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O Observador publica esta semana uma série de seis reportagens feitas na Suécia, o país que desafiou o confinamento contra a Covid-19. A estratégia, que uns consideram um milagre e outros um desastre; os hospitais, agora com maiores dificuldades; o impacto na economia e os erros que o explicam; o dia a dia de um infetado, com testes em casa e nenhuma punição se violar as regras; o escândalo nos lares de idosos; e Anders Tegnell, o epidemiologista que recebe flores e ameaças de morte. Esta é a 1.ª parte.

Anders Gabrielsson sorri de alívio quando vê que trazemos as caras cobertas e convida-nos a entrar para a casa de três pisos onde mora com a mulher, em Bromma, um subúrbio abastado de Estocolmo. Não é porque as máscaras não são obrigatórias — ou sequer recomendadas pelo Governo e pelas autoridades de saúde da Suécia, de que é admirador confesso — que deixam de fazer sentido, a regra é para manter o distanciamento social. Se isso não é possível, explica, então as máscaras são mais do que bem-vindas. “Sinto-me mais seguro assim.”

Tem 72 anos e está reformado há nove da grande empresa de que foi diretor financeiro. Desde então, passa os dias a pintar, com intervalos regulares para ir buscar os seis netos à escola. Com a pandemia, essa rotina não mudou: “Continuo a ir buscar os meus netos e vou a lojas e a restaurantes com a minha mulher, mas não socializamos com pessoas fora da nossa bolha familiar. O problema é que somos muitos, temos cinco filhos, o mais novo tem 24 e a mais velha 41”, explica, minutos depois de Ingela, a mulher, aparecer na sala que lhe serve de atelier para dizer “hej”.

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