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Os leitores perdoarão este uso algo forçado da relação entre «as palavras e as coisas», acerca da qual Michel Foucault, o filósofo entretanto esquecido, escreveu um livro muito na moda há mais de 50 anos no qual explicava as relações menos óbvias entre «as palavras e as coisas», que efectivamente o positivismo anglo-americano interpretava como tal coisa, tal palavra e vice-versa… Foucault mostrou, contudo, que tal relação era bem mais complexa do que parecia: as palavras fixavam as coisas mas, ao mesmo tempo, o seu significado evoluía em função do próprio evoluir das palavras perante os sentidos que as pessoas iam, entretanto, atribuindo a coisas cada vez mais diferentes…

Desde então, o mundo deu as voltas que se sabe. Contudo, no último quinquénio, a complexidade da relação entre as palavras e as coisas, bem como a mútua interacção entre umas e outras, voltaram ao de cima, mercê da crescente e pantanosa obscuridade do mundo das ideologias que hoje prevalecem sob formas tanto mais primitivas, quanto as culturas periféricas menos entendem os conteúdos e mutações da relação palavra-coisa-palavra-coisa nos centros internacionais da especulação ideológica!

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