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Marcelo Rebelo de Sousa deu início à estampagem da nova prensa da Autoeuropa.
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▲Marcelo Rebelo de Sousa deu início à estampagem da nova prensa da Autoeuropa.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

▲Marcelo Rebelo de Sousa deu início à estampagem da nova prensa da Autoeuropa.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Portugal garantiu a Autoeuropa para o futuro numa cerimónia que quebrou uma tradição de Marcelo

A Autoeuropa está a produzir o novo T-Roc e garantiu a produção de um novo elétrico de entrada de gama a partir de 2027. Vai ter um incentivo público.

Foi ali na Autoeuropa que António Costa lançou Marcelo Rebelo de Sousa para uma recandidatura à Presidência da República. A visita fazia-se, em 2020, com máscaras que assinalam agora o período pandémico que se viveu. Já não era a primeira vez que o então primeiro-ministro e o ainda Presidente se juntavam para visitar a Autoeuropa. Tinham começado essa “tradição” logo em 2016. Marcelo chegara nesse ano à Presidência e António Costa assumira o comando executivo no ano anterior.

Em 2020 revelavam que se tinha estabelecido “uma nova tradição de que o primeiro-ministro e o Presidente da República vêm, em conjunto, à Autoeuropa”. Repetiram a visita conjunto por várias ocasiões. António Costa demitiu-se em novembro de 2023 e o país foi para eleições em 2024, tendo optado por colocar um novo inquilino no Palacete de São Bento. Chegava Luís Montenegro ao Governo. Com ele assumia a pasta da Economia Pedro Reis.

▲ Foi com Manuel Castro Almeida que Marcelo Rebelo de Sousa visitou a Autoeuropa em final de mandato.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Quis o destino que no dia em que foi votada a moção de confiança (chumbada), que fez cair o Governo, fosse anunciado o novo carro para ser produzido em Palmela. A Autoeuropa, foi anunciado, vai acolher a produção do elétrico ID Every1, um carro que se pretende de entrada de gama, com preço antecipadamente apontado aos 20 mil euros. Luís Montenegro, no dia do debate da moção de confiança, colocou todo o sucesso desse investimento no seu Governo (o primeiro): “Exemplo de resultados concretos é a decisão da Volkswagen de produzir em Portugal um carro totalmente elétrico, o que significa muitos anos de vigor na Autoeuropa e em todo o ecossistema da indústria automóvel em Portugal”.

E insistia: “Não é por acaso que conseguimos trazer para Portugal e para a Autoeuropa a produção do novo carro elétrico, numa conquista em que estávamos em disputa com dois outros países do leste europeu, altamente competitivos do ponto de vista da sua mão de obra, dos seus incentivos fiscais, do seu ambiente de negócios. E até é caso para dizer que esta decisão se consumou já este período de instabilidade estava a viver com a convicção de que eu não ia atrapalhar aquilo que e um caminho que está muito consolidado de estabilidade económica-financeira”.

▲ A Autoeuropa vai produzir a partir de 2027 o ID.Every1.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Chegou a falar-se da concorrência polaca e da concorrência da república checa e até da Eslováquia. Mas foi a Autoeuropa que acabou a ser escolhida para a produção do ID Every1. Portugal acabou por sair vencedor.

Autoeuropa vai fabricar novo carro elétrico que deverá custar 20 mil euros (no mercado alemão)

No dia do anúncio oficial às redações chegou um comunicado da Autoeuropa e do Ministério da Economia, liderado, então, por Pedro Reis. O Observador sabe que estava a ser preparado um anúncio em São Bento, com Luís Montenegro. Mas a moção de confiança fez mudar os planos. Apenas um comunicado seria enviado às redações.

Foi preciso chegar a agosto de 2025, quatro meses depois do anúncio, para se fazer a apresentação oficial e para se assinar a Declaração Conjunta de Intenções entre o Grupo Volkswagen e o Governo Português com vista à produção do elétrico ID. Every1. em Palmela.

Autoeuropa assume compromisso da Volkswagen para com Portugal com investimento que vai ter apoio de 30 milhões do Estado

Na cerimónia quebrou-se, no entanto, a tradição. Presidente da República não teve ao seu lado o primeiro-ministro. Luís Montenegro vê-se agora envolvido em polémica pelas férias e pela presença na festa do Pontal em plena época de fogos. O país continua a arder e a presença do Governo neste evento da Autoeuropa ficou nas mãos de Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, e do secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira.

Manuel Castro Almeida, na sua intervenção, fez questão de recordar o seu antecessor, Pedro Reis, marcando a importância da sua intervenção do processo. Mas foi a chancela de Castro Almeida que fica associado formalmente ao investimento. O seu e o de Madalena Oliveira e Silva que assumiu a presidência da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) em junho.

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A presidente da AICEP que já tinha ajudado a trazer a Autoeuropa

A Autoeuropa veio para Portugal, ainda pelas mãos da Ford e da Volkswagen (que acabou sozinha no projeto em 2005), nos anos de 1990. As negociações decorreram entre 1989 e 1991, ano em que foi fundada a Autoeuropa. O governo era de Aníbal Cavaco Silva. Mira Amaral era o seu ministro da Economia. António Neto da Silva tem também lugar cativo na história deste investimento estrangeiro, enquanto secretário de Estado.

No ICEP, como então se chamava o instituto que negociava estes investimentos estrangeiros, estava Madalena Oliveira e Silva que acabou a acompanhar as negociações para construir a fábrica de automóveis em Palmela. Quatro décadas depois é também a sua assinatura que está na declaração de intenções, que passará a contrato de investimento daqui a uns meses.

Marcelo Rebelo de Sousa, de cada vez que vai à Autoeuropa, não se esquece de assinalar “a visão” de Cavaco Silva. Uma visão, disse esta terça-feira, que tem sido “sistematicamente apoiada por todos os governos, de direita e de esquerda, e por todos os presidentes, de esquerda e de direita”.

“Por uma vez, e não foi a única, mas foi talvez das mais importantes, houve uma estratégia nacional prosseguida ao longo de décadas”, que “agora conhece um salto qualitativo muito apreciável”, salientou o Presidente da República.

[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódio deste podcast plus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

30 milhões de apoio público

O salto qualitativo permitirá manter a Autoeuropa em Palmela, onde é produzido atualmente o T-Roc e que este ano terá um novo modelo com uma versão híbrida. Foi esse modelo que ficou associado a António Costa. Esse automóvel chegará ao mercado comercial nacional no início do próximo ano. Uma linha de montagem que Marcelo Rebelo de Sousa pôde visitar, mas que ficou longe do olhar dos jornalistas.

▲ Foi lançada a primeira pedra da nova nave de pintura.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

À comunicação social foi, no entanto, permitida a visita à nova prensa (prensa XL) que é uma das quatro novas do grupo Volkswagen mas que é, nas palavras de Marco Silva, responsável pela unidade de prensas da Autoeuropa, a mais complexa, por ter um conjunto de robôs no final da prensa a movimentar as peças aí construídas a partir de uma folha de chapa. Só nesta prensa o investimento da Autoeuropa foi de 52,8 milhões de euros. Aí se faz a estampagem de várias partes de um carro — laterais, piso, tejadilho, pára-choques.

Foi também possível ver o local onde ficará instalada a nova nave de pintura que tem de estar a funcionar em dezembro de 2027. Em conjunto com o novo forno elétrico representa um investimento de 270 milhões de euros.

Há outros investimentos não especificados na fábrica de Palmela, nomeadamente para adaptar a linha de montagem ao elétrico que começará a ser produzido em 2027. Mas esses números ficam no segredo. Thomas Hegel Gunther, diretor-geral da Autoeuropa, indicou, no entanto, que até 2029 a Autoeuropa tem em curso investimentos de 600 milhões que vão sendo moldados. Mas a chegada do elétrico permite esperar que a empresa se mantenha em Portugal por mais um longo período.

▲ Madalena Oliveira e Silva, da AICEP, com os responsáveis da Autoeuropa, Volkswagen e o ministro Castro Almeida.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Face a esses volumes de investimento, o Governo e a AICEP declararam, na mesma cerimónia, disponibilidade para atribuir ao projeto da Autoeuropa o nível máximo de auxílio de Estado, 30 milhões de euros. “Será o nosso contributo”, assumiu Castro Almeida.

Agora será dirigido o convite à Autoeuropa para se candidatar ao incentivo. Segundo disse ao Observador fonte oficial da AICEP explica que “a declaração conjunta entre o Estado português, representado pela AICEP, e a Volkswagen permitirá a descarbonização do processo produtivo da fábrica da Autoeuropa de modo a poder receber o novo modelo elétrico, o ID.Every1, com um incentivo de até 30 milhões de euros, num investimento global da empresa de 270 milhões”.

“Este é um incentivo que se insere num novo sistema do PT2030 – Sistema de Incentivos à Transição Climática e Energética, neste caso na tipologia Eficiência Energética e Descarbonização – cujos objetivos estão ligados à finalidade do projeto que é a descarbonização”, permitindo, acrescenta a AICEP, “uma importante redução das emissões emitidas, aliada à melhoria da eficiência energética global da instalação, apresentando um contributo preponderante para a prossecução dos objetivos de neutralidade carbónica da empresa e do setor”. Não é ainda indicado o número de trabalhadores que poderão ser contratados.

Este foi o caminho escolhido para o incentivo público à Autoeuropa. Foi com Pedro Reis no Ministério da Economia que se desbloqueou o apoio e se avançou mais com o processo. O diretor-geral da Autoeuropa assumiu ao Observador que começou a negociar o memorando assinado esta terça-feira “no ano passado”. Um memorando que é “mais um passe firme em direção ao futuro”.

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