A política externa de um país não se guia por modas, hashtags, likes ou pressões populares momentâneas. Deve ser feita com base em princípios, critérios legais, responsabilidade internacional e respeito pelos direitos humanos. Reconhecer o “Estado da Palestina” nas condições atuais não cumpre nenhum destes pressupostos.

Não existe território definido. Não existe um governo legítimo e unificado. Não existe sequer um compromisso com os valores democráticos dos países que lhe estão a dar esta legitimidade. Gaza é controlada pelo Hamas, uma organização terrorista que recorre à violência como arma política. A Cisjordânia vive sob uma autoridade fraca e sem legitimidade democrática efetiva. E é neste contexto que alguns acham sensato que Portugal avance para um reconhecimento unilateral?

Não contem com a Juventude Popular.
Não porque rejeitamos a paz, mas porque não aceitamos atalhos simbólicos que apenas agravam o problema. Este gesto, longe de proteger civis ou aliviar tensões, só servirá para prolongar o conflito e comprometer qualquer solução realista e duradoura.

Hoje, milhares de homens, mulheres e crianças morrem em Gaza e em Israel. Vítimas dos ataques de ambos os lados, vítimas do falhanço político da comunidade internacional, vítimas de decisões que servem agendas ideológicas em vez de soluções concretas.

É preciso ter dois dedos de testa para se parar, estudar o caso, perceber a história, prever os problemas futuros e depois tomar decisões. Tomar por base uma medida popular apenas e somente porque é preciso agradar alguns e responder a uma comunidade preocupada, mas que não percebe as consequências desta decisão, é imprudência de um grupo de pessoas que esperávamos muito mais.

Mas a pergunta essencial é: o que fazer, então, para travar a morte de inocentes?

Como portugueses as ações são 3:

  1. Continuar e reforçar o apoio humanitário para as vítimas do conflito. Apoiar ONGs credíveis no terreno e reforçar os mecanismos da ONU pode salvar vidas já hoje.
  2. Exigir e condicionar reformas sérias para o futuro, focando na renúncia ao terrorismo, democracia das suas instituições e compromisso com a coexistência pacífica entre países.
  3. Sermos voz ativa na promoção de negociações de paz sérias, com mediação internacional. Envolver todos os atores relevantes, preenchendo um espaço que hoje é dos EUA.

O reconhecimento do Estado da Palestina, nestas condições, não é um ato de justiça, é um erro político. É uma premiação de algo que nasce de um ataque terrorista e que pode muito bem ser o incentivo para outros países como o Irão. Não é com gestos simbólicos que se salvam vidas. É com responsabilidade, exigência, diplomacia firme e ação humanitária concreta.

Desengane-se aquele que acha que na segunda-feira teremos uma Palestina com instituições democráticas, ou liberdade da população escolher o governo.

A Juventude Popular acredita na paz. Mas numa paz com responsabilidade, verdade, segurança para todos os povos, regras e com coragem para dizer o que é certo, mesmo quando não é popular.