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O Observador publica esta semana uma série de seis reportagens feitas na Suécia, o país que desafiou o confinamento contra a Covid-19. A estratégia, que uns consideram um milagre e outros um desastre; os hospitais, agora com maiores dificuldades; o impacto na economia e os erros que o explicam; o dia a dia de um infetado, com testes em casa e nenhuma punição se violar as regras; o escândalo nos lares de idosos; e Anders Tegnell, o epidemiologista que recebe flores e ameaças de morte. Esta é 2.ª parte.

Foi logo no início da pandemia, já não se recorda se em março, se em abril. Chamado ao serviço de doenças infecciosas do Hospital Universitário de Linköping, para avaliar um doente que tinha um problema na coluna, o cirurgião ortopédico Jorge Azevedo, português a viver na Suécia desde 2013, achou por bem levar uma máscara. Acabou a ser repreendido formalmente pela comissão de controlo de infeção hospitalar, depois de uma colega médica — uma das dez pessoas com quem se reuniu depois de examinar o paciente, numa sala de 15 metros quadrados — ter feito queixa dele.

“Na Suécia, tudo tem de ser baseado na evidência. E, como o vírus era novo, não havia estudos científicos que recomendassem o uso de máscara. Disseram-me que estava a alarmar a população e o resto dos trabalhadores do hospital; que, se queria usar máscara, podia ir ver doentes para o lado Covid ou tirar uma licença e ficar em casa sem receber. Até há duas semanas só permitiam máscaras na zona Covid, agora já podemos usar, mas só se tivermos de estar a menos de 1 metro de distância dos pacientes”, conta, oito meses mais tarde, ao Observador o médico de Braga, minutos depois de nos receber na entrada sul do hospital — de cara destapada.

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