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Ao contrário de muitos outros, não conhecia Vasco Pulido Valente. Nem sequer alguma vez o vi. Fui simplesmente um leitor do Pulido Valente. No Independente, lia, religiosamente, as suas crónicas todas as semanas. Desde aí continuei sempre a ler o Vasco: no Público, no Diário de Notícias, na Atlântico, de novo no Público, no Observador e de novo no Público. Com a idade, as mudanças profissionais, de interesses e de vida, vamos deixando de ler muitos a quem no passado fomos fieis. O Pulido Valente foi o único cronista a quem fui sempre fiel. Era incapaz de não ler um artigo seu, e fazia-o sempre com atenção, interesse e até ao fim. Quando ele deixou de escrever no Público já há umas semanas, desconfiei que se passava alguma coisa. Continuava sempre com esperança que um sábado o seu Diário voltaria. Nunca mais voltou. O Público de sábado nunca mais será o mesmo.

Muitos sublinharam a “inteligência” do Pulido Valente, o seu “génio” e o seu “brilhantismo.” Era obviamente tudo isso, mas para mim tudo isso era secundário. A maior virtude de Pulido Valente era o seu amor pela liberdade. Vasco Pulido Valente era o homem mais livre que existia em Portugal. Escrevia e dizia sempre o que pensava, e sempre sem qualquer medo e sem calculismos. Nada nem ninguém o condicionava. Não percebi isso desde o início, mas quando entendi a minha admiração por ele aumentou e muito. Deixei de apenas apreciar o seu talento, e passei a admirar a sua atitude de intelectual livre e sem compromissos.

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