Se Bolsonaro é o fascista que dizem ser, por que razões tantos democratas brasileiros se recusam a fazer frente comum com Haddad, o candidato do PT que o defronta nesta segunda volta das eleições presidenciais? Porque se recusa muito especialmente Fernando Henrique Cardoso a apelar ao voto “anti-fascista”? Porque não meditam um pouco as legiões de indignados sobre as razões de pessoas como o antigo presidente se recusarem a formar a “frente anti-fascista” que tanto reclamam?

Mais: como é possível que a maioria dos brasileiros esclarecidos, moderados, civilizados, cultos, se prepare para votar num candidato nos é apresentado como um neofascista preparado para dar cabo, num ápice, da democracia brasileira?

Sem procurarmos responder seriamente a estas questões não podemos ir muito além das “explicações” para atingirmos a compreensão. E, nessa altura, sermos capazes de sair da armadilha dicotómica que nos apresenta de um lado um candidato inapresentável com quem não nos sentaríamos à mesa (eu não me sentaria) e, do outro, o continuador de um passado recente horrível mas que até é simpático e culto.

Era muito simples se a escolha fosse apenas entre o que tanto podemos descrever como uma “cabeça tosca, impreparada e perigosa” ou até mesmo como um “canalha” (Bolsonaro) e um candidato que o é apenas por procuração (Haddad nunca quis ser mais do que a representação de Lula). Mas não é – as coisas são mais complicadas.

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