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O mais recente livro de Maria do Rosário Pedreira, editado há poucas semanas pela Quetzal e com prefácio do jornalista Ferreira Fernandes, junta dezenas de crónicas que a autora fez publicar no Diário de Notícias entre 2018 e 2020 — mas também algumas que estavam inéditas. A conhecida poetisa e letrista de fado surge como prosadora de verbo afiado, o que aliás só será novo para quem não a leu no jornal ou desconhece o blogue Horas Extraordinárias, que mantém há mais de uma década.

Adeus, Futuro é o título do volume e também a frase com que a autora termina cada texto. Numa mistura de memórias pessoas e episódios da atualidade, reflete com ironia e humor sobre “tudo aquilo que o presente produz de irracional, seguindo tantas vezes a agenda do politicamente correto”. A esperança é a de que o futuro “inclua e respeite os valores da cultura, do humanismo, da tolerância e do amor ao outro”, lê-se na contracapa.

O livro serviu de pretexto à entrevista que se segue. Maria do Rosário Pedreira, que é também editora e das mais influentes, recebeu o Observador na sede do grupo LeYa, em Alfragide, onde trabalha desde 2010. Durante mais de uma hora falou da aversão ao “politicamente correto” e às “questiúnculas” da chamada “linguagem inclusiva”. Lastimou a literatura que “não é literatura” e relatou como descobre novos talentos literários. Para a polémica em torno da tradução da americana Amanda Gorman usou duas palavras: “Protecionismo racista”.

Nascida em Lisboa em 1959, é casada com o também editor Manuel Alberto Valente. Começou a publicar poesia em 1996 (com A Casa e o Cheiro dos Livros), que reuniu em 2012 num só volume. Assinou o romance Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu e para uma geração que ronda os 30 anos é a eterna autora dos livros de aventuras Clube das Chaves (em parceria com Maria Teresa Maia Gonzalez). Assinou letras para intérpretes como Carlos do Carmo, Aldina Duarte ou António Zambujo e fez uma colaboração recente com João Gil, que pode ver a luz dia no fim deste ano. Estudou línguas e literaturas modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Como editora começou em 1998, na Temas e Debates, mas já levava 11 anos a trabalhar no mercado editorial. Mantém uma crónica semanal no site Mensagem de Lisboa.

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