Governo

O plano macroeconómico do PS e a realidade

Autor
1.522

António Costa está a cumprir perante as suas clientelas políticas mais poderosas e os partidos de extrema-esquerda mas, para o fazer, está a falhar os objectivos que o próprio PS delineara para o país

Mário Centeno, Elisa Ferreira, Fernando Rocha Andrade, Francisca Guedes de Oliveira, João Galamba, João Leão, João Nuno Mendes, José Vieira da Silva, Manuel Caldeira Cabral, Paulo Trigo Pereira, Sérgio Ávila e Vítor Escária: eis a lista dos responsáveis pelo plano macroeconómico que o PS apresentou antes das últimas eleições legislativas, visando credibilizar-se junto dos eleitores. Pouco mais de um ano depois, como oportunamente relembrou Carlos Guimarães Pinto, este é um bom momento para o confrontar com a realidade.

Estou neste caso particularmente à vontade porque defendi aqui há um ano atrás que, nas devidas proporções do contexto académico e científico português, Mário Centeno e Manuel Caldeira Cabral não podem deixar de ser classificados como “economistas de créditos firmados”. Ora, uma vez que à semelhança dos restantes autores do plano macroeconómico apresentado pelo PS, emprestaram a sua credibilidade ao cenário traçado, é de elementar justiça fazer agora um balanço da sua implementação e do cumprimento dos objectivos e previsões aí delineados.

Em termos de crescimento do PIB, os economistas recrutados pelo PS previam, para um cenário de governação do PS, um crescimento de 2,4%. Caso PSD e CDS se mantivessem no poder, os economistas do PS anteviam um resultado menos animador, com o PIB a crescer apenas 1,7%.

Tendo-se concretizado o cenário de governação do PS, qual é a realidade do crescimento económico até ao final do 1º semestre? Nem os 2,4% prometidos, nem sequer os 1,7% do cenário de continuidade da governação PSD/CDS mas uns bem mais modestos 0,8%.

Relativamente à dívida pública, no cenário de governação do PS, os economistas recrutados pelo partido previam uma redução de 1,4 pp. Para o cenário de continuidade da governação PSD/CDS, a previsão era ligeiramente menos optimista: uma redução de 1,2 pp.

A realidade com o PS no poder? Muito pior do que o previsto em qualquer dos cenários anteriores: um aumento da dívida pública em 2,7 pp.

Se acreditarmos nos economistas que o PS recrutou para elaborar o plano macroeconómico que o partido apresentou aos portugueses, o único balanço possível no final do 1º semestre de 2016 é que a governação do PS está a ter um efeito económico devastador face ao que teria sido a continuidade da governação PSD/CDS.

Tudo isto ao mesmo tempo que a situação do sistema bancário nacional se deteriora a olhos vistos com a deplorável e irresponsável gestão política dos casos do Novo Banco e da Caixa Geral de Depósitos e quando só a acumulação de dívida pública no BCE – assente, convém não esquecer, no frágil rating concedido pela agência de notação DBRS – vai evitando o colapso.

O governo liderado por António Costa está a cumprir perante as suas clientelas políticas mais poderosas e perante os partidos de extrema-esquerda que sustentam a “geringonça” mas, para o fazer, está a falhar drasticamente os objectivos que o próprio PS havia delineado para o país há pouco mais de um ano atrás e que hoje parecem estranhamente ter caído no esquecimento. Como bem apontou Rui Ramos: “O governo de António Costa não tem tempo para essas questões. O seu único objectivo é manter a base de poder dos partidos que o apoiam, defendendo o Estado e as suas clientelas à custa do resto da população. Ninguém sabe quando isto vai acabar, mas já pouca gente acredita que acabe bem.”

Independentemente do final que o filme que estamos a viver venha a ter, há no entanto uma coisa que é certa: o plano macroeconómico do PS chocou de frente com a realidade.

Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Liberalismo

Anthony de Jasay (1925-2019)

André Azevedo Alves

Com uma personalidade de trato nem sempre fácil e ideias heterodoxas e politicamente incorrectas, Jasay fez o seu percurso maioritariamente à margem do sistema académico vigente. 

Ensino Superior

A fraude da eliminação das propinas

André Azevedo Alves
893

Aos 18 anos os jovens poderiam votar, mas estariam ao mesmo tempo sujeitos à frequência compulsiva de um “ciclo geral universitário” para receberem a adequada doutrinação socialista.

Governo

10 medidas de reforma do recrutamento governativo

Fernando Teigão dos Santos

Modernizar o funcionamento governativo passa por reduzir a tamanho dos gabinetes, reformar as suas funções, ter menos parentes, mais quadros competentes e fechar as “portas giratórias” dos ministérios

Maioria de Esquerda

Um país de pantanas /premium

Alexandre Homem Cristo
1.807

Greves, negociações hipócritas e atropelos constitucionais. Eis o fim de ciclo da geringonça – no governo, no parlamento e na presidência. Quem vive de ilusões também morre pelas expectativas que gera

Administração Pública

A (Des)orientação ao Cidadão

Carlos Hernandez Jerónimo

Não basta produzir plataformas e sistemas mesmo que em co-criação com o cidadão, que apenas ligam dois pontos em linha reta e que ao mínimo desvio empurram o cidadão para o balcão e a fila de espera. 

Paris

A morte das catedrais

António Pedro Barreiro

A separação forçada entre a beleza e a Fé é lesiva para ambas as partes. O incêndio em Notre-Dame recorda-nos isso. Recorda-nos que as catedrais não são montes de pedras.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)