Tive a sorte de trabalhar na administração pública, na presidência da república e no governo. Sei o que se exige a um Presidente da República. O meu candidato teria sido Pedro Passos Coelho. Só que em política os condicionais não são factos. São desejos que nem sempre se consumam e condições que muitas vezes não existem. Logo, Pedro Passos Coelho não foi concorrente e o assunto de uma eventual candidatura estava e está encerrado. Resta escolher entre António José Seguro, o mais votado na 1ª volta, e André Ventura, o segundo mais votado. Nem me interessa perder aqui tempo a analisar porque são estes e não outros. Agora o assunto é outro. Em quem votar no dia 8 de fevereiro?

A eleição que se segue, a escolha final, não será um confronto ideológico entre socialismo e fascismo. Linguagem de outros tempos que nada diz sobre o que se passará na segunda volta das eleições presidenciais. Nem será a esquerda contra a direita. Será uma eleição para decidir, entre dois candidatos, quem será mais competente para exercer as funções de Presidente da República e, entre outras coisas, representar Portugal e manter o sistema político estável e a funcionar dentro dos termos das leis. O que não quer dizer que seja a democracia contra a ditadura. É muito mais simples. No próximo dia 8 de fevereiro, entre duas personalidades muito diferentes, há que escolher entre quem tem ou não tem as qualidades que se desejam para o Presidente.

Conheço António José Seguro há muitos anos. Foi o primeiro e verdadeiramente o único a exibir a saúde pública como uma bandeira de campanha. Trabalho no SNS há mais de 40 anos, sei o que lhe falta. Atenção e vontade de mudança que só se poderá materializar através de acordos duradoiros entre as forças políticas interessadas na garantia sustentável do direito à proteção da saúde através de um sistema que assegure acesso universal, adequadamente geral e gratuito no ponto de contacto. Seguro percebeu tudo isto. Por isso, pretende promover e apadrinhar consensos entre as forças políticas com capacidade para governar o País.

É o único candidato em posição de manter a estabilidade política necessária para que possam acontecer evoluções políticas positivas. Será o melhor candidato para o PSD, por mais estranho que possa parecer aos menos atentos. E para todos os outros partidos também. Até para o Chega que não viverá órfão do chefe. Não é um aventureiro. Não tem os “esqueletos” que assombraram outras candidaturas. É educado, cordato, pensa nas consequências do que diz, aparenta equilíbrio emocional, aceita discutir e não se assusta com quem dele discorda. Tem opiniões que não esconde apesar de nos terem querido fazer acreditar no contrário. Não é impulsivo o que não se deve confundir com indeciso. É um democrata com agenda social ao mesmo tempo que não é um “esquerdista” do século passado.

Em face de André Ventura, qualquer Conservador, Cristão-Democrata, Liberal, Centrista, Social-Democrata ou, simplesmente, qualquer pessoa preocupada com Portugal e o Mundo de hoje e amanhã deverá votar em António José Seguro para Presidente. No fundo, para todos os que rejeitaram André Ventura no passado dia 18, o voto em Seguro é a garantia de que o próximo Presidente não será quem queriam que não fosse eleito. Não há espaço para a indiferença numa eleição tão importante.