Vivemos tempos difíceis em Portugal. A saúde é dos setores mais difíceis e, ao mesmo tempo, sensíveis. O maior problema da saúde centra-se na iniquidade no acesso aos cuidados de saúde. Há desigualdade no acesso. Até poderia dissertar sobre as teorias do Sir. Michael Marmot, mas dedico este artigo à dura realidade que vivemos.

Os escândalos atropelam-se, mas isso não significa que os cuidados sejam mal feitos. Pelo contrário. Portugal tem os especialistas de medicina mais reconhecidos pelo mundo. A desigualdade é uma palavra que se compreende melhor A iniquidade é de mais difícil entendimento, já que não há investimentos em literacia em saúde. Existem umas “pseudo” sociedades de literacia que visam faturar para benefício próprio e menos pelo aumento do conhecimento das pessoas, auspiciando as escolhas mais acertadas na saúde (e na doença). Aliás quem lá está a presidir nada faz sem que seja remunerada. Tudo certo. É o país que temos e estas mentes (pouco) “brilhantes” que entorpecem o funcionamento das nossas instituições de saúde.

E porque é que a desigualdade no acesso à saúde é muito maior na área metropolitana de Lisboa?

Portugal recebeu, de forma descontrolada e sem qualquer processo de aculturação e integração ou de aprendizagem da língua portuguesa, cerca de 1,5 milhões de pessoas estrangeiras. Desse milhão e meio, além dos portugueses e estrangeiros por cá residentes, um milhão estacionou por Lisboa, os restantes 500 mil espalharam-se pela imensidão exígua do território nacional. O problema é que Lisboa não é o Porto. No Porto há menos alternativas de instituições privadas de saúde, levando a uma maior concentração de profissionais de saúde nos hospitais públicos. E isso resulta numa maior e melhor resposta à procura destes serviços, públicos. Em Lisboa, todos sabem que, além de maior concentração de população nacional e estrangeira, há mais unidades privadas de saúde. E, se os médicos, neste caso, não encontram a remuneração justa e adequada à formação que receberam e que, obrigatoriamente os acompanha ao longo de toda a sua vida, vão à procura de alternativas de emprego e qualidade de vida – têm ou pretendem constituir família – e isso é obviamente no setor privado. Além disso, em Lisboa concentra maior riqueza, com as Embaixadas, sedes de empresas internacionais, expatriados, multinacionais, etc. e a classe média alta também se concentra nesta cidade capital

Equilíbrio do sistema de saúde: Que solução desenvolver e obter?

Estão mais que assumidos os problemas e um real bloqueio no acesso. Não há médicos disponíveis e eles estão contrários às políticas e as políticas não negoceiam com eles. No fundo, existem mais e mais problemas no acesso geral aos cuidados de saúde ou tratamento de doença. As pessoas não procuram SAÚDE, as pessoas procuram consertar a DOENÇA e recuperar a saúde. Não existe outra alternativa sem diagnóstico, tratamento e terapêutica. Isto é o que determina a melhor evidência científica disponível.

Todavia, para que isso aconteça, é preciso que haja disponível – pelo menos – 3 classes de profissionais de saúde juntos: enfermeiros, para triagem, médicos para diagnosticar e, depois de exames realizados pelos técnicos, tratarem os doentes.

Já é tempo de acordarmos para as novas realidades que a inteligência artificial nos oferece, e acompanhar as tecnologias da saúde ao serviço da medicina e das pessoas. Associar a telemedicina à inteligência artificial, recorrer ao apoio de enfermeiros especialistas em medicina geral e familiar pode ajudar, em muito, a resolver, no imediato, o terror e a necessidade que se vive nos centros de saúde USF com senhas disponibilizadas pelos ditadores seguranças que quase se tornaram as figuras centrais das unidades de saúde. Ocorre perguntar: podemos encomendar doença e saúde e as respetivas datas? Não me parece.

E que futuro se espera na saúde? António José Seguro escolheu este tema central, polémico e determinante para a viragem. Como? Recurso ao equilíbrio e negociação.

António José Seguro, Tó Zé, nasceu numa terra de interior de penhas, altas e graníticas. Zona fria no inverno e quentíssima na estação de Verão. A mesma terra onde nasceu o meu pai, e terra que conheço e onde tenha casa. Ali nada se passa. Quase parece o leve-leve da terra onde nasci, São Tomé, onde nem sequer existe saúde, apesar dos médicos voluntários que lá se deslocam através da ONG mais rica de Portugal. Aliás, foi graças a uma certa mediação que consegui que eles levassem a telemedicina para lá, ligando ao CHUC e ao hospital onde trabalha, na Amadora, o líder daquela ONG.

Tó Zé, é um homem sereno, observador, não gosta de trabalhar com barulho. É um ouvinte bom. Só negoceia (bem) quem tem a capacidade de ouvir (mais ainda).

E é esse equilíbrio, entre viver na província e estar casado com uma profissional de saúde, que se relaciona diariamente com a comunidade que o trouxe até nós.

O que Costa lhe fez, o mundo não esquece. Os aldrabões e alpinistas que tanto o atacaram (no PS e fora dele) correm atrás dele com abraços calorosos e traiçoeiros. Mas a sua serenidade atenta e as pessoas que o rodeiam ajudam-no a nunca esquecer, para seguir em frente.

E em frente está o Equilíbrio que os portugueses e estrangeiros que por cá andam, e devem cumprir regras de higiene e de saúde pública e respeitar e cumprir as leis da Respublica, a coisa de todos nós.

 

Esperamos deste Tó Zé, o Professor António Seguro (a sério), o poder de juntar os vários partidos políticos, as academias de ciências sociais, de saúde e medicina, os players com o governo e desenvolver a implementar um pacto para a saúde.

Nenhum governo, seja ele de que partido for, fará o que quer que seja sem haver entendimentos mínimos. Além disso, podem desenhar-se diplomas, publicar-se diários da República com leis e decretos-lei, mas sem mobilizar – palavra-chave – os médicos que devem ser ouvidos, os enfermeiros, os técnicos, os farmacêuticos, ouvir o que pensam e como pensam aplicar ao serviço das pessoas, eles unir-se-ão contra todos e qualquer governo.

As pessoas, não podem continuar sem ter acesso aos meios de saúde, aos tratamentos, a autorizações especiais para doenças terminais.

Juntar todos, ouvir todos, e decidir para todos e com todos. É isso que espero, esperamos, deste novo futuro de todos os portugueses: equilíbrio. Virados para o Atlântico, numa era de ameaças territoriais por parte de superpotências, produzir pela excelência e equilíbrio, na nossa “pequenez” territorial, poderá fazer de nós um País, equilibrado, de pretos, brancos amarelos, castanhos.

Na “arte da guerra”, Sun Tzu, recorda-nos que nos “…devemos concentrar nossos pontos fortes, reconhecer as fraquezas, agarrar as oportunidades e proteger-nos contra as ameaças”. Uma coisa é certa, um traidor é sempre um traidor. E isso nunca se esquece. E mesmo tendo sido traído, foi sereno e paciente. Seguiu em frente. Eis o grande guerreiro, o que é pacífico. E, hoje a uns dias de ser eleito, apela-se ao Senhor que se segue em Belém Equilíbrio para o sistema de saúde. Este ponto de partida dignificará o cargo e – contra tudo e contra todas (as traições) de que foi alvo direto, trazer de novo a todos o consenso e o bom senso. Ricos e menos ricos, pobres e pessoas sem-abrigo, todos temos direito ao acesso igual e indiferenciado (universal) artigo 64 da CRP, aos cuidados de saúde. Afinal o que nos separa deste grupo de pessoas, são uns meses de rendas em atraso ou o desemprego.