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Os Caminhos de Santiago, pela Rota dos Vinhos Verdes e do Romântico

Na Região dos Vinhos Verdes a história e as tradições caminham juntas. Nessa caminhada, os produtores e associados souberam trazer a modernidade à região na oferta turística e na produção de vinho.

Atualmente, destacam-se dois tipos de turismo que começam a ter uma enorme relevância em Portugal e que nesta região estão profundamente enraizados. São eles o turismo religioso e o turismo histórico.

No primeiro – turismo religioso – é o interesse dos turistas pela religião católica, no caso de Portugal, que prevalece. Esse interesse passa ou pela procura de igrejas e santuários, alguns deles já conhecidos um pouco por todo o mundo; ou por caminhos e peregrinações que lhes possam oferecer maior conhecimento dos usos e costumes locais.

Sempre associados a igrejas, capelas e mosteiros, este turismo partilha também o interesse com o turismo histórico, uma vez que Portugal foi, desde a sua fundação, um reino católico com grande profusão de monumentos ligados à igreja. Até nos vinhos, foram monges de várias ordens religiosas os grandes responsáveis pela replantação de vinhas por todo o reino, depois de reconquistado o território aos árabes no século XIII.

Portugal tem muitos monumentos antigos, de vários estilos, e muitos de carácter religioso. Em plena região dos Vinhos Verdes existe uma Rota que se dedica a mostrar e explicar 58 desses monumentos – igrejas, capelas, ermidas, pontes, mosteiros, torres e castelos -, espalhados por 12 municípios dos vales dos rios Douro, Sousa e Tâmega, a que se juntam dois centros de interpretação desta rota fantástica: a Rota do Românico.

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Em terras de Basto encontram-se vários monumentos da rota do Românico, como o Castelo de Arnóia, a igreja de Santa Maria de Veade e a igreja do Salvador de Ribas, que remontam ao século XIII, com várias intervenções posteriores. Estes monumentos devem ser ponto de paragem quando estiver a passear à descoberta desta região.

Casa da Tojeira: o guardião da história ligada à região dos vinhos verdes

Um produtor que aposta fortemente no enoturismo é a Casa da Tojeira, perto de Arco do Baúlhe, quase na fronteira da região dos Vinhos Verdes com a região de Trás-os-Montes, em plena terra de Basto. Este produtor, mesmo produzindo ótimos vinhos, concentra a oferta enoturística à volta do solar do século XVI, que guarda imensa história ligada à região.

 

Tem uma bonita capela e uma sala de armas, onde é exibido o armamento antigo e uma cozinha tradicional, ainda utilizada para servir pequenos grupos, recuperando alguns dos pratos que eram confecionados e servidos na casa. É neste solar que organizam casamentos, batizados e provas de vinhos, acompanhadas com petiscos ligeiros no interior da casa ou no enorme alpendre de granito, com a paisagem como companhia.

  • Casa da Tojeira
  • Casa da Tojeira
  • Casa da Tojeira
  • Casa da Tojeira

Uma das mais importantes e interessantes peregrinações que atravessa Portugal, terminando na região dos Vinhos Verdes antes de rumar à Galiza, são os Caminhos de Santiago, mundialmente conhecidos como “El Camino”.

São dois caminhos que atravessam a região dos vinhos verdes, com caminheiros durante todo o ano – o Caminho da Costa e o Caminho Central. Há caminheiros que professam a religião católica e que participam em verdadeira peregrinação, e há caminheiros que gostam apenas de caminhar, seja a pé ou de bicicleta, para conhecer esta região do norte de Portugal e usufruir de tudo o que o caminho pode proporcionar, desde as paisagens entre vales com rios lindíssimos, até uma orografia de montanha fantástica, passando pelas culturas tradicionais, pela produção de milho, fruta e hortas ricas em legumes, e terminando nas vinhas, cada vez mais presentes na região.

Ao longo do Caminho de Santiago, encontra-se um método de cultivo de vinhas intemporal, conhecido como pérgola ou ramada, destacando-se pela disposição meticulosa das videiras sobre suportes elevados. Resultado da evolução da viticultura e enologia, esta paisagem atualmente está entrelaçada com novos sistemas de cultivo, como o cordão simples ou cordão duplo, encontrando um equilíbrio entre tradição e modernidade que favorece a qualidade dos vinhos e a diversidade na paisagem.

Pelos percursos, vai encontrar muitas casas comerciais que têm um carimbo com o sinal dos caminhos de Santiago, para certificar a passagem dos caminheiros que assim o desejem. É o caso de um conhecido restaurante na povoação de Pedra Furada, concelho de Barcelos, que adotou o mesmo nome da localidade: Pedra Furada. De uma mercearia familiar, dois irmãos fizeram esta casa de comida regional, ambos a espalhar simpatia e bom gosto. Entre muitos pratos tradicionais, da pescada fresca aos bacalhaus, dos rojões ao cozido à portuguesa e á cabidela, é o galo recheado assado no forno à moda de Barcelos que ali leva muitos visitantes, tal a qualidade apresentada.  Para além disso, há sempre uma sopa e uma bucha para os caminheiros tardios. Os Vinhos Verdes estão ali sempre muito bem representados.

Para além das combinações mais tradicionais dos vinhos da casta Loureiro com pratos de pescada, dos vinhos da casta Alvarinho para pratos de bacalhau, e do Vinhão tradicional para os rojões e cabidela, atualmente, a Região oferece uma variedade de perfis distintos. Por exemplo, um Vinho Verde com estágio em garrafa para acompanhar pratos de bacalhau ou um vinho tinto da casta Alvarelhão para harmonizar com um prato de rojões.

O Caminho de Santiago da Costa também passa por Esposende, onde existem alguns produtores de Vinho Verde. Poucos já são os que produzem o vinho das masseiras, utilizando as dunas e adobados com sargaço, mas esse vinho é uma raridade, que agora promete ser recuperada.

É por esta região que os caminheiros podem apreciar belas refeições, principalmente de marisco e peixe fresco do dia, que são os mais procurados. O robalo e o polvo – seja cozido ou à lagareiro – são dos mais emblemáticos. Os legumes frescos de cada época são companhia sempre presente. Seja Loureiro, Avesso ou Alvarinho, ou em lotes de mais de uma destas castas, os vinhos verdes são o casamento perfeito. Um dos restaurantes mais apreciados de Esposende é o Água Pé, mesmo no centro da vila.

Neste restaurante vai encontrar instalações em pedra e madeira de grande beleza e um casal a dividir as tarefas da casa. A utilização de produtos de grande qualidade, principalmente da região e sazonais, aliados à arte de saber fazer, dão como resultado a elaboração de pratos deliciosos. O cuidado, mas também algum arrojo na utilização dos vinhos verdes, dá em resultados extraordinários. Muitos caminheiros que o digam!

Mais acima, no vale do rio Lima, está Ponte de Lima, um ponto de passagem obrigatória dos Caminhos de Santiago. Vale a pena parar ali um ou dois dias, tal os pontos de interesse de uma das mais antigas vilas de Portugal. A ponte Romana ainda aberta aos pedestres, a Igreja Matriz da Rota do Românico, a beleza do rio Lima, a zona histórica da vila, os solares minhotos imponentes, a excelência dos Vinhos Verdes, e a soberba gastronomia da região são motivos mais do que suficientes para convencer os visitantes.

A Adega que tem vindo a modernizar-se

A Adega de Ponte de Lima, fundada em 1959, é uma referência não só na vila, mas em toda a região dos Vinhos Verdes. Ao longo dos últimos anos tem vindo a modernizar-se e a produzir vinhos cada vez melhores, graças não só aos modernos equipamentos em que investiram, mas também à cada vez melhor qualidade das uvas que os cooperantes fornecem, guiados pelos técnicos da empresa e a uma equipa de enologia liderada pela experiência e bom gosto do engenheiro Fernando Moura.

 

Quando falamos do vinho da Adega de Ponte de Lima da casta Vinhão temos de o assinalar como uma referência desta sub-região. Já a casta Loureiro é a principal responsável pelos vinhos de várias gamas e pelos belos espumantes, muitos deles cada vez mais premiados em concurso nacionais e internacionais, a que se juntam três aguardentes: uma bagaceira, uma aguardente vínica velha e uma velhíssima. Todos estes vinhos estão capazes de acompanhar qualquer tipo de gastronomia, e são casamento perfeito com os pratos tradicionais da região.

  • Adega de Ponte de Lima
  • Adega de Ponte de Lima
  • Adega de Ponte de Lima
  • Adega de Ponte de Lima

Adega de Monção: sinónimo de grande qualidade

Monção é outra vila ancestral, com um bonito castelo e um centro histórico muito interessante, bem como o Museu do Alvarinho que é local a visitar para aprender um pouco mais sobre este vinho extraordinário. Monção tem muitos produtores de vinho, sobretudo Alvarinho, entre os quais a Adega de Monção, um dos principais produtores de vinho, de grande qualidade e com volume considerável.

 

De entre as suas várias marcas, há uma que faz homenagem a uma heroína da terra: Deu-La-Deu, mulher do capitão-mor de Monção, que, no século XIV, conseguiu pôr termo ao cerco das tropas castelhanas.

  • Adega de Monção
  • Adega de Monção
  • Adega de Monção
  • Adega de Monção

Nos brancos, apesar de também ser utilizada a casta Trajadura, são as uvas da casta Alvarinho que dominam a produção local. A Adega de Monção tem vindo a evoluir e a crescer ao longo dos últimos anos, investindo em tecnologia moderna, que lhe permite avançar com novas propostas de vinhos, mantendo sempre os vinhos que lhe deram fama e que continuam a ter muitos seguidores. As instalações da adega foram melhoradas, e incluíram uma sala de provas e uma loja onde se podem provar e comprar os muitos vinhos deste produtor.

Do outro lado do rio Minho, continuam os caminhos de Santiago, que vão terminar na catedral daquela cidade galega.

Saiba mais em Saberes e Sabores na Rota dos Vinhos Verdes

 
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