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2021 é o ano que marca a transposição da diretiva europeia das renováveis. Quais as principais alterações a introduzir no atual mercado ibérico grossista de eletricidade para dar resposta às exigências europeias? Qual o papel a desempenhar pelos produtores independentes de eletricidade? O que podem estes oferecer ao mercado?

Estas foram algumas das questões lançadas durante a mesa redonda sobre os mercados de eletricidade no âmbito de um evento que a APREN dinamizou em janeiro, “Wind Energy and Biodiversity Summit (WIBIS) – Redesigning wind energy for the next era”.

Nesta “viagem a caminho do mundo renovável”, como descreveu o diretor de Relações Institucionais e Marketing do OMI, Rafael Gómez-Elvira, há vantagens para todos, dos consumidores aos produtores.

A nova diretiva facilita a participação de todos os consumidores no mercado, prevê o direito de vender eletricidade produzida a partir de instalações de autoconsumo e introduz novas figuras, como o agregador ou as comunidades de energia.

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O mercado spot sofrerá uma pequena revolução com o mercado a funcionar quase em tempo real, ajustando-se a cada 15 minutos. Esta dinâmica permitirá a integração de mais capacidade comercial.

A liquidez do mercado passa a estar muito próxima do momento de entrega da eletricidade, possibilitando que a produção descentralizada variável, como a solar ou a eólica, possa ir mais vezes a jogo fazendo a correção da sua previsão e minimizando desvios.

A nova diretiva reduz também a potência mínima requerida para participar no mercado grossista, que passa de 1MW a poder ser de 500KW.

Um dos grandes desafios que se coloca neste caminho é o forte investimento necessário, sobretudo na rede de distribuição. Neste campo, ganham revelo os leilões que o Governo tem dinamizado, como sublinhou Ricardo Loureiro, adjunto do Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Energia.

O Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, aproveitou para revelar, durante o evento, que a ideia é abrir o mercado de serviços de sistema ao maior número de agentes e tecnologias.

Em nome da segurança de abastecimento, o Diretor de Gestão de Sistemas da REN, António Albino Marques, perspetiva a permanência do gás natural no sistema, por mais alguns anos. As centrais de ciclo combinado serão o suporte da crescente descarbonização da geração de eletricidade, como aludiu no mesmo sentido o CEO da NEWES, Jorge Vasconcelos.

Há um conceito que é consensual neste debate: flexibilidade. Flexibilidade terá um valor económico e será oferecida ao mercado por um número crescente de agentes, quer do lado do consumo quer do lado da produção, e será a palavra de ordem para construir um mercado com cada vez maior incorporação de renováveis.