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Tinha 50 anos quando trocou a RTP pela TVI, um vínculo que chegou ao fim esta quarta-feira, quando a pivô anunciou no seu Instagram a despedida da estação de Queluz, oito anos depois. “A iniciativa foi minha”, garante ao Observador a jornalista, que muitas vezes acabou por ser a notícia, fosse pelos mais duros e imprevisíveis motivos (a morte do filho) ou pelas polémicas que marcaram o seu trajeto à frente das câmaras ou pela sua presença no universo online, onde alimenta o seu blogue e partilha histórias com os seguidores.

Esteve ausente do ecrã durante os últimos três meses por questões de saúde, falhando assim a cobertura das eleições legislativas em Portugal, onde costuma ser uma figura chave. Após a noite eleitoral, usou o Instagram para indicar que se encontrava de férias, com “normalidade” e “tranquilidade”, e para anunciar que havia feito uma análise dos resultados das eleições no seu blogue pessoal. As suspeitas de que a ausência da jornalista seria uma antecâmara para a retirada definitiva adensaram-se com as negociações entre a Cofina e a Prisa. A confirmação de que a TVI seria mesmo comprada pelos proprietários do Correio da Manhã chegou em setembro deste ano.

Entretanto, a estação de Queluz também se pronunciou sobre a sua saída. “A decisão foi tomada de comum acordo depois de, em inteira liberdade e consciência, a Jornalista ter demonstrado a sua vontade de terminar este ciclo da sua carreira”, refere o canal de televisão em comunicado. Para trás ficam oito anos de jornalismo ao serviço da TVI, apenas mais um degrau numa longa carreira que começou na estação pública, quando Judite tinha apenas 18 anos. Quanto ao futuro, está ainda em aberto.

Uma “Beatriz Costa” estudiosa e de origens humildes

Judite Sousa, 58 anos, nunca escondeu que sempre se realizou através da carreira, pela qual deixou “cair muita coisa ao longo da vida”, ao nível dos afetos e das relações com os outros, como disse em 2012 numa entrevista ao Público, conduzida por Anabela Mota Ribeiro. Não raras vezes, o filho, ainda pequeno, foi a consultas de pediatria na companhia de empregadas, porque a mãe estava a trabalhar.

A jornalista que esta quarta-feira se despede da TVI nasceu no Porto a 2 de dezembro de 1960 e cresceu na companhia da mãe, mas também da avó e das tias maternas. Mãe e filha sempre foram próximas, mesmo que passassem poucas horas do dia juntas: trabalhadora têxtil, a mãe saía de casa às cinco da manhã e voltava ao final do dia. Nos intervalos, cabia à avó a responsabilidade de cuidar. Por sorte, Judite nunca deu muito trabalho: foi aluna de quadro de honra no liceu, emprestava os cadernos e os livros cheios de sublinhados às amigas do bairro, nunca tomou drogas e, diz na mesma entrevista, “sempre soube distinguir o bem do mal”. A exceção ao bom comportamento terá sido quando aos 16 anos começou a fumar, o que justificou uma “sova” inimaginável da mãe.

Judite Sousa (sem data) © Facebook.com/juditesousaoficial

O pai esteve ausente do retrato familiar durante toda a infância de Judite. Só o viria a conhecer aos 10 anos. Apesar da reaproximação, a relação terá tido os seus altos e baixos, tanto que quando a jornalista perdeu o único filho, em 2014, comentou que este fora o único homem que nunca a desiludiu. Joaquim de Sousa morreu a 26 de maio de 2019, não sem nos últimos anos tornar-se presença regular em eventos públicos, surgindo ao lado da filha e da mãe desta.

Fernanda Isabel foi mãe aos 18 anos e, segundo a Flash, foi este o motivo que terá levado o pai de Judite a afastar-se inicialmente. Àquela publicação, a mãe da jornalista chegou a comentar que quando Judite tinha três ou quatro anos, o pai ia buscá-la aos domingos, mas a presença era tão reduzida que Isabel reclamou: “Chega, não autorizo que venhas aqui buscar a menina”. “O pai só perfilhou a Judite quando eu mandei, quando eu entendi”, recordou.

Ao contrário do filho André Bessa, que durante 11 anos frequentou o colégio de elite São João de Brito, Judite Sousa teve uma educação humilde. Estudiosa por natureza, fez o ciclo preparatório na Escola Pêro Vaz de Caminha e completou o liceu no Carolina Michaëlis.

O jornal que tinha em casa, tal como contou a Anabela Mota Ribeiro, era o Jornal de Notícias. Ainda sem grandes noções sobre o que era o jornalismo — e que este seria a raiz de uma carreira sólida –, interessava-se com naturalidade pelas notícias. Via muita televisão — numa altura em que só havia RTP — e “adorava” ver os Festivais da Canção, com especial apreço pelas “lantejoulas de Alice Cruz” e pelos “vestidos de Ana Zanatti”. Os filmes de Elizabeth Taylor eram também preferência pessoal.

Aos 18 anos, Judite Sousa “era uma espécie de Beatriz Costa”: usava o cabelo preto com franjinha. Pensou em ser professora, mas, sem saber o que a esperava, respondeu a um anúncio do JN para “uma empresa pública de comunicação social”, que pedia dois jornalistas estagiários. Mandou o currículo de duas linhas: “Judite de Sousa, nascida em 1960, 2º ano do Curso Complementar do Liceu com média de 18”. Juntou uma “fotografizinha”. E foi chamada. Seria o começo de uma longa caminhada.

Aos 18 anos, o início de uma longa carreira na RTP

Na véspera de Natal, com o ano de 1978 a chegar ao fim, foi selecionada para uma fase de testes. Em 500 candidatos, era, segundo a própria, a mais nova e a que menos habilitações tinha. Semanas depois, chegava a notícia de que tinha sido uma das duas pessoas selecionadas para o estágio. “O meu primeiro ordenado foram nove contos, duzentos e cinquenta [escudos], que utilizei logo para tirar a carta de condução. Depois estivemos cinco meses em Lisboa a fazer um curso de jornalismo televisivo no centro de formação da RTP”, relembrou.

Cobertura das eleições autárquicas em Portugal, em dezembro de 1989, e das presidenciais no Brasil, com Henrique Garcia © Arquivos RTP

Foi para Macau um ano depois. Lá, foi convidada a cobrir as eleições francesas de 1981. Nessa primeira vez como enviada especial (e também em Paris), acabaria por testemunhar a primeira eleição de François Mitterrand. No regresso da Ásia, onde morou durante cerca de um ano e meio, foi acabar o ensino secundário. Casou, engravidou e entrou para a Faculdade de Letras do Porto, onde fez o curso de História. Tudo ao mesmo tempo, tudo enquanto trabalhava como jornalista da RTP, ao leme de programas como o “País, País” e o “País Regiões”.

“Eu nunca quis ser apenas uma pivô de informação. Sempre quis estar no terreno, procurar e conquistar grandes oportunidades profissionais”, afirmou numa entrevista à revista Máxima, há cerca de um ano. Só em 1991 é que foi convidada a vir para Lisboa. Aceitou e continuou a carreira, dentro do estúdio, como rosto do “Telejornal”. O cabelo volumoso e os casacos com chumaços tornaram-se parte de uma imagem familiar para todos os portugueses. Afinal, a SIC só nasceria em outubro de 1992.

Em direto de Goma, no Zaire, na cobertura da situação no Ruanda, em 1993 © Arquivos RTP

Mas a carreira de Judite também passou por reportagens bem longe dos estúdios. Foi enviada especial da RTP à guerra dos Balcãs, ao genocídio do Ruanda ou aos conflitos no Médio Oriente, após o 11 de setembro. Em 2000, foi nomeada diretora adjunta de informação da RTP e passou a apresentar o programa “Grande Informação”. Destacou-se ainda à frente dos programas “Grande Entrevista” e “Notas Soltas”.

De Pedrógão à Tailândia. Mais de oito anos de Judite na TVI

Ao fim de cerca de 30 anos na estação pública de televisão, Judite Sousa foi para a TVI. Foi um dos reforços contratados pela estação de Queluz, juntamente com José Alberto de Carvalho, até então pivô e diretor de informação da RTP, após a saída de Júlio Magalhães, até aí diretor de informação da TVI.

Foi um momento de mudança para o quarto canal. Júlia Pinheiro tinha acabado de se mudar para a SIC. Poucos meses antes, Manuela Moura Guedes tinha rescindido o contrato com a TVI. Ao nível da administração, o arranque de 2011 também trouxe novidades. Pais do Amaral regressava ao grupo Media Capital, cuja administração tinha encabeçado até 2005, depois de assinado um acordo entre o empresário português e a espanhola Prisa, a quem pertencia uma fatia de 85% da Media Capital (em setembro deste ano, através da filial Vertix, a Prisa detinha 94,69% do grupo português).

Com a mudança, aos 50 anos, Judite tornou-se, automaticamente, uma das caras do novo “Jornal das 8”, assumindo, nas noites de domingo, a condução do espaço de comentário reservado a Marcelo Rebelo de Sousa. Ocupou ainda o cargo de diretora adjunta de informação, tal como já acontecia na televisão estatal. Ao mesmo tempo, com a mudança, Judite perdeu um espaço próprio na grelha televisiva. Na RTP, apresentava a “Grande Entrevista”, mas a TVI não lhe ofereceu nenhum formato equivalente.

Maio de 2017, na cobertura das presidenciais em França © Facebook.com/juditesousaoficial

“Estava claro, no momento da negociação, que não iria ter um programa de entrevista autónomo em grelha. Iria ter carta branca para fazer todas as entrevistas que quisesse, mas dentro do jornal das 20 horas”, referiu numa entrevista ao Público. Diz nunca ter tido muitas ofertas de trabalho. Também em 2012, fez referência a um convite de José Eduardo Moniz, no início dos anos 2000, quando este era já diretor-geral da TVI.

“Havia muitos riscos. Na RTP tinha uma posição consolidada do ponto de vista profissional, fazia um programa de referência na televisão portuguesa. Tinha um bom salário para a média da empresa, já não falando para a média do país. Era diretora adjunta da informação. O que é que queria mais? Não queria mais nada, podia continuar por mais dez, 15 anos naquele registo”, revelou.

Foi contratada pela TVI e passou a receber um dos salários mais altos da estação: vieram a público valores entre os 20 mil e os 30 mil euros mensais. A mudança de canal ocorreu um mês antes do resgate da troika. Começou logo a entrevistar banqueiros e o ministro das Finanças, seis dias antes de José Sócrates ceder e anunciar o pedido de ajuda externa.

Ao longo dos últimos anos, como rosto da TVI, Judite Sousa fez parte de momentos marcantes — as presidenciais francesas em maio de 2017, os incêndios de Pedrógão um mês depois, o resgate da caverna na Tailândia, em julho de 2018, a eleição de Bolsonaro nesse mesmo ano ou a crise política na Venezuela, em fevereiro deste ano. “Aquilo que me dá mais prazer profissional é poder dizer que, nos últimos 30 anos, fui testemunha dos grandes acontecimentos que mudaram o mundo. As pessoas podem não se identificar com o meu trabalho, mas esse património ninguém me tira […]. Os jornalistas de televisão que são apenas pivôs vão acabar mal as suas carreiras porque vão envelhecer e, se não tiverem uma retaguarda profissional, quando chegar o momento da saída do ecrã, vão ter de tomar muitos antidepressivos e ansiolíticos. Tenho isto muito presente”.

Contudo, os rumores em torno de uma possível tensão entre Judite e a direção da estação de Queluz começaram a surgir no final de 2016, após o alegado afastamento da jornalista da grande entrevista a António Costa, em outubro desse ano. Ao Diário de Notícias, Judite Sousa comentou tratar-se de “pura imaginação”. Dois anos depois, a suspeita de que alguém fazia planos para prejudicá-la dentro do canal era levantada pela própria. “Só tenho mesmo que estar preocupada com quem me quer tramar na TVI. E isso agora vai ter que ser descoberto. Custe o que custar. A mim e à empresa que me contratou em 2011”, escreveu no Facebook, há um ano, após ter sido divulgado um vídeo da jornalista a discutir com um operador de câmara, durante a reportagem no Brasil.

Judite Sousa no Rio de Janeiro, durante as eleições no Brasil © Facebook.com/juditesousaoficial

Do primeiro casamento à relação “de fachada” com Fernando Seara

André Bessa, o único filho de Judite Sousa, nasceu da sua relação com José Pedro Braga Bessa. Judite faz uma breve referência a este casamento na entrevista ao Público, de 2012, quando comenta os anos que se seguiram ao regresso de Macau: “Uma pessoa que trabalha, estuda, tem uma gravidez, tem um filho e está casada, estas cinco coisas ao mesmo tempo, alguma vai ficar para trás”.

A relação mais polémica da jornalista é a que manteve com Fernando Seara, ex-presidente da Câmara de Sintra, com quem esteve casada durante 10 anos. O casamento chegou ao fim em 2013 depois de Judite descobrir que estava a ser traída. No telemóvel do jurista encontrou mensagens que comprovavam a traição, o que segundo a TV Guia foi a gota de água que levou ao fim de uma união de “fachada”. A jornalista chegou a comentar: “Tinha de acontecer um dia. Há muito que não havia comunicação entre nós, não havia cumplicidade, não havia partilha e, portanto, aconteceu naturalmente”.

Judite Sousa não se separou antes por causa do filho, que criou sozinha desde os 7 anos, já que o pai biológico vivia no Porto: “Só não aconteceu antes porque quis que o André  fosse criado num ambiente familiar estável. (…) Senti, num determinado momento, que tinha de lhe dar estabilidade emocional e que isso passava por ter uma relação estável, onde não houvesse ruído. Portanto, só não me divorciei do Fernando por isso…”, disse ainda à TV Guia. A jornalista garante que durante o casamento “representou” muitas vezes e que “se não fosse jornalista, seria uma ótima atriz”. Ainda assim, deixa uma palavra de apreço a Fernando Seara por este ter sido um bom padrasto. Meses após o divórcio, Judite Sousa haveria de perder o único filho. André Bessa tinha 29 anos.

A dolorosa perda do filho

“Eu não tenho mais filhos. Não tenho nenhum marido. Não tenho companheiro. Era eu e o meu filho”, disse Judite Sousa em entrevista à revista Sábado em setembro de 2014. Sentada num sofá, vestida de preto, com um olhar lacrimejante e voz a tremer, questiona retoricamente: “Tendo desaparecido o meu filho, o que é que me resta?”. Resta-me o trabalho, responde a si própria. “Não trabalhar significaria desistir da vida.”

Judite Sousa com o filho. Imagem publicada pela jornalista em agosto de 2014 © Facebook.com/juditesousaoficial

Dois meses antes desta entrevista, André Bessa, o único filho de Judite Sousa, perdeu a vida em Azeitão, numa piscina. O “bichinho”, como o tratava carinhosamente, tinha 29 anos. Nessa sexta-feira, Judite Sousa tinha ido a uma festa de aniversário: um jantar em Cascais seguido de uma visita rápida ao Tamariz, tal como contou à revista Sábado. “Tive um mau pressentimento. Comecei a sentir-me mal, havia qualquer coisa que me dizia para sair dali.” Judite deixou a discoteca virada para a praia e foi para casa — à data vivia no Chiado. Acordou com um telefonema por volta das cinco da manhã com a notícia de que o filho sofrera um “acidente muito grave”. A jornalista levantou-se, vestiu à pressa umas calças de ganga e um blusão para rumar ao hospital de Setúbal, mas já pressentia o pior: “Naquele preciso momento soube que o meu filho tinha morrido”.

Pelo caminho fez diversos telefonemas. Ao pai de André e a amigos. Chegou a ligar para os últimos números que estavam registados no telefone. “Estava completamente perdida”, diz na entrevista já citada. No hospital o médico dir-lhe-ia que o filho não tinha sinais neurológicos, partira a clavícula esquerda e sofrera um traumatismo craniano. “Nunca me passou pela cabeça que o meu filho morresse numa piscina. (…) O que aconteceu foi um acidente estúpido de um miúdo que sai da piscina por um muro escorregadio, às quatro e tal da manhã, noite cerrada.”

Após a morte do filho, Judite Sousa procurou ajuda médica mas também espiritual: “Estou cheia de feridas e cicatrizes e sei que isso nunca vai passar – nem quero que passe; quero viver com a saudade que sinto do meu filho. (…) Quero viver morta de saudades do meu filho. Todos os dias penso no André, beijo as fotografias dele. O meu filho não podia morrer. Dava toda a minha vida por ele”.

Dois meses após a morte de André Bessa, Judite voltou ao trabalho com uma entrevista ao jogador Cristiano Ronaldo, na qual a sua fragilidade emocional era ainda evidente. “Estou de regresso com o homem, o jovem de 29 anos — há coisas irónicas na vida [referindo-se à idade do filho, que morreu também com 29 anos] — que é a melhor imagem de Portugal no mundo”, disse no arranque da entrevista.

Judite não teve mais filhos. Em entrevista ao Público admitiu que poderia ter tido, mas durante anos não perdeu tempo a olhar para si: o trabalho estava primeiro.

Da discussão com o repórter à “senhora lá de casa”: as polémicas mais recentes

Foi sobretudo durante a passagem pela TVI que a carreira de Judite Sousa foi pautada por polémicas, e nem todas  à frente das câmaras. Exemplo: a “senhora cá de casa”, referência feita pela jornalista à sua empregada numa fotografia partilhada no Instagram em janeiro deste ano. Com o estalar das reações, apressou-se a substituir a publicação. “A senhora que toma conta de mim há quase 20 anos. Que me ajudou a criar o meu saudoso filho. A minha mãe chama-se Isabel. A minha irmã chama-se Isabel e a Rosa é a minha Rosa”, escreveu na mesma rede social.

Ainda na RTP, fica também a resposta torta de José Sócrates. Já na posição de Primeiro Ministro, terá insinuado que a jornalista tinha um ordenado superior ao seu. O rendimento de Judite e, consequentemente os seus gastos, estiveram na origem de outro episódio. Em junho de 2017, terá feito queixa de alguns colegas da redação da TVI junto de Sérgio Figueiredo, diretor de informação do canal. Depois de ter usado uma mala Louis Vuitton, alguns colegas terão feito uma pesquisa online para descobrir o preço da peça. A atitude não agradou a Judite e a tensão instalou-se em Queluz de Baixo.

No ano passado, a jornalista acabou por denunciar um afastamento da amiga de longa data Manuela Moura Guedes, afirmando não ter tido contacto com a também colega de profissão no último ano e meio. A morte de Medina Carreira, no verão de 2017, fez com que as duas se cruzassem nos corredores da TVI, sem que se tivessem cumprimentado. As versões de uma e de outra são, obviamente, diferentes. Ambas se têm mostrado magoadas em declarações à imprensa.

Já no verão de 2013, a pivô do “Jornal das 8” foi criticada nas redes sociais pela forma como conduziu a entrevista a Lorenzo Carvalho, de 22 anos. O pretexto era a festa de aniversário do jovem milionário, ocasião extravagante que contou com a presença da atriz Pamela Anderson. “Você tem noção que qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo e origem, olha para si e vê a imagem de um jovem fútil?” — questões com este tipo de tom suscitaram críticas no rescaldo da entrevista. Ambos os intervenientes viriam a falar do sucedido, ele desvalorizando, ela pedindo desculpa.

No terreno, como enviada especial da TVI, Judite Sousa protagonizou outros momentos que agitaram a opinião pública. Em 2017, durante o flagelo dos incêndios de Pedrógão, a jornalista gravou parte de uma reportagem em plena área ardida. O plano mostrava um cadáver, coberto por um plástico, enquanto o balanço da tragédia dava conta de 61 mortos e 62 feridos. “Esta mulher não tem noção” e “Eu estava a ver e não queria acreditar” são só um exemplo das reações nas redes sociais, embora outras vozes tenham saído em defesa da repórter.

Na Tailândia, em julho de 2018, enquanto cobria o resgate de 12 crianças e um treinador do interior de uma gruta, voltou a ser criticada. Desta vez, houve um humorista português a ajudar. Luís Filipe Borges partilhou uma imagem da jornalista em direto para a TVI, mas a ser afastada da zona de operações por um polícia tailandês. Do outro lado do globo, durante as eleições presidenciais no Brasil, Judite acabou por protagonizar outro momento insólito — uma discussão com o repórter de imagem que a acompanhava. Com dificuldades em abrir os olhos por uma questão de fotossensibilidade, a conversa subiu de tom. “Quem manda na equipa sou eu, não é Lisboa”, foi uma das frases da repórter da TVI durante a discussão. A verdadeira indignação chegaria depois, quando Judite Sousa percebeu que o vídeo tinha vindo a público.