O país está farto de empobrecer, de entristecer, de desesperar; farto do pior Governo de que tem memória; de um PS incompetente, nepotista, clientelista e autocrático; da erosão da qualidade da educação pública e do ataque às alternativas; da destruição do Serviço Nacional de Saúde e das barreiras às alternativas; da falta de respostas de apoio às famílias sem nenhuma alternativa; do politicamente correcto, dos ditames prepotentes e da falta de perspectivas de mudança. Chega.

A mudança é necessária. Há, porém, quem neste desespero, nesta revolta dos silenciados, sinta o ímpeto da destruição, o apelo de derrubar o sistema e siga a voz de quem grita mais alto; contra isto, e contra tudo. Quem os censura? Não se compreendem as razões? Mas a indignação, a revolta e a “revolução” não sobrevivem ao dia seguinte sem alternativas. Não basta o diagnóstico e a vontade de cura. É absolutamente necessário o tratamento.

Porque é que ninguém as apresenta?

Porque é que ninguém apresenta uma série de medidas que libertem as famílias e as empresas da maior carga fiscal de sempre? Com redução de impostos; competitivos no quadro europeu; que obriguem à redução do Estado; que assegurem a eficácia fiscal; que aumentem a competitividade empresarial; que estimulem a eficiência da administração pública; que mitiguem assimetrias territoriais?

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Porque é que ninguém apresenta propostas que assegurem as condições necessárias para construir um projecto de vida em família? Que garanta que o Estado não é um obstáculo; que tenha em conta a dimensão das famílias; que sejam concertadas e coerentes; que alarguem e flexibilizem o gozo das licenças parentais; que assegurem que todas as crianças têm direito a educação na infância; que promovam a conciliação da vida profissional com a vida familiar; que facilitem o acesso à habitação condigna; que estimulem o envelhecimento activo?

Porque é que ninguém prepara o país para que este esteja apto a vencer num mundo global? Que abra a economia; que promova uma escola capaz de dar resposta aos desafios do futuro; que adapte a formação profissional aos desafios da economia; que alicerce no sistema científico o desenvolvimento económico; que ajude as pequenas empresas a tornarem-se médias e as médias a tornarem-se grandes; que aposte na exportação; que reduza os custos de contexto; que modernize o Ensino Superior; que ponha o Estado no seu lugar?

Porque é que a sociedade portuguesa e o Estado não são mais justos e não há ninguém que aponte o caminho? Com o Estado forte nas funções de soberania; complementar nas áreas sociais; com um sistema de saúde alargado e não ideologicamente anquilosante das respostas de que os portugueses precisam; com a Defesa dignificada e não assaltada por meliantes e governantes; com uma estratégia nacional responsável, exigente e tecnicamente capaz de combate à corrupção e à criminalidade organizada; com as forças de segurança protegidas, empoderadas e dignificadas; com uma administração pública reformada, avaliada e promotora do mérito; com uma reforma na Justiça que a assegure às pessoas e torne a economia competitiva?

Porque é que ninguém apresenta propostas para que no tempo presente se acautele o tempo futuro e a vida dos nossos filhos e netos? Entendendo a agricultura como agente activo de preservação e gestão do território; não abandonando territórios; cuidando e rentabilizando o território agro-florestal; que assegure a transição energética; que desenvolva uma Economia Azul, honrando e potenciando a dimensão da nossa plataforma atlântica?

Seria fundamental que o debate político se centrasse em soluções, na construção de um país possível, um país imensamente melhor que esta pálida imagem da nossa História em que nos tornámos. Para que serve a política se não para isso? Se ninguém o faz e se ninguém o faz à direita do PS, não é lícito pugnar por isso? Onde está, neste momento, em Portugal, a direita democrática, popular, defensora da liberdade, da prosperidade e da solidariedade? Onde está a direita capaz de marcar a sua agenda, movida pelos seus valores? Onde está a direita com gente capaz de comunicar as suas ideias e de dar corpo, em soluções governativas, a essas propostas? Não está.

Não está, mas ela existe. Tenho dito, em vários fóruns, que ela está dispersa entre o PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal. Mas falta-lhe voz e falta-lhe a liderança dos dois primeiros partidos. Precisamente os mais importantes e históricos partidos que sempre fizeram a defesa desses valores.

Todas as áreas que referi — todas, sem excepção — foram já objecto de propostas de um grupo alargado de pessoas, muitas independentes, e coordenadas por Adolfo Mesquita Nunes. Era bom que o país as pudesse conhecer e as pudesse discutir. Era bom que um Governo as pudesse pôr em prática.

Porque A Mudança Necessária faz falta a Portugal!

Post scriptum: Dizem-me, e porque falo de Adolfo Mesquita Nunes, que o CDS tem órgãos eleitos e que esta discussão não se justifica agora. A esses respondo, que é próprio de partidos democráticos a discussão interna. É próprio de partidos prudentes que essa discussão se faça mais intensamente quando a sua própria existência está em risco. É próprio de partidos com militantes inteligentes que esse risco seja percepcionado. Ora, o CDS é um partido democrático, prudente e com militantes inteligentes. Francisco Rodrigues dos Santos não logrou levar à prática aquilo a que se propôs em Aveiro há um ano. O partido não só não descola nas intenções de voto, como se afunda numa exiguidade nunca antes vista. Está, ademais, confrangedoramente sozinho. Eleito de mão dada com quem cedo o abandonou, ou que nunca verdadeiramente se chegou à frente, não tem já margem para reclamar a legitimidade dessa eleição. Onde está aquela frente eleitoral unida que, de forma activa ou passiva, o elegeu? Onde está, no seu apoio, aquela tendência liderada por Abel Matos Santos, que já se demarcou dele? Onde está aquele militante que queria lavar com lixívia o Largo do Caldas e que entretanto se desfiliou? Onde está aquele outro “líder” de um suposto movimento XXI e que cedo partiu para outro partido à direita do CDS? Onde está Manuel Monteiro, apresentado no seu regresso como o filho pródigo?

Disse aqui, neste jornal, que entre os que apoiaram Francisco Rodrigues dos Santos, para lá daquela frente mais visível que enunciei e que o abandonou, havia também “gente desiludida com os resultados eleitorais, abandonada por uma má gestão interna do partido nos últimos anos, carente de um sinal de esperança e permeável ao apelo de mudança. Gente que quer mais e que quer melhor. Entre o cansaço das derrotas eleitorais, a angústia da irrelevância política e a atração idealista pela mudança, tornou-se permeável ao populismo, à vacuidade e ao discurso de protesto.” Estes militantes merecem respeito, e ante o insucesso da estratégia vencedora em Aveiro, merecem pronunciar-se novamente.