Lisboa

Portagens e transporte público

Autor
  • Luís Campos e Cunha
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Tal como em outras cidades, deveria existir uma portagem a todos os carros que entram em Lisboa. Se vêm de Sintra ou da Amadora, não importa, são viaturas que utilizam os equipamentos da cidade.

Portagens à entrada de Lisboa são necessárias, justas, simples e eficientes.

Há umas semanas Fernando Medina, Presidente da Câmara de Lisboa (CML), propôs que os passes para os transportes públicos baixassem significativamente de preço. Pode ser uma boa medida, uma vez que diminui os custos de congestionamento em Lisboa, reduz a poluição e transforma para melhor a Cidade. Se os beneficiários são os lisboetas, devem ser eles a pagar o subsídio aos passes, o que não estaria na sua intenção, possivelmente. Em qualquer caso, algo mais tem de ser feito como complemento ou como substituto à sugestão de Presidente Medina.

Tal como em outras cidades, deveria existir uma portagem a todos os carros que entram em Lisboa. Se vêm de Sintra ou da Amadora, não importa, são viaturas que utilizam (e congestionam) os equipamentos da cidade pagos com dinheiros que pertencem aos lisboetas. Ou seja, são centenas de milhares de carros de cidadãos que nada contribuem para os equipamentos que utilizam em Lisboa, em grande parte pagos por fundos que pertencem aos lisboetas.

Se, por exemplo, cada viatura que entrasse em Lisboa pagasse um euro, seria uma receita da autarquia que contribuiria para o pagamento e manutenção dos equipamentos e compensaria os custos de congestionamento que impõem aos residentes de Lisboa. Portanto, tal medida justifica-se pelo princípio do utilizador-pagador.

Segundo, teria o efeito, a prazo, de incentivar o aumento dos residentes em Lisboa. Ou seja, não deixaríamos a cidade entregue só a turistas e residentes não permanentes e diminuiria a desertificação de Lisboa como cidade.

Terceiro, incentivaria a partilha do carro privado e a utilização dos transportes públicos, como deseja (e  bem) Fernando Medina.

Por último, com o Tejo, a CRIL, o Eixo Norte-Sul e Segunda Circular, Lisboa tem um número de entradas na cidade facilmente controláveis. Mais ainda, desde que criaram as portagens virtuais para as SCUT´s, temos a tecnologia para facilmente se aplicar tal medida. Ou seja, a aplicação das portagens à entrada de Lisboa é tecnicamente possível e simples.

Tipicamente, o contra-argumento é: as viaturas que entram em Lisboa já pagaram a portagem em Alverca da A1, ou a portagem da Ponte 25 de Abril,… e isso não resolveu nada. Este contra-argumento é falacioso, no mínimo. Primeiro, essas portagens são receitas do concessionário pelo serviço de manutenção desse equipamento e não da Cidade de Lisboa; segundo, quem vem de Setúbal para Sintra paga essas portagens mas não pagaria as portagens de Lisboa, porque não utilizaria equipamentos suportados pela CML; por último, as portagens à entrada de Lisboa não seriam em Alverca ou em Almada, seriam à saída de Loures ou na saída de Alcântara para entrar na cidade.

A medida proposta por Medina de reduzir o preços dos passes dos transportes públicos associada a esta proposta de portagens na cidade teria um efeito muito positivo na vida da cidade de Lisboa. Durante o dia seria menos congestionada e durante a noite não seria um semi-deserto.

Um dia, tal vai acontecer, porque não já? Os lisboetas votariam em massa em Fernando Medina e ainda há tempo antes das próximas autárquicas!

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