustina, como apaixonada que sou, vou lê-las a todas.

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