Tem-se dado muito trabalho à Entidade para a Transparência. Para além de estar num aceso debate sobre ter ou não dado validação ao ex-Secretário de Estado Hernâni Dias para a criação das suas empresas, terá agora de se pronunciar sobre se a roupa de Bianca Censori nos Grammys era suficientemente transparente ou não.
Suspeito de um parecer favorável, e, quem sabe, até se dê a contratação dos serviços de Kanye West para este organismo. Consta que o casal terá sido expulso da gala, e a vestimenta de Censori censorada, mas tudo terá uma justificação cabalista. O rumor é de que, no aeroporto, a mala de roupa da modelo tenha sido furtada por um deputado português, não tendo outra alternativa que não a de ir pelada.
Teremos de esperar pela investigação policial para perceber se havia roupa de marcas milionárias estacionada dentro de algum gabinete na Assembleia da República, a juntar à roupa de criança que foi encontrada numa das malas. Em sua defesa, alegadamente, Miguel Arruda terá justificado a posse dessa roupa como sendo para oferecer às recém-mães recém-despedidas do Bloco de Esquerda.
Quem tenha acompanhado as últimas intervenções do deputado não inscrito no Parlamento, poderá reflectir que, em vez de num partido, deveria passar a estar inscrito numa instituição de saúde mental, um pouco como Ascenso Simões indicou para Ana Gomes. Provavelmente alguém já sugeriu que Miguel Arruda fosse visto por uma junta médica, mas com o explodir da Operação Tutti-Frutti, ainda calhavam médicos engendrados entre PS e PSD.
Uma das estrelas deste caso é o primo afastado de Isaac Newton, Luís. A morte do cientista é associada a cálculos renais. A morte política do Presidente da Junta de Freguesia da Estrela será atribuída a cálculos políticos. Para ilustrar o caso das escolhas concertadas de candidatos a autárquicos, imaginemos que os eleitores lisboetas estão num restaurante e pedem um Ice Tea, ao que o garçon responde “Só temos Frutea, pode ser?”. E os eleitores matam a sede, mas não bem com o que pretendiam. Esta sim, a Lei da Gravidade política. Principalmente se o sumo que o restaurante tiver para oferecer for de Tutti-Frutti, ou, pior, da maçã que caiu na cabeça de Isaac.
Não relacionado com este caso, mas também sobre um ex-Presidente de Junta, o liberal Tiago Mayan Gonçalves foi expulso do partido por falsificar autógrafos, chegando o seu calendário Maia à profecia do fim da sua carreira política. Na iminência das eleições autárquicas, o conselho é simples. Se não tivermos cuidado com as nossas freguesias, ainda acabaremos governados para sempre por juntas de Boys.