Uma publicação no Facebook afirma que “100%” das vacinas produzidas para combater a Covid-19 contêm óxido de grafeno, e acrescenta que esse ingrediente torna os pacientes identificáveis por sistemas informáticos. É falso.

“Uma vez que o óxido de grafeno entra no organismo, entra em contacto com a água, mais especificamente com o hidrogénio… é isso que confere as propriedades magnéticas aos pacientes vacinados”, ouve-se no vídeo que é partilhado pela publicação em análise, que mostra um médico a falar sobre as vacinas contra a Covid-19.

A premissa não é nova. Desde o início dos processos de vacinação contra a doença que muito se tem especulado sobre os seus efeitos adversos. Um dos boatos mais comuns é a existência de óxido de grafeno na sua composição, algo que o Observador já explicou que não é verdade num artigo semelhante a este.

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Como é explicado, não há qualquer indício para a existência deste químico entre os ingredientes das vacinas contra o novo coronavírus. A lista de componentes da vacina é divulgada pelas próprias farmacêuticas, como a Pfizer, AstraZeneca, a Janssen e a Moderna.

O grafeno é amplamente usado na medicina e na eletrónica por ser um material de alta resistência que pode ser útil em múltiplas aplicações. Contudo, não é verdade que o mesmo tenha propriedades magnéticas que possam ser replicadas no contexto quotidiano. Também essa informação já foi desmentida num FactCheck do Observador em 2021.

O site de verificação de factos, Newtral, também já desmentiu isso em 2021. No artigo, um professor catedrático de Química Orgânica na universidade de Santiago de Compostela, explica que conseguiu “detetar um estado magnético de uma pequena estrutura triangular de grafeno”, mas que isso foi feito através de trabalho de laboratório. E o mesmo sublinha que “o grafeno em condições ambientais não é magnético”.

Porém, na publicação é feita uma alegação nova. No vídeo que acompanha a partilha do Facebook em análise, também se diz que “estes dispositivos de grafeno emitem uns sinais identificáveis através de sistemas informáticos e de telemóveis“.

Luís Pessoa, professor no departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), esclareceu ao Observador que “existem telemóveis com sensores sensíveis ao campo magnético da terra (para permitir a funcionalidade de bússola, por exemplo), mas não têm a capacidade nem a sensibilidade necessária para detetar partículas magnéticas no corpo humano“. Para que isso acontecesse, seria necessário que recorrer a “equipamentos de ressonância magnética existentes em meio hospitalar”.

Luís Pessoa acrescenta ainda que a relação entre sinais de comunicações móveis, como o WiFi ou o 5G, e a sua interação com o corpo humano “já foi muito estudada nas últimas décadas, não se tendo concluído existir qualquer efeito ou interação relevantes com o corpo humano”. “Os telemóveis são aparelhos criados principalmente para telecomunicações e não para sensorizar o corpo“, sublinha.

Conclusão

Várias publicações nas redes sociais afirmam que as vacinas que combatem a Covid-19 têm óxido de grafeno na sua lista de ingredientes. O boato não é novo. O Observador já desmentiu a existência da substância na composição das vacinas este ano e também em 2021. É também comum, como é o caso da publicação que analisamos neste Fact Check, associar-se a presença de grafeno a magnetismo. Esse facto também é falso. Embora seja um componente químico amplamente usado para diferentes fins, o grafeno não tem propriedades magnéticas. 

Por fim, a publicação alega que esse magnetismo é detetado por telemóveis. Também isto é falso. Em resposta ao Observador, Luís Pessoa, do departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FEUP, esclareceu que os telemóveis “não têm a capacidade nem a sensibilidade necessária para detetar partículas magnéticas no corpo humano”.

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

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