E chegou a WebSummit! Um evento que é já uma tradição, e que está na origem de outra tradição: a de eu fazer pouco da WebSummit. Ora, este ano, para fazer pouco da WebSummit, escolhi — à falta, imperdoável, de uma daquelas electrizantes palestras do mais rasteirinho dos mais altos magistrados da nação, Marcelo Rebelo de Sousa — a Amália.
Qual Amália? Como assim, qual Amália? Então, a Amália, o sistema de Inteligência Artificial, tipo ChatGPT, criado de raiz em Português e anunciado na WebSummit do ano passado pelo primeiro-ministro. Mas, afinal, já há Amália? E onde é que anda a Amália? Desconfio que vai ser mais difícil encontrar a Amália do que encontrar o Wally. E a Maddie. Vai ser mais difícil do que encontrar os dois, no mesmo dia. Calhando, ainda vemos o julgamento do Sócrates antes de pormos os olhos na Amália.
Quer dizer, isso talvez não. Porque, antes, a IA toma conta do planeta e pulveriza a humanidade. Menos os envolvidos no processo de José Sócrates, que a IA não vai destruir a Terra sem saber o desfecho deste caso. Não destrói a Terra, pelo menos até perceber que, depois destes anos todos, o Sócrates não vai sequer a julgamento. Ui, aí a IA, que até começava a afeiçoar-se ao potencial ridículo-humorístico da humanidade, is gonna go medieval on us.
Por falar em medieval, sabem o que está de volta? O comunismo. Sim, sim, o comunismo está de volta e desta vez — uma estreia — em Nova Iorque, a cidade que nunca dorme. Ou melhor, a cidade onde não mais será possível dormir, logo que o novo presidente da câmara, Zohran Mamdani, puser a tocar, por aquela Broadway fora, o chamamento para as preces islâmicas 129 vezes ao dia, ou lá quantas vezes são, que não sei, mas sei que são muitas.
É verdade: deixaram o comunismo bichar a Grande Maçã. Ou seja, resta ir buscar as pipocas (doces E salgadas, é a escolha acertada) e ver a reposição daquela película clássica, que começa com as promessas de creches gratuitas, autocarros de borla e supermercados públicos, tem o volte-face logo ali após as eleições, com o vencedor a cobrar 13 dólares por uma Bud Light na sua festa de consagração (para estupefação dos estupidificados fãs) e atinge o clímax dramático com a malta, já cheia de fominha, na fila para o pão. E é aí que entra a grande mais-valia de Mamdani, que é ser, não apenas comunista, mas também islâmico: a burca é o dress code perfeito para disfarçar sub-nutrição.
Talvez os EUA queiram aprender com a China uma ou duas coisas sobre burcas, já que agora, pelos vistos, têm um regime, como o chinês, de um país, dois sistemas. De um lado os Elon Musks, a olharem para o futuro da humanidade, para a liberdade e para a prosperidade; do outro lado os Zohran Mamdanis, a olharem para a Rússia de 1917, para a lei da Sharia e para a cidade de Nova Iorque com tudo para ser um novo melting pot: com um centro financeiro derretido e um ubíquo tresandar a marijuana pelas ruas.
Esta queda antecipada de Nova Iorque, às mãos do promotor de uma ideologia com um histórico fortíssimo de desabamentos naquela cidade, traz muito excitados os adeptos da progressão do lenino-islamismo, entre eles José Luís Carneiro, Alexandra Leitão, ou Catarina Martins. Tudo gente que finge acreditar (ou acredita mesmo) que a economia não prospera por haver excesso de concorrência, e não porque o Estado a asfixia com burocracia e impostos; que o poder de compra não aumenta porque o capital oprime o trabalho, e não porque o Estado gera inflação imprimindo dinheiro sem fim; que não há casas porque o mercado imobiliário é extremamente activo, e não porque o Estado regulamenta a construção até à sua inexistência. Ou seja, gente que, ou ainda não percebeu que vê capitalismo onde só há, na verdade, socialismo, e exige ainda mais socialismo para resolver os problemas que o socialismo criou, ou, em alternativa, já percebeu isto tudo e só nós é que ainda não percebemos como nos livrarmos destes políticos.
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