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Rui Rio acordou e decidiu fazer oposição. Em vez de escolher o Partido Socialista decidiu escolher a Iniciativa Liberal, criticando o arraial organizado pelo partido. Ora, enquanto Rui Rio e o candidato do PSD a Lisboa, Carlos Moedas, criticaram o evento, Pedro Simas, o virologista escolhido pelo PSD em Lisboa para elaborar o plano relativo a futuras pandemias, disse que com o nível de vacinação atual “o risco de morrer com Covid é praticamente nulo. O risco da pandemia desapareceu”.

O virologista acrescentou ainda, que, relativamente às várias variantes, o vírus se tornou endémico e por isso viveremos com ele como vivemos com os outros todos até agora. Não há vida sem risco e não podemos estar eternamente fechados em casa e impossibilitados de viver. Por fim, tal como a Iniciativa Liberal tem dito, Pedro Simas referiu que a sociedade não pode estar refém de uma matriz desatualizada, feita para gerir a pressão hospitalar que neste momento não existe, nem pode ficar refém do medo.

É assim de estranhar que as principais figuras atuais do PSD ignorem o que o virologista por eles escolhido aconselha. Das duas uma, ou a escolha de Simas foi uma mera manobra de propaganda de campanha e não ligam ao que diz, ou então ligam, mas ignoram, preferindo o oportunismo político de criticar a Iniciativa Liberal. Convém notar que este é o mesmo PSD em Lisboa que se tentou colar à vitória de Ayuso em Madrid, não sabendo, ou fingindo não saber, que a campanha da mesma foi muito mais parecida com o discurso que a Iniciativa Liberal tem assumido relativamente ao desconfinamento e à gestão da pandemia.

Já o PS e a esquerda, e boa parte da imprensa e comentadores que os protegem, preferiram ficar chocados com um jogo de flechas de plástico que havia numa das barraquinhas do Arraial com as caras de alguns políticos. Não sendo a brincadeira muito do meu agrado, que moralidade têm certas pessoas que eu vi a criticar o jogo para falar, quando a própria JS-PS já fez o mesmo, quando o BE já cantou pela morte de políticos, quando o PCP celebra assassinos ou recusa reconhecer assassinatos em massa e quando todos há uns anos se calaram quando Passos Coelho foi recebido com um coelho morto? Nenhuma. Houve ainda uma jornalista que, quase em debate com Cotrim Figueiredo, disse que no Arraial se viram pessoas a beber e comer sem máscara. Sim, disse isto. Alegadamente é este o nível de paranoia ou então de perseguição à IL.

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Depois, ainda houve quem quisesse comparar o Arraial com o Avante. O Arraial Liberal organizou-se à entrada do Verão, com milhões de pessoas vacinadas e foi um evento aberto ao público e não privado. Ao contrário do Avante, não havia bilhetes no Arraial. A IL usou o direito político para fazer um evento para a cidade, como a Câmara do Porto fará para celebrar o São João, enquanto Medina não teve coragem nem capacidade para o fazer.

O Arraial, onde a IL não ganhou dinheiro, contou com muita gente que não apoia sequer a IL e esse era mesmo o objetivo: realizar um arraial aberto à cidade. O evento ocorreu com muita diversão e sem confusão, tendo a Polícia feito um balanço positivo da noite de Santo António. Este episódio serviu para deixar claro quem na política está do lado de procurar soluções e quem é incapaz de o fazer.

Toda esta “polémica” criada por alguns opinadores que comentaram pareceres e documentos que nem leram só serve para desviar atenções da polémica real. A Câmara de Lisboa colocou vidas em causa ao denunciar ativistas russos ao governo de Putin. Um deles,  Pavel Elizarov, que já esteve preso por motivos políticos na Bielorrússia (cujo governo é apoiado pelo PCP) e na Rússia, discursou no Arraial Liberal, falou de Liberdade e atacou fortemente Fernando Medina por não assumir responsabilidades. Tendo em conta a relevância do tema, esperava-se que o discurso passasse bastante na imprensa. O que passou? Praticamente nada. Não convinha.

Por fim, notar que o PSD que apoiou o Presidente Marcelo parece também não ter ouvido o Presidente quando o mesmo, na manhã seguinte ao dia do Arraial Liberal, referiu que com ele não vai haver volta atrás no desconfinamento.

O Presidente, ao contrário das bolhas de intelectuais do Twitter, sabe que há uma população no mundo real que precisa e quer viver. Uma população que vê jogos da Champions no Porto com público e que vê jogos do Euro em vários países com público (o primeiro jogo de Portugal terá 67 mil adeptos), mas que aqui nem aos treinos e jogos dos filhos pode assistir. Uma população que vê miradouros cheios de turistas em Lisboa e festas de jovens em Cascais, mas que depois não pode organizar arraiais ou ir ao cinema depois do jantar.

A liberdade deve ser para todos. A responsabilidade deve ser de todos. Com quase sete milhões de vacinas dadas e com os grupos de risco vacinados está na hora de desconfinar, está na hora de voltar a viver. Está na hora de libertar Portugal.