Crónica

Parem de falar sobre o Sporting /premium

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Nunca vi no Brasil, o famoso país do futebol, uma questão relativa ao esporte que tomasse tamanhas proporções como a do caso de Bruno de Carvalho no Sporting.

Ao contrário do que pode parecer, sou uma mulher que gosta muito de futebol. Trabalhei como advogada na área do direito desportivo, frequento o estádio, acompanho campeonatos europeus e latino-americanos, assisto jogos do campeonato brasileiro de madrugada, por conta do fuso horário. Longe de mim ter um discurso anti-futebol.

Mas confesso que estou mesmo assustada com as proporções que a situação do Sporting tomaram nas últimas semanas, ocupando uma parcela brutal dos telejornais, jornais impressos e online, redes sociais, mesas de bar, jantares e conversas no sofás de sala.

Conheço bem, por já ter trabalhado nos bastidores do futebol, a complexidade que impera nas políticas internas dos clubes. As trocas de favores, as promíscuas relações com os políticos, os interesses escusos e tantas outras coisas que não deveriam ter nada a ver com o esporte, mas que têm muito a ver com o poder e o dinheiro que rondam o futebol. Sei que é um cenário difícil.

Mas não é possível que a situação político-administrativa de um clube de futebol ganhe tantos holofotes a mais do que os debates acerca da legalização da eutanásia, do que a estreia de “O Labirinto da Saudade” nos cinemas, do que a feira do livro de Lisboa, do que a chegada da época dos incêndios e do que toda política internacional.

Bruno de Carvalho passou a protagonizar todo o horário nobre, como se esse fosse o assunto que mais preocupa todos os portugueses e que merece horas e horas de atenção de torcedores do Sporting, do Benfica, do Porto, do Belenenses, do Marítimo ou do Gil Vicente, bem como daqueles que simplesmente não ligam para futebol.

Nunca vi no Brasil, o famoso país do futebol, uma questão relativa ao esporte que tomasse tamanhas proporções. Nem nos tempos de Mustafá no Palmeiras, de Dualib no Corinthians, de Juvenal Juvêncio no São Paulo ou de Eurico Miranda no Vasco. Sim, tivemos escândalos. Tivemos pancadaria. Tivemos patrocinadores em polvorosa. Mas nunca reduzimos nosso debate a isso.

O mais impressionante é que Portugal é um país culto- muito mais culto do que o Brasil. E a política do pão e circo, em tese, funciona bem melhor lá do que aqui. Mas, nas últimas semanas, chega a parecer o contrário. É preciso falar menos do Sporting.  Até porque, se os incêndios recomeçarem, não será Bruno de Carvalho quem apagará o fogo.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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