Venezuela

A Venezuela é mais um exemplo do fracasso do socialismo /premium

Autor
3.077

Chavez mostrou como manter formalmente a democracia sem deixar o poder. Basta controlar os recursos económicos, a justiça e a comunicação social. Eis a atração da Venezuela para as esquerdas radicais.

Agora que o fracasso do socialismo Chavista é ainda mais evidente, o Bloco de Esquerda tenta fugir do que sempre defendeu, tratando Maduro como mais um ditador militar. Maduro é muito mais do que um ditador militar: é um ditador socialista. Aliás as experiências socialistas radicais acabam sempre em ditaduras, e muitas vezes militares. Foi assim na Europa de Leste, da União Soviética à Jugoslávia. É assim na Ásia, nos países com regimes Marxistas, como a China e a Coreia do Norte. E acontece o mesmo na América Latina, de Cuba à Venezuela, passando pela Bolívia.

Durante os últimos vinte anos, nenhum país foi tão fiel ao programa socialista como a Venezuela. O regime nacionalizou os sectores mais importantes da economia, controlou quase inteiramente a comunicação social, partidarizou as forças armadas e subordinou a justiça aos interesses do poder político. Acabou como acabam os regimes socialistas: empobrecimento geral, a maioria da população a viver na miséria, limites à liberdade, uso de violência contra as pessoas, presos políticos, batotas eleitorais e corrupção do regime. O cumprimento das promessas é que nunca aconteceu: enriquecimento, justiça social, liberdade política. Nada de positivo resultou da revolução Chavista.

Mas a Venezuela constitui um caso interessante para as esquerdas radicais na Europa, sobretudo em Espanha e em Portugal. Formalmente, continua a ser uma democracia, com partidos de oposição e com um parlamento a funcionar. Na Europa, as esquerdas sabem que hoje é impossível acabar com a democracia parlamentar. O preço seria a saída da União Europeia e o fim do acesso aos recursos necessários para distribuir pelas clientelas. Nos países sem petróleo, o socialismo precisa dos fundos europeus e do crédito barato do Euro. O regime de Chavez mostrou como é possível manter formalmente a democracia sem nunca abandonar o poder. Basta controlar os recursos económicos, a justiça e a comunicação social. Eis a atração da Venezuela para as esquerdas radicais na Europa.

Foi esse o sonho de Sócrates para si, para o seu partido e para Portugal. Não conseguiu porque, apesar de tudo, Portugal é diferente da Venezuela. Mas tentou e a sua proximidade ao regime Chavista (e a Chavez pessoalmente) foi muito além do que exige a defesa dos interesses nacionais. Mais do que uma proximidade ideológica, Sócrates partilhava com Chavez a visão sobre o exercício do poder, o controlo da economia e os limites à independência da justiça e da imprensa.

No momento em que a Venezuela mostra a falência do socialismo Chavista, em Portugal a geringonça exibe as tentações de natureza Venezuelana. Assistimos quase todos os dias a propostas de nacionalizações de empresas, ataques à justiça, e críticas à imprensa que discorda do governo. Com muito cinismo, o Bloco distancia-se agora de Nicolas Maduro, mas sonha com um regime Chavista em Portugal. Com a geringonça, António Costa alimentou esses sonhos. Pior, a aliança com o Bloco reforça as heranças jacobinas e as tentações Chavistas dos socialistas. Nunca nos podemos esquecer que um antigo PM socialista tratou Chavez como “um dos seus melhores amigos”. Sócrates tinha razão. Lembrem-se disso quando assistirem ao que se passa na Venezuela. O problema não é a Venezuela, é o socialismo.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
CDS-PP

O governo merece uma censura /premium

João Marques de Almeida
221

Se o Presidente, o PM e os partidos parlamentares fossem responsáveis e se preocupassem com o estado do país, as eleições legislativas seriam no mesmo dia das eleições europeias, no fim de Maio. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)