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Sabe os valores da sua tensão arterial? E do colesterol? Esta é uma das perguntas do questionário que estamos a fazer. Além desta temos mais duas. Demora menos de trinta segundos a responder, é rápido, e a sua participação pode ser muito útil. Responda AQUI. |
“Os números primeiro”. É este o nome da nova rubrica do Arterial que tem o jornalismo de dados como ponto de partida. Com textos da jornalista Susana Marvão e infografias da designer gráfica Marina Chen, neste primeiro artigo tentámos perceber porque é que o enfarte e o AVC não são uma prioridade para o Serviço Nacional de Saúde. O desafio começa desde logo pela falta de dados sobre a realidade portuguesa, o que é, aliás, um dos pontos a melhorar na prevenção, gestão e tratamento da principal causa de morte em Portugal. |
Existem, contudo, números aos quais não se pode ficar indiferente: após o susto — o episódio agudo — existe um maior risco e uma probabilidade de voltar a ter outro. Independentemente da idade e do género. As doenças cérebro-cardiovasculares são democráticas: não acontecem só aos outros, atingem pessoas jovens, mulheres e homens, com consequências que podem ser graves e implicar meses e anos — muitos anos — de recuperação. Sabe-se que 20 a 30% das pessoas que tiveram um AVC ou enfarte correm o risco de voltar a ter um episódio, alertam duas entidades mundiais dedicadas à área, a European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations e a European Stroke Organisation. A percentagem aumenta para 40% ao fim de dez anos. |
Luís Negrão, assessor médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia diz que “a ausência de dados sobre segundos eventos, adesão terapêutica e acesso à reabilitação continua a ser uma constante em Portugal”, o que compromete a avaliação real do impacto da prevenção secundária. E que prevenção é esta? Trata-se do conjunto de estratégias que devem ser aplicadas após a doença aguda o que implica alteração de comportamentos, promoção de estilos de vida e o controlo rigoroso de fatores de risco para evitar a recorrência, mas também a capacidade de planear políticas de saúde mais eficazes. Sem dados concretos é difícil planear corretamente. Há uma espécie de vazio decorrente desta falta de recolha de números que poderiam ajudar a uma melhor gestão e tratamento das doenças que lideram a mortalidade em Portugal e no mundo. |
E neste artigo o que se pretende saber é porque é que não se aposta mais na prevenção secundária. Ouvimos especialistas, fomos tentar perceber qual seria o percurso ideal da prevenção secundária do enfarte e do AVC onde destacamos a insuficiente cobertura de reabilitação cardíaca no país. Como alerta a cardiologista Ana Abreu, “hoje, apenas cerca de 12% dos doentes com enfarte e internamento hospitalar fazem reabilitação. E sublinha a desigualdade no acesso: “Nem todos os hospitais têm reabilitação, nem todas as pessoas são referenciadas para a reabilitação e, portanto, não estão a fazer o que deviam fazer”. |
A presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia assina um artigo de opinião em que alerta para o menor número de cardiologistas em Portugal em comparação com a União Europeia e aponta a falta de investimento e de igualdade no acesso como um risco para a saúde cardiovascular. |
E por falar em investimento o episódio deste mês do podcast Se eu fosse ministro da Saúde destaca no título o escasso orçamento da saúde. Quem o defende é Cristina Vaz de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, que considera que o trabalho em rede é essencial para a promoção de boas práticas. A alimentação, o exercício físico e a saúde mental são as três dimensões que a também professora considera cruciais para termos populações mais saudáveis. |
Ana Rodrigues é educadora de infância, teve um enfarte e não identificou logo os sintomas. Não chamou o 112 — gesto que salva vidas e possibilita a ativação da Via Verde Coronária — e dirigiu-se ao hospital com o marido Ricardo. Foi lá que teve três paragens cardiorrespiratórias e um AVC. No testemunho que ambos deram à jornalista Sofia Teixeira em mais um episódio da rubrica “Quando a minha vida mudou”, Ana partilha o quanto gostaria de voltar a trabalhar e como tem sido a sua recuperação, ela que se define como ansiosa, fumava e tinha antecedentes cardíacos na família. E o marido Ricardo contou o seu lado da história enquanto marido e cuidador. Um relato que não deve perder, com realização e edição de Nuno Neves e imagem de Nuno Neves e Rodrigo Mendes. |
A vida de Anabela Pinto, professora e formadora, também mudou depois de ter um AVC isquémico. Foi essa a causa do seu internamento de “50 longos dias” com apenas 43 anos. depois de ser submetida uma cirurgia aparentemente “simples e rápida” para remoção de um quisto. Uniu-se ao seu redor um grupo de familiares e profissionais de saúde que ajudaram – e ainda ajudam – na sua recuperação. A mãe. O marido. A amiga. O fisioterapeuta. E a professora [Anabela inscreveu-se no curso na licenciatura em Tradução, na Universidade de Aveiro dois anos depois do AVC]. |
Tal como Ana, de quem falo linhas atrás, Anabela adorava o seu trabalho e dar aulas e rapidamente arranjou motivação para contornar o luto da vida que deixou para trás. Hoje pratica Kempo, desporto adaptado, o que não deixa de ser surpreendente para quem teve de andar algum tempo de cadeira de rodas depois do internamento. Leia a história da sobrevivente e da sua rede aqui. A reportagem é assinada pela jornalista Paula Sofia Luz e as fotos são da Maria João Gala. |
Já são centenas de horas de entrevistas, de reportagens e de conversas que nos levam aos bastidores de doenças que afetam toda a família e que têm um grande impacto no dia a dia. Qualquer semelhança com o que ouvimos no café, na rua ou de alguém que tem um vizinho que passou por um enfarte ou um AVC não é mesmo de estranhar. Os outros, sempre os outros, podemos ser nós. |
E é por isso que reforço o convite para responder ao nosso questionário. Queremos perceber se preocupa saber mais acerca dos seus fatores de risco e se considera que os meios de comunicação social podem ajudá-lo a conhecê-los melhor e a sensibilizá-lo para uma vida mais saudável. As suas respostas importam. Participe. |