O rocambolesco episódio de especulação imobiliária do ex-vereador Robles, de tão linear e comezinho, foi ridículo e fez-nos rir a todos.
Afinal, o moralismo bacoco e apregoadamente reformista do Bloco de Esquerda também é feito de apressados despejos, de despedimentos de pessoal e de muitos cifrões.
Mas o pior veio mesmo depois, quando a transformista direcção nacional do Bloco decidiu apoiar Robles e negar o óbvio pela voz de Catarina Martins.
Um momento Zen pessoal e politicamente repugnante.
E democraticamente perigoso.
Depois lá veio a “ordem de fuzilamento no pátio de trás” do patrão Luís Fazenda e um aturdido Robles, de calças na mão, definitivamente vencido (mas não convencido) passou num instante mediático, intenso e fugaz, de bestial a besta, e a esta hora já deve andar de fato de macaco em discussões de condomínio e limpeza de fachadas.
O Bloco, por seu turno, em modo de rampa deslizante, anda na toca a tratar as feridas da sova política e sociológica que levou, muito justamente, e por agora estamos conversados dessas pestes por bastante tempo.
Com efeito, como ensinava um Papa de Santa memória, isto não vai com pregões e discursos moralistas mas com propostas e exemplos de vida.
Porque um país não é um conceito, nem um slogan.
Não é uma cartilha, nem uma interpretação histórica feita ao contrário da realidade.
Um país é um povo.
Feito de pessoas.
Que se não merecem só estádios de futebol, metros quadrados luxuosos, carros de cilindrada, promoções a Formentera e mariscadas com socialites, também não podem estar condenados a um Estado socialista omnipresente e a sermões corredios e ocos de pregadores desonestos.
As pessoas merecem pessoas.
Que cuidem e se entreguem.
Que saibam o que é serviço e partilha.
Que proponham caminhos e que também os saibam trilhar.
O que o episódio do desastrado Robles ensina é que Portugal continua provinciano, mas está mais bacoco e pretensioso.
Fugiu e foge da sua história gloriosa a sete pés e vende a alma ao diabo todos os dias por pratos de lentilhas.
Anda a fazer experiências sociais e políticas fracturantes e desastradas, que, como se viu, dão más peças e maus frutos.
Desistiu de acreditar.
Está visto que é mais que tempo de Portugal se fazer outra vez ao mar da sua vida, que é o das pessoas e das famílias normais que o fazem na sua labuta e entrega de todos os dias.
Silenciosamente.
Confiadamente.
Partilhadamente.
Com os seus valores históricos e verdadeiros de sempre.
Que não são relativos.
O resto é conversa do Robles.

Miguel Alvim é advogado