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Há exactamente 47 anos, voltei a Portugal, como tantos companheiros, depois de mais de dez anos de exílio em França, onde me tinha refugiado graças a uma série de coincidências que me permitiram escapar à PIDE. Entretanto, abandonei o PCP, ao qual aderira após a campanha Delgado em 1958; acompanhei por pouco tempo a «cisão pró-chinesa»; e em Maio de 1968, conheci as novas formas de contestação daquela época. Regressado a Lisboa, tive a fortuna de entrar como professor na universidade e abandonar os tiques dos políticos profissionais.

A minha visão de Portugal é conhecida. O primeiro facto a notar, como historiador e antigo exilado, é que Portugal, país de migração secular, não é dado a revoluções. Quando nos sentimos mal, a nossa tendência é ir embora, «votar com os pés» contra o descontentamento, segundo o leque de «opções» concebido pelo economista político Albert Hirschman: «Exit, voice and loyalty» (1970). A maioria de nós mais depressa escolherá a «saída» do que fará ouvir a sua «voz»!

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