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O Estado português está convenientemente quase falido. Digo convenientemente porque essa quase falência permite que se governe sem grandes perspectivas. Distribuem-se funções e aumenta-se a despesa, já que perdido por cem, perdido mil. Não estivesse Portugal na União Europeia, as nossas vidas seriam caóticas e o Estado considerado falhado. Esta afirmação já é uma inconveniência e por isso não se diz. É verdade que não se esperava uma pandemia, mas também não deixa de ser irónico que esta tenha surgido durante o governo de quem gozou com o diabo. Outra inconveniência. Ainda por cima sem graça porque, apesar de tudo, é provável que quem cometeu os erros, quem governou sem ter conta o interesse público, não seja politicamente punido. Ou dito de outra forma: é certo que sejam os mesmos a pagar a conta.

E os erros foram muitos e continuados. Na semana passada referi-me à dívida que Fernando Medina deixa na Câmara Municipal de Lisboa; hoje, à dívida pública que António Costa nos legará. Esta era de 231,1 mil milhões de euros, em 2015. Quatro anos mais tarde atingia os 249,7 mil milhões. Um aumento apesar da euforia que foram aqueles anos. Afinal a economia crescia (pouco era verdade, mas crescia) e a dívida, face ao PIB, descia: de 131,2% do PIB em 2015, para 117,7% em 2019. Era esse o critério que interessava, não porque fosse o mais válido mas porque era o mais conveniente. Mesmo que inconvenientemente errado. De acordo com o FMI é expectável que a dívida, face ao PIB, suba para 137,2%. Espera-se que fique acima dos 268 mil milhões de euros. Pelo menos é o que, em Setembro, o governo esperava que acontecesse no final do ano. A verdade (sempre inconveniente) é que em Agosto já era de 267 mil milhões. Prisioneiro dos seus preconceitos o governo limitou-se, desde 2015, a gerir interesses, cortou na saúde para não o fazer na máquina do estado, não reduziu despesa estrutural, condicionou ainda mais a actividade económica e meteu os portugueses em aventuras como as da TAP.

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