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ATTA KENARE/AFP/Getty Images

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Vem aí uma guerra entre os Estados Unidos e o Irão? 5 perguntas e respostas /premium

Em Washington e em Teerão, ninguém admite abertamente um cenário de guerra, mas ambos os lados movimentam-se como se fosse isso mesmo. Estão a fazer bluff ou avançam para uma guerra sem precedentes?

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De repente, já se fala de uma possível guerra entre os EUA e o Irão. O ambiente entre aquelas duas potências já era de cortar à faca, mas a verdade é que atingiu um novo pico quando cinco navios comerciais (dois sauditas, dois dos Emirados Árabes Unidos e um norueguês) foram “vítimas” de um “ataque de sabotagem” junto à costa emiradense. O suposto ataque, cujas circunstâncias não são conhecidas e que levantam ainda mais perguntas do que oferecem respostas, foi atribuído pelos EAU e pelos EUA ao Irão. E, a partir daí, tudo escalou.

Desde Washington, soaram ordens para reforçar o contingente militar na região, com o navio USS Abraham Lincoln a ser reforçado pela presença do USS Arlington, de forma a permitir aos EUA lançarem um ataque em três frentes — marítimo, aéreo e terrestre — contra o Irão. Chegou até a ser noticiada a existência de um plano dos EUA para enviar 120 mil tropas para o Médio Oriente. Donald Trump negou a sua existência, mas a resposta que ofereceu não serviu propriamente para serenar os ânimos: “É fake news, ok? Eu faria isso? Claro que sim. Mas não planeámos nada disso. Se tudo correr bem, não teremos de planear nada para isso. Mas, se tivermos, mandaríamos muito mais tropas do que essas”.

A verdade é que ambos os lados estão a movimentar-se como se se preparassem para um cenário de guerra — embora, nesta altura, ainda ninguém saiba, com certeza, se é tudo mais que apenas um bluff. Para entender o que está em jogo entre os EUA e o Irão (e não só), deixamos cinco perguntas e cinco respostas sobre como chegámos aqui, o que está a acontecer agora e até onde tudo isto poderá chegar.

Os EUA e o Irão vão começar uma guerra?

Não. Pelo menos para já.

É precisamente para aí que apontam as declarações de cada um dos lados — mesmo que, ao mesmo tempo, coordenem movimentações militares que servem tanto como demonstração de força como de fogo de vista.

“Não vai haver guerra nenhuma. A nação iraniana escolheu o caminho da resistência”, disse o Líder Supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, esta semana. “Nós não queremos uma guerra e eles também não. Eles sabem que não lhes convém.”

Do lado dos EUA, também têm sido várias as personalidades a apontar no mesmo sentido. O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse que os EUA querem apenas que “o Irão se comporte como um país normal” e que Washington D.C. está a “exercer pressão” à liderança daquele país islâmico para que assim seja. “Não estamos a tentar arranjar uma guerra com o Irão”, sublinhou o chefe da diplomacia norte-americana. Também o representante especial dos EUA ao Irão, Brian Hook, afinou por esse diapasão: “Destacámos ativos militares para que, no caso de os EUA serem atacados pelo regime iraniano, respondermos militarmente. Não estamos à procura de uma luta, não queremos guerra com o Irão nem com ninguém”.

O Washington Post e o The New York Times escreveram que John Bolton e Mike Pompeo (na foto) são a favor de uma ação militar contra o Irão — e que Trump está contra (NICHOLAS KAMM/AFP/Getty Images)

NICHOLAS KAMM/AFP/Getty Images

Mais importante ainda, o próprio Donald Trump tem procurado pôr água na fervura levantada pelo seu conselheiro para a Segurança Nacional, John Bolton, o “falcão” neoconservador que, ao longo de vários anos, tem defendido uma intervenção militar para mudar o regime iraniano. “Se dependesse do John, neste momento estávamos em quatro guerras”, terá dito Donald Trump, de acordo com o relato de uma fonte próxima da Casa Branca ao The New York Times. Em público, a 9 de maio, Trump, de forma humorada, rejeitou ser influenciado por John Bolton e referiu que o contrário é que é verdadeiro.

“Ele tem opiniões fortes e não há mal nisso. Na verdade, sou eu quem molda o John, o que é incrível”, disse. “Sou eu que o moldo. Não faz mal. Tenho vários lados. Tenho o John Bolton e depois tenho outras pessoas que são mais pacíficas do que ele. Eu gosto do John.”

No Twitter, Donald Trump desmentiu ainda as notícias de que havia uma discordância vincada entre ele próprio, de um lado, e John Bolton e Mike Pompeo, que, do outro, estariam a pressionar para uma ação militar contra o Irão. Porém, o mais interessante dessa mensagem foi mesmo a última frase, que remete para uma ideia que o presidente norte-americano tem repetido amiúde: “Estou certo de que o Irão vai querer conversar em breve”.

Para lá destas palavras, há várias realidades que desaconselham uma guerra direta — sublinhe-se o direta, pois às outras já lá vamos mais à frente — entre os EUA e o Irão. Embora díspar, o poderio militar de ambas estas potências é vasto e a sua utilização plena poderia ter consequências devastadoras. Uma guerra em território iraniano levaria, acima de tudo, a uma desestabilização ainda maior do Médio Oriente — algo de que os EUA têm procurado fugir a sete pés. Se a fatura das invasões ao Afeganistão ao Iraque foi (e ainda é) avultada em termos económicos, políticos e em vidas, uma guerra com o Irão sê-lo-ia muito mais. O Irão tem o maior e mais diverso arsenal de mísseis de todo o Médio Oriente — algo que, para além de vantajoso, tem sido, até hoje, um autêntico seguro de vida para Teerão e para a república islâmica. A somar a isto, estão mais de meio milhão de militares no ativo e quase tantos na reserva. E, além disso, estão também as forças militares satélite do Irão, com capacidade bélica já demonstrada, como os Houthis (Iémen) ou o Hezbollah (Líbano).

Por agora, importa, por isso, mais aquilo que se demonstra do que aquilo que se faz. “Os EUA querem demonstrar que conseguem agir e arrastar com eles o resto do mundo. O Irão quer demonstrar que não está prestes a render-se à pressão dos EUA”, resume Jon B. Alterman, diretor do programa de estudos do Médio Oriente do think-tank norte-americano Center For Strategic & International Studies. “Não acredito que qualquer lado queira um conflito, mas ninguém quer passar para o outro lado a ideia de que tem medo de um conflito. O verdadeiro desafio desta situação é como é que cada lado pode recuar sem dar parte fraca.”

O Líder Supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, disse que "não vai haver guerra nenhuma" e que o seu país escolheu "o caminho da resistência" (ATTA KENARE/AFP/Getty Images)

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Da parte do Irão, há ainda uma estratégia de deixar o tempo passar e esperar que, depois das eleições presidenciais de 2020, os norte-americanos escolham um novo Presidente dos EUA. O acordo nuclear que os EUA de Barack Obama assinaram com o Irão — juntamente com França, Reino Unido, Alemanha, China e Rússia — é relativamente consensual nas várias alas do Partido Democrata. A esperança de Teerão é que, a médio-prazo, e com um novo Presidente, possa haver um retorno à mesa de negociações e um relaxamento das sanções impostas por Donald Trump. Mas, até lá, ainda falta muito tempo: no mínimo dois anos, no máximo seis — caso o atual Presidente seja reeleito e cumpra o segundo mandato até ao fim.

E é aqui chegamos aos conflitos para além da guerra direta — ou seja, as guerras por procuração. Isto é, os conflitos armados em que dois países lutam direta ou indiretamente num país terceiro. É esse o caso da Síria (onde os EUA combatem grupos terroristas e apoiam os curdos do YPG, que também combatem as forças de Bashar al-Assad; e onde o Irão combate grupos terroristas, rebeldes e os curdos, em apoio a Bashar al-Assad) e, de forma mais marginal, o Iémen (onde a Arábia Saudita, maior aliado estratégico dos EUA no Médio Oriente e principal rival do Irão, combate os houthis; houthis esses que são apoiados militar e economicamente pelo Irão).

Por isso, o surgimento de um cenário de guerra nas ruas dos EUA e do Irão pode ser, para já, altamente improvável. Por outro lado, é também altamente improvável que os civis sírios e iemenitas se vejam, num futuro próximo, livres das guerras que vários países fazem fora de portas para não terem de as fazer nas suas casas.

O que levou os EUA a rasgar o acordo com o Irão há um ano?

Os EUA que assinaram o acordo nuclear do Irão em 2015 não são os EUA que rasgaram o acordo nuclear do Irão em 2018. Nestes três anos, a Casa Branca passou das mãos de Barack Obama para Donald Trump e, com a chegada do republicano, a política para o Irão deixou de ser de aproximação e negociação para ser a de confrontação e exigência sem trégua.

Trump — e, em bom rigor, a enormíssima maioria do Partido Republicano e os setores mais conservadores dos EUA — nunca viu qualidades no acordo forjado por Obama e outros com Teerão. De forma resumida, o que ficou estipulado no acordo foi que o Irão se comprometeria a suspender o seu programa de mísseis nucleares em troca de um descongelamento dos ativos iranianos em vários bancos estrangeiros.

Até hoje, e apesar de várias declarações ambíguas de parte a parte, nenhuma inspeção deu conta de o Irão estar a desrespeitar a sua parte do acordo.

Porém, o que sempre incomodou Donald Trump e os setores próximos do Presidente dos EUA não é o que acordo tem, mas aquilo que não tem. Nele, ao contrário do que a Casa Branca de Donald Trump quer, não há qualquer compromisso para permitir inspeções a instalações militares; não se impede que o Irão use urânio para fins de produção de energia; não são estabelecidos limites à produção e aos testes de mísseis balísticos, algo que o Irão tem posto em prática, mesmo em violação da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU.

Assim, Donald Trump decidiu cumprir a sua promessa eleitoral de rasgar o acordo com o Irão e a aplicar-lhe sanções comerciais. O objetivo, porém, não é o de entrar em guerra com o Irão — é o de obrigá-lo a sentar-se à mesa e negociar um novo acordo. Na estratégia do “tudo ou nada”, para já Trump fica-se pelo “nada” — mas a esperança em Washington D.C. é que, perante o crescendo da pressão no seu sistema político e financeiro, Teerão ceda.

O que move os EUA no Irão?

Contê-lo.

Desde que a revolução de 1979 afastou o xá Mohammad Reza Pahlavi (então aliado dos EUA, em plena Guerra Fria) e instalou o aiatola Ruhollah Khomeini no poder, Washington D.C. mudou de agulha com Teerão. Até porque Teerão mudou de agulha na política externa, passando a olhar para a vizinhança como potenciais zonas de expansão para a revolução islâmica — o que, neste caso, é sinónimo de xiita.

Porém, como notou Ariane M. Tabatabai, investigadora no think tank Rand Corporation, o foco da política externa do Irão, 40 anos depois da sua fundação, já não passa tanto pela expansão quanto passa pela consolidação e a manutenção dos territórios que conseguiu penetrar — Líbano, Síria, Iémen, Afeganistão e Iraque, sendo que, no caso dos dois últimos, isso só foi possível de forma eficaz após as invasões norte-americanas. “O Irão tem procurado ajustar a sua política de forma a conseguir dois objetivos que, por vezes, se anulam um ao outro: enfraquecer os governos centrais para garantir que nenhum se torne forte o suficiente para representar uma ameaça para o Irão e, ao mesmo tempo, prevenir que eles colapsem e criem um terreno fértil para terroristas”, escreveu aquela especialista.

“O Irão tem procurado ajustar a sua política de forma a conseguir dois objetivos que, por vezes, se anulam um ao outro: enfraquecer os governos centrais para garantir que nenhum se torne forte o suficiente para representar uma ameaça para o Irão e, ao mesmo tempo, prevenir que eles colapsem e criem um terreno fértil para terroristas.”
Ariane M. Tabatabai, investigadora no think tank Rand Corporation

“Embora os líderes do Irão tenham, outrora, aspirado ao objetivo de exportar aquele movimento, hoje olham para o mesmo como uma maneira de o Irão garantir os seus interesses e maximizar o seu poder”, escreve aquela investigadora.

Esta avaliação, porém, não é consensual. E, mesmo que seja compreendida por alguns setores em Washington D.C. e até na própria Casa Branca, muito dificilmente os EUA estarão dispostos a relaxar a guarda no que diz respeito ao Irão e às suas possibilidades de crescimento no Médio Oriente. Por duas razões: Arábia Saudita e Israel, os maiores aliados dos EUA na região. Permitir o avanço do Irão na região seria comprometer a posição daqueles dois Estados (com Israel a ser um alvo mais fácil do que a Arábia Saudita) e isso é algo que, para Donald Trump, é impossível — Israel, além de um parceiro estratégico, é um tema cada vez mais polarizante na política norte-americana e que tem rendido aos republicanos não só financiamento como votos.

A China pode aguentar o Irão? E quer?

Até agora, é isso que tem feito. A partir de agora, não se sabe.

Por um lado, a China é o maior cliente do petróleo iraniano — em 2018, Pequim comprou 22 milhões de toneladas de crude a Teerão. Do outro lado, o Irão é o sétimo maior vendedor de crude para a China — perfazendo 6,3% das importações chinesas daquele bem. Daqui, resulta uma realidade inegável: o Irão depende muito mais da China do que a China depende do Irão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão viajou até Pequim para garantir a fidelidade da China. A mensagem de Pequim é de confiança, mas as ações são ambíguas (THOMAS PETER/AFP/Getty Images)

THOMAS PETER/AFP/Getty Images)

Para entender esta questão, convém olhar para o calendário.

Primeira data: 2 de maio de 2019. Foi nesse dia em que os EUA anunciaram o fim de uma espécie de regime de excepção que permitia que sete países comprasse petróleo ao Irão sem sanções: Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Turquia, Itália, Grécia e, por fim, a China. A partir de então, qualquer país que queira fazer o mesmo negócio corre o risco de sofrer retaliações económicas dos EUA.

Segunda data: 10 de maio de 2019. Aí, o calendário marca o dia em que Donald Trump e os EUA se levantaram da mesa de negociações para evitar uma nova guerra comercial com a China, anunciando de forma imediata a subida de tarifas para importações chinesas no valor de 200 mil milhões de dólares (179 mil milhões de euros).

Para já, não é certo o que os acontecimentos destas duas datas podem trazer para o Irão e para as suas vendas de crude para a China. Por um lado, há notícias que dão conta de que algumas das refinarias que processam a maioria do crude iraniano estão a suspender as suas importações de Teerão de forma a evitarem sanções dos EUA. Por outro, há outras notícias que dão conta da chegada de um petroleiro com crude iraniano contrabandeado ao porto de Zhoushan, na China .

O certo é que, para já, o discurso de Pequim é de apoio ao Irão. “A China opõe-se às sanções unilaterais e às jurisdições impostas pelos EUA”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Geng Shuang, quando os EUA riscaram a cláusula que isentava a China de sanções relacionadas com o Irão. “A nossa cooperação com o Irão é aberta, legal e transparente e, por isso, deve ser respeitada.”

“A China opõe-se às sanções unilaterais e às jurisdições impostas pelos EUA. A nossa cooperação com o Irão é aberta, legal e transparente e, por isso, deve ser respeitada.”
Geng Shuang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês

Semanas depois, esta sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, viajou até Pequim para se encontrar com Wang Yi, Conselheiro de Estado da China e figura cimeira da diplomacia daquele país. De novo, a mensagem foi de apoio incondicional a Teerão: “A China compreende a situação atual e as preocupações do Irão e apoia os iranianos para salvaguardarem os seus direitos e interesses”.

Claro que a China, tal como os EUA, também tem interesses no Irão. No caso chinês, o Irão é uma peça fundamental do plano para a iniciativa Belt And Road. No que diz respeito à vertente marítima daquele projeto de transporte de bens, o estreito de Ormuz, no Irão, é uma peça fundamental — e, por isso, não será de estranhar que os laços entre os dois países se estreitem ainda mais, com a China a pedir mais em troca por ajudar Teerão numa altura delicada.

Esta, porém, é uma faca de dois gumes. Ao estender os braços para o Irão, a China causará desagrado na Arábia Saudita (país com quem tem mantido relações cordiais, tendo em vista também a iniciativa Belt And Road) e sobretudo nos EUA, com quem mantém uma guerra comercial. O Irão poderá vir a ser um tema quente na mesa de negociações entre Pequim e Washingon D.C.. E, nessa altura, o Irão estará à mercê da boa vontade da China.

Qual tem sido o papel da Europa nesta crise?

Donald Trump nunca teve o apoio da União Europeia para rasgar o acordo com o Irão — e, agora que a tensão entre Washington D.C. e Teerão atinge um novo pico, o apelo que surge da Europa é no sentido de serenar os ânimos e de um recuo na escalada de tensão.

“Enquanto União Europeia, como sabem, defendemos sempre o diálogo e o contacto diplomático. Esse tem sido o nosso compromisso e é isso que estamos a fazer, incluindo com o Irão. Estaríamos sempre a favor de qualquer oportunidade para conversações. É sempre melhor conversar do que não conversar. É uma boa ideia, especialmente quando as tensões sobem”, disse Federica Mogherini, Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

As mensagens da UE, porém, não têm sido apenas para os EUA — são também para o Irão. Federica Mogherini instou o Irão a “continuar a implementar a totalidade do acordo nuclear” e os três países europeus que também assinaram aquele tratado fizeram o mesmo. Ou seja, França, Alemanha e Reino Unido.

O facto é que a UE tem assistido impotente ao desfazer do acordo nuclear com o Irão — uma prova de que, naquele tratado, os dois verdadeiros eixos eram Teerão e Washington D.C. e que, quando os dois não estão de acordo, ele fica potencialmente obsoleto. Essa é uma mensagem que, aliás, foi compreendida pelo setor privado logo que Donald Trump rasgou o acordo e anunciou sanções a Teerão e a quem negociasse com aquele país em 2018. Foi o caso da petrolífera Total e da fabricante automóvel PSA (que fabrica a marca Citröen e a Peugeot), que desistiram imediatamente dos investimentos que preparavam no Irão.

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