Djaimilia Pereira de Almeida

Convidado

Artigos publicados

Crónica

Uma sismografia /premium

Não nos reconhecermos nos sublinhados que outrora fizemos nos livros mostra que já não somos os mesmos, ainda que respondamos pelo mesmo nome e que os livros velhos ainda sejam nossos.
Crónica

Estar vivo /premium

Uma das coisas maravilhosas dos seres humanos é a nossa tenacidade para fazer planos, nem que seja o plano de regar as plantas logo à noite, porque é Verão.
Crónica

Pensar com as mãos /premium

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A caligrafia é uma técnica humana que acompanha o pensamento. O que perdemos ao deixarmos de ser capazes de pensar com as mãos e de transmitir às mãos aquilo em que estamos a pensar?
Crónica

Longe da praia /premium

Não ser daqui não é apenas não ter aquilo a que se costuma chamar uma terra, mas passar por aqui sem um reconhecimento da natureza — paralelo do reconhecimento humano, muitas vezes também ausente.
Crónica

Sorrindo contra o vento

Os vivos são quem leva a desordem para dentro dos cemitérios, onde as coisas têm o seu lugar numerado. Se os nossos mortos não se aguentam arrumados, é apenas porque continuamos vivos.
Crónica

Na sala ao lado

Quem ficará para ouvir a melodia defunta do que acrescentámos aos nossos bairros, aos nossos quintais e à vida dos outros?
Crónica

A margem

A juventude é um muro alto. Saltado o muro, uma pessoa já não se lembra se ao saltar magoou os joelhos, nem saberia dizer se caiu mal: apenas que não consegue saltar de novo para trás.
Crónica

Direito de desaparecer

Não há quem desapareça sem se sentir também mais ou menos culpado. Seja como for, torno-me impiedosa: encolerizo-me com menos de nada se algum obstáculo me impede de estar metida na minha vida.
Crónica

O ditado

Se quisermos ser fiéis ao ritmo da fala de uma pessoa, percebemos a pontuação como um solfejo da humanidade. Fatalmente, pontuamos os outros da maneira como ressoam em nós.
Crónica

Os Belchiores

Certos lugares morrem com as pessoas que os animam. Talvez a imortalidade das pessoas adquira a forma dos espaços que, fora do coração dos outros, deixaram vagos — e que ninguém voltará a ocupar.
Crónica

Ângulos mortos

Dentro da cidade e das instituições há por vezes um talhão de terra ou uma sala que não importam a ninguém salvo a dois ou três amigos. Enquanto duram, acolhem conversas, sonhos, bebedeiras, orações.
Crónica

Família em férias

As férias passadas com os pais durante a adolescência são temporadas fundadoras. Lisboa pode bem ser, para muitos dos que nos visitam, o início ignorado da sua vida adulta.
Crónica

Arranjo a cinza e negro

A mulher dentro da mãe é a que não temos como saber merecer, perceber, ou tornar parte da nossa vida. E por vezes corre uma vida inteira sem sequer termos passado meia hora à conversa com essa mulher.
Crónica

À sombra de uma buganvília

Conhecem o bairro como nenhum de nós: sabem de cada pedra solta da calçada. O meu cão medroso toma-os por seres temíveis por se locomoverem em cadeiras de rodas.
Crónica

Apesar de nós

Como uma pessoa que se prepara para o fim do mundo, a minha paixão por artigos de papelaria encontra para cada um deles a geometria do futuro, transfigurando deliciosamente utilidade em possibilidade.
Crónica

Fóssil

Estranha coisa, a linguagem, que nos fossiliza em tenra idade: nos envelhece tão cedo. Tão frescos por fora, por dentro dinossauros.
Fotografia

Pérola sem rapariga

“Saia da frente” é uma repreensão que ganharíamos em dirigir a nós mesmos, antes de a dirigirmos aos outros. Sermos cada vez mais claros acerca dos nossos escrúpulos talvez valha uma vida.
Crónica

Um halo de migalhas

Mortos os nossos mortos, viramo-nos para as suas receitas e talentos, na esperança de uma ressurreição mimética. E cada Natal é este menu de erros, tentativas, aproximações seguidas à risca.
Crónica

Oportunidade

Pergunto-me, pensando nas mulheres negras, se posso falar nelas como parte de um mesmo conjunto. Que têm em comum as activistas do Instagram e a senhora que sofre das costas e lava janelas?
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