Crónica

Parem de falar sobre o Sporting /premium

Autor
1.821

Nunca vi no Brasil, o famoso país do futebol, uma questão relativa ao esporte que tomasse tamanhas proporções como a do caso de Bruno de Carvalho no Sporting.

Ao contrário do que pode parecer, sou uma mulher que gosta muito de futebol. Trabalhei como advogada na área do direito desportivo, frequento o estádio, acompanho campeonatos europeus e latino-americanos, assisto jogos do campeonato brasileiro de madrugada, por conta do fuso horário. Longe de mim ter um discurso anti-futebol.

Mas confesso que estou mesmo assustada com as proporções que a situação do Sporting tomaram nas últimas semanas, ocupando uma parcela brutal dos telejornais, jornais impressos e online, redes sociais, mesas de bar, jantares e conversas no sofás de sala.

Conheço bem, por já ter trabalhado nos bastidores do futebol, a complexidade que impera nas políticas internas dos clubes. As trocas de favores, as promíscuas relações com os políticos, os interesses escusos e tantas outras coisas que não deveriam ter nada a ver com o esporte, mas que têm muito a ver com o poder e o dinheiro que rondam o futebol. Sei que é um cenário difícil.

Mas não é possível que a situação político-administrativa de um clube de futebol ganhe tantos holofotes a mais do que os debates acerca da legalização da eutanásia, do que a estreia de “O Labirinto da Saudade” nos cinemas, do que a feira do livro de Lisboa, do que a chegada da época dos incêndios e do que toda política internacional.

Bruno de Carvalho passou a protagonizar todo o horário nobre, como se esse fosse o assunto que mais preocupa todos os portugueses e que merece horas e horas de atenção de torcedores do Sporting, do Benfica, do Porto, do Belenenses, do Marítimo ou do Gil Vicente, bem como daqueles que simplesmente não ligam para futebol.

Nunca vi no Brasil, o famoso país do futebol, uma questão relativa ao esporte que tomasse tamanhas proporções. Nem nos tempos de Mustafá no Palmeiras, de Dualib no Corinthians, de Juvenal Juvêncio no São Paulo ou de Eurico Miranda no Vasco. Sim, tivemos escândalos. Tivemos pancadaria. Tivemos patrocinadores em polvorosa. Mas nunca reduzimos nosso debate a isso.

O mais impressionante é que Portugal é um país culto- muito mais culto do que o Brasil. E a política do pão e circo, em tese, funciona bem melhor lá do que aqui. Mas, nas últimas semanas, chega a parecer o contrário. É preciso falar menos do Sporting.  Até porque, se os incêndios recomeçarem, não será Bruno de Carvalho quem apagará o fogo.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Morte

Em que momento a dor de uma morte passa? /premium

Ruth Manus
16.005

Aprendi a nunca dizer “seja forte” para alguém que perdeu alguém que ama imensamente. A nunca dizer “siga em frente” para quem viu boa parte da vida perder o sentido. Aprendi a simplesmente abraçá-los

Crónica

Estes deputados andam a dormir! /premium

Tiago Dores

Da próxima vez, e se quer viajar na TAP, nada como José Eduardo dos Santos marcar consulta em Portugal: mais atrasadas que as chegadas dos voos da TAP só mesmo as consultas nos hospitais portugueses.

Crónica

Amêndoas da Páscoa /premium

Maria João Avillez
231

Daqui a uns dias Notre Dame terá algumas linhas nos jornais e quando muito falar-se-á nos milhões doados pelos “ricos”, não no valor do ex-libris da civilização que nos foi berço e nos é raiz e matriz

Crónica

Subsídio is coming /premium

José Diogo Quintela
392

Um gigante de olhos azuis montado num dragão zombie ainda tem laivos de verosimilhança. Agora o nível de pilhagem do erário público praticado por esta gente exige uma suspensão de descrença bem maior

Crónica

Quatro notícias obscuras /premium

Alberto Gonçalves
1.083

Aliás, podem fazer o que quiserem: esta não é apenas a geração mais informada de sempre, mas a mais ridícula. Se este é que é o tal “mundo melhor” das lengalengas, fiquem com ele.

Crónica

Agostinho da Silva /premium

André Abrantes Amaral

O homem não nasceu para trabalhar, mas para criar. Ou como um miúdo de 15 anos conversou com alguém com mais de 80 sobre temas como o não termos nascido para trabalhar ou que a vida devia ser gratuita

Mar

Bruno Bobone: «do medo ao sucesso»

Gonçalo Magalhães Collaço

Não, Portugal não é uma «nação viciada no medo» - mas devia realmente ter «medo», muito «medo», do terrível condicionamento mental a que se encontra sujeito e que tudo vai devastadoramente degradando.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)