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O minuto de Marcelo em silêncio, a "infância" de Ana Gomes e os arquivos do PS e PSD. Os tempos de antena dos candidatos /premium

Marcelo foi o único que abdicou dos tempos de antena. Justificação: poupar dinheiro ao Estado. Ana Gomes atacou-o por desvalorizar o esclarecimento. Como são os tempos de antena dos candidatos?

“O espaço de emissão seguinte estava atribuído a Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa. A candidatura não nos facultou o respetivo programa”. O fundo é azul, as letras brancas, e, de resto, só silêncio. Segue-se uma fotografia sorridente do atual Presidente da República com o nome completo por baixo. Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa. E mais silêncio. E de novo silêncio. O silêncio dura pouco mais de um minuto. E, como se costuma dizer, um minuto em televisão é uma eternidade.

Foi assim que, na segunda-feira, na RTP, arrancou o espaço televisivo “Tempo de Antena”, transmitido diariamente às 19h nas três estações televisivas. O sorteio ditaria que Marcelo seria o primeiro naquele dia, mas o candidato Marcelo Rebelo de Sousa optou, este ano, por não facultar qualquer conteúdo para efeitos de tempo de antena. Terminado o minuto de silêncio, lá aparece a imagem de Ana Gomes: “Nasci na Maternidade Alfredo da Costa em 1954 e tive uma infância feliz embora em tempos de ditadura”.

Segundo se lê na legislação da Comissão Nacional de Eleições, o tempo de antena é um direito que pertence aos candidatos eleitorais e não implica custos para as candidaturas (“os tempos de antena são obrigatoriamente transmitidos, durante o período da campanha eleitoral e de forma gratuita para as candidaturas”). É o Estado, através do Ministério da Administração Interna, que “compensa as estação de rádio e de televisão” pela emissão dos tempos de antena na sua grelha de programação. A Lei Eleitoral da Assembleia da República, artigo 69º, refere ainda que essa compensação estatal às televisões e rádios é feita “mediante o pagamento de quantia constante de tabelas a homologar pelo membro do governo responsável pela área da comunicação social até ao sexto dia anterior à abertura da campanha eleitoral”.

O gesto não passou indiferente a algumas candidaturas. Esta segunda-feira, naquele que foi o primeiro dia de campanha oficial para Ana Gomes, a ex-eurodeputada socialista não poupou o atual Presidente, acusando-o de “menosprezar” as eleições e “desprezar os eleitores”, uma vez que nem se deu ao trabalho de preparar tempos de antena — que servem, disse, para “esclarecer” os eleitores. Ana Gomes insistia, mantendo a dureza das palavras, que parte do problema residia no facto de Marcelo ter marcado tarde a data das eleições, o que fez com que os calendários se estreitassem todos e, “em apenas dois dias”, as candidaturas tiveram de preparar e enviar os conteúdos para o tempo de antena.

A resposta de Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa chegaria mais tarde, em declarações à SIC minutos antes de gravar uma entrevista ao podcast do comentador Daniel Oliveira. “O meu tempo de antena foram os últimos cinco anos”, defendeu-se o Presidente-candidato, que nos debates em que participou com os vários candidatos disse por diversas vezes que os restantes candidatos têm a “página limpa”, estando por isso livres de escrutínio, enquanto o candidato incumbente tem cinco anos de decisões políticas tomadas à mercê do escrutínio dos adversários. E dos portugueses.

“Foi por essa razão que achei absurdo ter tempo de atenta, era custo para os contribuintes e para quê? Para passar imagens das visitas que tinha feito? Onde tinha estado? Quem gosta de mim?”, atirou ainda aos microfones da SIC. Assim sendo, foi dinheiro do Estado que se poupou, defendeu-se.

Ana Gomes, as alterações climáticas e a “infância feliz apesar da ditadura”

“Nasci na Maternidade Alfredo da Costa em 1954, e tive uma infância feliz embora em tempos de ditadura”. É assim que começa um dos dois tempos de antena que a candidatura de Ana Gomes tem por estes dias a passar nas televisões. O outro é um vídeo sobre a importância de combater as alterações climáticas e associar o potencial das energias limpas à “criação de emprego decente e à sustentabilidade ambiental”.

Mas é no primeiro vídeo que Ana Gomes conta, em poucos minutos, a história da sua vida. Onde é que estava no 25 de Abril? A ex-eurodeputada socialista diz que tem a “sorte” de poder responder à famosa questão com um “Eu estive lá”. “Cheguei à faculdade em 1972, um ano depois do assassinato do estudante Ribeiro Santos, e percebi que a falta de democracia estrangulava o nosso país”, diz enquanto passam fotografias desses tempos. Tempos em que Ana Gomes começou a militar os “comités de luta anti-colonial” que tinham por detrás o MRPP.

Depois passa para o concurso para ingressar na carreira diplomática, no MNE, onde foi a primeira colocada. Passa para os tempos em que integrou a comissão de recandidatura do general Ramalho Eanes, e onde participou como intérprete de vários momentos importantes, como os contactos com o francês François Miterrand, Ronald Reagan ou a rainha Isabel II. A passagem por Nova Iorque e a missão em Jacarta, para a libertação de Timor-Leste, não são esquecidos. As fotografias acompanham, no ecrã, os vários episódios da história de vida da candidata. Tudo para se dar a conhecer e, no fim, terminar a dizer: “Estou num ciclo da minha vida em que podia estar descansada a gozar a reforma, mas estou aqui porque posso fazer a diferença, pelas mulheres e homens deste país”.

André Ventura recorre a imagens de arquivo do PS e PSD

André Ventura não era nascido no 25 de abril, ao contrário de Ana Gomes, e não se abstém de dizer que não foi o 25 de abril que fez Portugal um país menos pobre. “Quer antes, quer depois do 25 de abril, Portugal mantém-se um país pobre, e é contra isso que um PR se deve insurgir”.

O candidato apoiado pelo Chega escolheu um começo suis generis para o seu vídeo promocional: imagens de arquivo de tempos de antena, tanto do PS (com Vítor Constâncio) como do PSD (ainda a preto e branco, com Aníbal Cavaco Silva), para mostrar que os problemas de então continuam os mesmos. “A fome continua, os roubos continuam”, ouve-se um popular queixar-se a um jovem Cavaco. “Em pleno século XXI, a pobreza, o afastamento, a exclusão mantêm-se. Como é possível?”, atira André Ventura, falando em “décadas” de “tachos distribuídos entre amigos” para a “corrupção continuar a ser hoje um problema enorme”.

Falando com a bandeira de Portugal ao fundo, André Ventura vai apelando a uma “nova revolução em Portugal” e à necessidade de haver um presidente com “coragem” para dar um “abanão no sistema”. Noutro vídeo de arquivo vê-se um jovem Vítor Constâncio (que foi a votos como secretário-geral do PS em 1987) a dizer que “Portugal foi o mais mal governado país da Europa”. O frame do vídeo não tem mais contexto do que isto mas serve o propósito que Ventura queria: mostrar que os problemas de lá são os problemas de cá.

Marisa divide-se entre o SNS, a proteção laboral e os cuidadores informais

São três os temas prioritários da candidata Marisa Matias e são três os vídeos usados pela candidatura para o direito de antena: um sobre o Serviço Nacional de Saúde, que é “a figura do ano 2020” e que serve de propósito para criticar Marcelo por ter sido o “guardião do negócio privado da Saúde”, outro sobre quem perdeu trabalho na pandemia por falta de direitos laborais, e outro sobre aquela que é uma bandeira quase pessoal da candidata: os trabalhadores informais.

Em vídeos legendados e com tradução para língua gestual em permanência, Marisa pessoaliza os problemas (na Margarida Rocha, doméstica, na Carmen Matos, advogada, no Guilherme Tortelli, despedido de um hostel, ou na Rosa Landim, cabeleireira que perdeu o trabalho no início da pandemia, passando pelo técnico de som ou pelo músico que perdeu o trabalho) e retrata os problemas mais comuns de quem ficou sem rendimentos. “É preciso garantir a sua proteção, não deixar ninguém para trás”, diz num dos direitos de antena.

Noutro, a voz de Marisa Matias aparece a contar não a sua história mas a história de Rosália, que cuida a tempo inteiro da filha Liliana, e que se bateu pela aprovação do estatuto de trabalhador informal. “Com a pandemia muitas das medidas do estatuto não foram postas em prática. É urgente cuidar de quem cuida”, diz.

João Ferreira e as instruções para votar: “Procure a penúltima linha no boletim de voto”

Já o candidato apoiado pelo PCP prefere pôr outros a falar de si. De Heloísa Apolónia, mandatária de candidatura, a Jerónimo de Sousa, passando por dois médicos, João Oliveira e João Goulão, que dizem que vão votar nele por “pugnar pelas medidas necessárias para a sobrevivência do serviço público de saúde” e que se juntam aos mais de “300 trabalhadores do SNS que apoiam João Ferreira”. A ideia é passar uma mensgaem de “confiança” e vários são os nomes conhecidos da área da música, teatro ou outros setores, que vão aparecendo no ecrã como apoiantes do candidato.

Sempre com a tradução para a língua gestual, o candidato comunista fala na primeira pessoa para defender a maior capacitação do SNS, a valorização das carreiras e o dever do PR de “zelar pelo integral cumprimento da Constituição”. No final, um auxiliar de memória aos eleitores: “Procure a penúltima linha no boletim de voto”. Um aviso que não é de somenos quando, à cabeça do boletim, vai estar um nome, Eduardo Batista, que nem sequer é candidato.

O café de Mayan e o folclore de Tino

Enquanto Vitorino Silva volta às pedras recolhidas na praia de Peniche, acompanhado de uma música de fundo que remete para a sonoridade do folclore minhoto, para estabelecer uma meta eleitoral — “vencer é conseguir um voto a mais do que em 2019” –, Tiago Mayan Gonçalves, na Iniciativa Liberal, recorre a uma estratégia mais parecida à de Ana Gomes: dar-se a conhecer.

Sendo o candidato menos conhecido do público, Tiago Mayan tem procurado compensar essa desvantagem com uma postura aguerrida nos debates. Agora, noutro registo, abre a porta da sua casa, no Porto, mostra quais são as suas rotinas de manhã (o café ao lume não falta), a ida de transportes para o trabalho, e tudo para dizer que é nessa vida “normal” que se depara com aquilo que quer para o país: “Um país livre, sem julgamento, com mérito, e sem carregar às costas o peso das burocracias”. Além de João Cotrim de Figueiredo, presidente do Iniciativa Liberal, também o centrista Michael Seufert, que é mandatário da candidatura, e um amigo de há 25 anos, falam na primeira pessoa para dizer que é num “liberal dos pés à cabeça”, que “nunca enganou ninguém”, que irão confiar o voto.

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