Pedro Paixão: “As pessoas pensam que eu morri”

16 Dezembro 20172.575

Foi um dos portugueses mais lido dos anos 90, admirado por Luiz Pacheco e pelos críticos, ajudou ainda a fundar "O Independente". 25 anos, 26 livros, um título novo e quase esquecido. Fomos visitá-lo.

Quando, em 1992, aterrou no meio literário português, Pedro Paixão tinha 37 anos e não imaginava que ia tornar-se o escritor sensação da década. As histórias que compõem o livro A Noiva Judia apareceram pela mão de André Jorge, da editora Cotovia, e fizeram as delícias de leitores de várias gerações, pela brevidade e pela estranheza. Os títulos dos seus livros davam origem a longas deambulações dos jornalistas e críticos literários. Era o tempo d’O Independente, da revista K, das crónicas do Miguel Esteves Cardoso, da Noite da Má Língua, na SIC, do Raios e Coriscos, na RTP1. Entre Saramago e Lobo Antunes, Pedro Paixão representava uma urbanidade e cosmopolitismo de que as novas gerações estavam sedentas e onde se reviam.

Não se esperava apenas pelos livros de Paixão, esperavam-se, sobretudo, os títulos: Nos Teus Braços Morreríamos (1998) ou, aquele que se tornou uma máxima, Viver Todos os Dias Cansa (1995). À sua volta havia sempre mulheres, havia a amizade com Miguel Esteves Cardoso com quem fundou o Independente e a empresa de publicidade Massa Cinzenta. Havia as drogas, o álcool, a noite, mas também as aulas de filosofia na Universidade Nova de Lisboa. Era uma presença recorrente na televisão e jornais, os críticos não se poupavam em elogios e até Eduardo Prado Coelho “fez questão” de lhe oferecer um livro seu. Livro que Pedro diz “obviamente” não ter lido.

A sua zanga com Esteves Cardoso fez as delícias dos mexericos literários mas, na vida real, conta, “foi tudo muito complicado”, havia um filho pequeno no meio, havia a doença de Pedro (sofre de Doença Bipolar) e tudo foi mudando. No início do milénio havia todo um exército de novos e novíssimos escritores para entrar em cena, forjavam-se novos grupos, novas cumplicidades, novas modas. Sem nunca deixar de escrever e a publicar quase um livro por ano, muda de editor, Oficina do Livro, Quetzal, Bertrand… mas os tempos de glória mediática tinham acabado.

Pedro Paixão na casa onde vive, no Estoril. Tem 63 anos, um filho de 28 e um neto. O cão é o Radar (Foto: Pedro Pinto Basto)

Os críticos deixaram de escrever sobre os seus livros, os jornalistas deixaram de lhe pedir entrevistas. Entretanto fez duas obras de fotografia, exposições, rádio (“O Espaço entre as Coisas”, na Radar), voltou a casar e a descasar, criou uma chancela na PrimeBooks e passou a editar sozinho os seus livros. O seu desaparecimento não pareceu incomodar ninguém, os seus livros, cada vez mais complexos e singulares no panorama literário português, passavam despercebidos.

Numa das suas últimas aparições em televisão, num programa de Bruno Nogueira, de 2010, o seu humor, o seu universo, a sua linguagem distante do que se tornou habitual em TV, causou incómodo e estranheza nos espetadores, que sobre isso escreveram nas redes sociais. Pedro justifica: “Têm medo que eu me porte mal”. Reformou-se por invalidez, isolou-se conscientemente ou, como escreveu, “até atingir o estado de incerteza permanente, do qual não pretendo sair”.

Foi nesse estado de incerteza que o fomos entrevistar, à casa luminosa no Estoril onde vive com a mulher e o seu cão, o Radar. Pedro Paixão publicou este ano um novo livro, agora numa pequena editora independente de Évora, a Licorne, de Manuel Silva Terra. São textos breves, poéticos e críticos, feitos de memórias, “a mais subtil de todas as matérias e, no entanto, a única que verdadeiramente existe”. Chama-se Lembra-me de Mim.

“Lembra-me de Mim”, de Pedro Paixão

Como é que passa da situação de ser “escritor coqueluche”, altamente mediático, adorado por leitores e jornalistas, para a situação de ser escritor quase esquecido? O que aconteceu?
As pessoas pensam que eu morri… [longo silêncio, depois um sorriso irónico]. Não sei dizer o que aconteceu. Só sei que não prefiro a situação anterior a esta. Houve aí um problema de editores. Houve o que queria escrever e o que não queria escrever. Houve o doce veneno da fama que nos conduz à maior solidão. A última coisa que queria era ser outra vez famoso como fui. Perdi bastante. Porque a fama dá-nos um poder irreal feito de fumos, espelhos, que é perigoso. Há uma aparência de que conhecemos muitas pessoas, que as pessoas gostam muito de nós. Tudo falso. Graças a Deus, descobri isso antes de ter feito muitas asneiras, sem ter ficado viciado em drogas, álcool, poder.

Como era publicar livros nos anos 90?
Nos anos 90 a tiragem dos meus livros era de 5 mil exemplares, agora é de 500. Continuei sempre a publicar. Apenas agora estou numa região mais obscura. Depois da Cotovia estive na Quetzal, na Bertrand, depois fiz uma chancela minha na editora Prime Books [Impressão Digital] , era eu que fazia os livros todos. Agora estou nesta [Licorne] mas não sei se vou continuar a escrever. Quer dizer… tenho um livro já pronto. Mas não foram as editoras que me afastaram. Eu é que me afastei. Senti necessidade de me afastar. Também nunca vivi propriamente num ambiente literário. Foi um mal-entendido desde o começo. Nunca quis ser escritor… Agora estou nesta editora, pequena e com muito bom gosto, que já publicou mais de 100 livros.

Mas nessa altura era adorado pelos críticos. O Luiz Pacheco disse publicamente que era o escritor daquela época que mais gostava. E até lhe escreveu uma carta…
Era tão adorado, tão elogiado que ao fim de cinco livros gastaram os elogios todos, depois ficaram sem nada para dizer…

E o Luiz Pacheco?
Esse é diferente. Tenho a carta dele emoldurada e pendurada na parede. Queres ver?

Carta que Luiz Pacheco escreveu a Pedro Paixão em 1999 e que está emoldurada numa parede de casa do escritor

Como é não ser um escritor mediático num tempo em que o mediatismo é tão forte? Nunca se sentiu triste por já não estar sob os holofotes?
Não. É preciso que se perceba isto: é mais importante haver uma só pessoa que gosta de ti do que que uma multidão que faz de conta que gosta de ti. Uma pessoa pode salvar-te. Uma multidão esmaga-te, deixa-te morrer. E eu percebi isso. Pronto. Depois, também tive sempre muita consciência da inviabilidade desse poder, que não era meu. Era-me emprestado pela fama. Por isso, por uma consciência ética, não podia usá-lo a meu favor. Se fizesse isso, se manipulasse as pessoas usando desse poder, ia condenar a minha alma e a escrita também. Só escreve de verdade quem tem mãos verdadeiras. Não posso estar a aldrabar, nem as outras pessoas, nem a mim próprio.

Mas o Pedro era um homem muito sedutor. Tinha sempre um rol de mulheres à sua volta.
Eu não era sedutor. Tinha era jeito para aparecer na televisão. Detesto essa palavra que hoje se usa muito, “sedução”. Sedução é uma coisa barata. É tudo efémero. Depois há sempre que desconfiar do nosso público. Muito público normalmente é porque a coisa não é boa. O público é uma massa informe. Uma das preocupações mais contínuas da minha vida é essa de não usar o poder sobre as pessoas. Porque tenho consciência de que se manipular também estou a ser manipulado.

No entanto, nos anos 90 não havia o mediatismo em torno dos escritores que há hoje…
Não sei, não me convidam para os eventos, nunca me convidam para nada, é tão engraçado. Devem ter medo que me porte mal. Que diga o que não convém. Nem à Casa Fernando Pessoa, nunca me convidaram para lá ir. O que até é um elogio.

"Já não conheço as novas gerações… não os leio… eles também não me leem a mim… portanto estamos bem. Mas eu também escrevo sempre a mesma coisa. Sou eu e eu. Só escrevo sobre mim. Porque não teria sobrevivido se não escrevesse. Só assim é que vou sabendo quem sou."

É porque têm medo de si, ou é porque tudo se passa num círculo muito fechado?
Bem, as pessoas que mandavam na cultura nos anos 90 já morreram. Agora mandam outras! Mas há muita corrupção na cultura. Há poderes. Veja-se as traduções. Como é que é possível de repente alguém ser traduzido para 30 línguas sem que para isso tenha havido uma intervenção das instituições do Estado Português? Eu só fui traduzido para hebraico, um livro só, A Noiva Judia.

Já sentiu ciúmes dos outros escritores que entretanto se tornaram famosos e muito vendidos?
De vez em quando sim, depois passava-me. Agora já nem sei o que acontece, já não conheço as novas gerações… não os leio… eles também não me leem a mim… portanto estamos bem. Mas eu também escrevo sempre a mesma coisa. Sou eu e eu. Só escrevo sobre mim. Porque não teria sobrevivido se não escrevesse. Só assim é que vou sabendo quem sou. Agora, publicar é uma coisa completamente diferente. Claro que no início fiquei inebriado, devia ser a pessoa que mais livros vendia em Portugal, depois tudo cansa. Há coisas mais importantes. Hoje já nem sinto necessidade de publicar. Escrever sim. Publicar tornou-se um desejo do qual me libertei. Também já não quero ser melhor que os outros, já não quero correr com ninguém. Já não tenho ciúmes, nem inveja…

O que lhe apetece fazer agora?
Agora gostava de voltar a pintar. A minha mãe ensinou-me a pintar. Talvez deixe de escrever e comece a pintar. Já fiz fotografia mas não sou fotógrafo. Também gostava de fazer cinema, mas nunca consegui apoios. De há uns tempos para cá comecei a sentir que se calhar não preciso de escrever mais nada. Mas estou a correr contra quem? Contra mim próprio. Estou cansado. Às vezes olho para todas as coisas que já fiz e fico impressionado. Não sei, parece que fiz sem dar conta.

Mas não está armado em Herberto, o poeta obscuro?
Já deixei de ligar a isso, não é bom nem é mau. Não penso nisso. Se me pedirem uma entrevista eu dou, mas não vou bater à porta de ninguém. O mais importante é procurar manter-me digno, não usar o poder sobre os outros, não manipular.

Polaroid do escritor no seu piano (Foto: Pedro Zenkl)

Não está a escrever para os seus contemporâneos, é isso?
Ah, isso não estou de facto. Mas também não estou a escrever para os vindouros. Se estou a escrever para alguém é para mim. Quer dizer, não estou apenas a escrever-me, estou a rescrever-me. A mim e ao meu pequeno mundo. Aquilo que procuro é a verdade, é Deus. É a mesma coisa. É a única coisa que faz sentido procurar. [Abre o seu livro Lembra-me de Mim e lê um excerto]… mas isto está muito bem escrito. Já não me lembrava de nada, mas está muito bem escrito. Isto é muito bonito. Ninguém escreve tão bem como eu. Para mim, sou o melhor da minha geração [diz, como quem confessa uma maldade e depois dá uma gargalhada].

Acontece-lhe sentir-se desapontado quando vê materializadas as ideias que teve?
Quando me consigo reler, o que é raro, acontece-me o contrário, que é achar que está bom. Mas gosto muito deste último livro. O meu único romance mais “canónico” é o Rosa Vermelha Em Quarto Escuro. Prefiro contar histórias pequenas. Não é uma escolha, sai assim, não gosto de criar personagens, essas coisas. Tudo o que escrevo são coisas que vivi direta ou indiretamente, são memórias, projeções. Mas é sempre a minha vida. Sou sempre eu.

Continua a optar por escrever histórias curtas, fragmentos, memórias em vez de romances. Nos anos 90 forma dos seus livros foi considerada muito inovadora, tendo em conta que, em Portugal, se arrisca pouco nos géneros…
Quando comecei a publicar, as pessoas vinham dizer-me que tinham descoberto que havia uma maneira mais fácil de escrever, que podiam escrever as suas coisas daquela forma curta. Mas claro que isso deu quase sempre maus resultados. O texto curto é tão ou mais difícil que o texto longo. Não basta ter coisas para contar.

E o que anda a ocupá-lo agora?
Há 10 anos que estou a trabalhar num ensaio. Já publiquei um, em 2015, que é o Anti-Darwin. Este agora chama-se A Cidade. Pode-se dizer que é filosofia, mas não só. Fui a Auschwitz em 2010, estou a escrever um outro livro a partir de uma história que me contaram lá e sobre a qual tenho a obrigação moral de escrever, mas está a ser difícil. Até já tentei deixar de o escrever, mas não consigo. Já casei com duas mulheres judias, o meu filho David é judeu. Esse ensaio… o Anti-Darwin, demorei 20 anos a escrevê-lo, só visto.

“Anti-Darwin: ensaios sobre os Limites da Modernidade”, 2015, mostra-nos a enorme inquietação intelectual do escritor

Consegue resumir aquilo que defende neste ensaio em que tenta desmontar a teoria darwinista mostrando que ela é a aplicação à natureza de um racionalismo puramente humano?
A tese de fundo é a seguinte: o darwinismo é uma convicção e não uma teoria, como tal não é verdadeiro nem falso. Uma convicção só existe em contraste com outra, que pode ter mais ou menos poder de convicção sem nunca alcançar a certeza. As obras de Freud e Marx são do mesmo tipo. Não é possível uma teoria da vida, como não é possível uma teoria do Belo ou do Bom. É um tema que me ocupa há muitos anos. Se calhar ainda vou demorar mais 10 anos a terminar A Cidade.

Em 2014 escreveu Espécie de Amor, em que se baseava na sua amizade com Miguel Esteves Cardoso. No entanto não é um livro de boatos. É antes sobre a amizade destrutiva entre dois homens, uma descida ao inferno de um homem e de um país [Portugal].
O que acontece ao outro também me acontece a mim. Na amizade somos o espelho um do outro, onde o outro se vê. Em grande contraste com a paixão em que nos enganamos e não queremos mais do que continuar a enganarmo-nos.

Tem ideia se Miguel Esteves Cardoso alguma vez leu o livro?
Não leu certamente.

Quando vocês eram próximos liam os livros um do outro? E comentavam?
Não, nunca. Seria uma grande lamechice.

O meu país é um país que não reconhece o verdadeiro valor, não gratifica a excelência, e mal suspeita de alguma coisa original, logo, estranha, esmaga-a. Camões morreu pobre e desolado. Provavelmente sem ter tido sequer a sorte de ter tido um único amigo, como eu tive. O Pessoa, que viveu de quarto em quarto, foi morrer com o fígado trespassado a um hospital com nome de santo francês que está no Bairro Alto e, ao que se diz, a última frase que lhe se ouviu foi em inglês que a disse I do not know what tomorrow will bring, para tirar as dúvidas a quem as tivesse. O Ruy Belo, um magnífico poeta, foi um herói desprezado primeiro pela academia fascista e, depois, pela academia democrática. O Ruy Cinatti, um poeta entre os maiores, enlouqueceu com a revolução dos medíocres e presumidos cravos, que entretanto desapareceram como espécie. Eu só não me deixei esmagar porque não tenho valor algum em particular, nunca tendo chegado a ser o que queria (…) [“Espécie de Amor”, 2014]

“Espécie de Amor” é uma obra vertiginosa, fulgurante sobre a amizade e o horror de ser português. Um grande livro esquecido

25 livros em 25 anos. Porque escreve tanto?
Escrevo para mim, só para mim, para me tentar salvar. Quando escrevo, as coisas parecem ganhar um plano superior, mais verdadeiro. Contra a passagem do tempo, o desvanecimento, a escrita dá-nos a ilusão de que a nossa vida é mais durável. Dá-nos a ilusão de que continuaremos vivos naquilo que escrevemos. Ser-me-ia impossível viver sem escrever.

Mas isso é o que diz toda a gente. Toda a gente quer ou gostaria de publicar livros.
Ai querem? (gargalhada). Não sabem o que fazem. Ainda bem que não falo com pessoas e hoje em dia só falo com o meu cão.

Nestas décadas o que mudou nas suas obras?
Continuo a escrever sobre o amor, o amor e a morte. Passei a minha vida à procura de me ligar aos outros.

E lê algum autor português?
Agora estou a ler a obra completa do Ruy Belo. Todas as manhãs leio poesia. E ando sempre a ler o Camilo, que também é um poeta. A poesia é o esplendor da palavra e em Portugal temos bons poetas. Ainda na outra noite sonhei com o senhor Herberto Helder. Que o encontrava na Fnac a comprar um livro do Cocteau… Uma vez li um poema do António Maria Lisboa ao Mário Cesariny, ele gostou tanto que me ofereceu um desenho.

"Fiz mais do que alguma vez julguei poder fazer, mais do que os outros disseram que seria capaz. Tive uma vida maravilhosa, apesar de toda a dor. Ao escrever tentei transformar essa dor em beleza."

Uma presença constante nos seus livros é o filósofo alemão Ludwig Wittgenstein. A obra dele é a mais importante para si?
Como acontece na música ou no cinema, o que para nós é o mais importante tem épocas. Mas Ludwig Wittgenstein deve ter sido quem mais li e sobre quem dei mais aulas.

Durante muitos anos deu aulas de Filosofia na Universidade Nova. Depois reformou-se devido à doença bipolar de que sofre.
Quando fui diagnosticado, aos 19 anos, não aceitei. Foi o [psiquiatra] António Bracinha Vieira. Não percebi nada. Só muitos anos depois, quando tive a primeira depressão profunda, quando acabei o doutoramento, é que percebi. Também tinha ataques de euforia mas, graças a Deus, nunca aconteceram tantas vezes como a depressão, portanto não fiz assim grandes asneiras nesses momentos. Desde essa altura, dos 29 anos, passei a estar medicado. Lítio.

Continua a ter uma estreita relação com o judaísmo?
Aconteceu na minha vida casar com duas judias… e o que importa não é a religião que se tem mas como se vive a religião que se tem [longo suspiro de cansaço].

O Pedro pôde experimentar essa vida de “escritor famoso” e retirou-se dela, sem ser chutado e sem lhe andar a pedir esmola, isso é algo raro…
Acho que tem valor, porque aquilo cola-se como uma droga… Tive que ter… fazer uma força muito grande para não deixar que isso acontecesse comigo. Fiz mais do que alguma vez julguei poder fazer, mais do que os outros disseram que seria capaz. Tive uma vida maravilhosa, apesar de toda a dor. Ao escrever tentei transformar essa dor em beleza.

“Depois deixei de amar e odiar ao mesmo tempo, aprendendo devagar a ser quem sou, e não quem julgava que seria (…) Abandonei o projeto absurdo de querer justificar a minha existência, julgando que ela precisava de ser justificada, uma injustificável vaidade”, escreve em Espécie de Amor. É assim que se sente hoje?
É um “trabalho em curso”, com avanços e recuos.

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