Global Shapers

Recrutam-se pessoas

Autor
313

Expressões vagas como "aprendo rápido" e "trabalho bem em equipa" ou “sou criativo” são termos comuns que pouco dizem sobre a pessoa. Esta dimensão pode ser mais relevante se ilustrada com exemplos.

Ao contrário do que escrevemos nos nossos currículos (um aparente somatório de experiências académicas e profissionais), o nosso percurso e as competências que adquirimos ao longo do tempo também nos definem e têm impacto no sucesso profissional. Numa altura em que se fala tanto de funções substituíveis, as competências como a liderança, comunicação ou criatividade deveriam ter uma preponderância muito maior no momento de recrutar ou ser recrutado.

Em 2013, a Google fez um estudo interno onde analisou dezenas de milhares de entrevistas para tentar descobrir se haveria alguma característica ou perfil-tipo que faria prever o sucesso no desempenho das equipas. Os resultados não foram encorajadores: Não havia correlação entre as pessoas com melhor desempenho e quem fez a entrevista nem tão pouco da Universidade e nota de final de curso. Após esta análise, e entre outras mudanças, algumas equipas começaram a recrutar pessoas sem curso universitário, pois reconheceu-se que se estaria a excluir talento com base na ideia (errada) que teriam uma menor chance de sucesso.

Quando iniciei a procura pelo primeiro emprego, senti a frustração de ver todos os anúncios a pedir experiência e pensava: “Se nunca me derem uma oportunidade, como é que posso alguma vez começar a trabalhar?”. O meu CV era, portanto, apenas a experiência académica e um estágio, tal como a maioria das pessoas que terminaram o curso na mesma altura por todo o país. Olhando para o papel, éramos parecidos. Conhecendo as pessoas, rapidamente se entendia que uns teriam facilidade em trabalhar em contextos de alta incerteza, outros eram analíticos e conseguiam trazer processos e organização. Estas competências ficavam escondidas e ignoradas pelos candidatos, e aos recrutadores restava-lhes a esperança de as conseguir detetar no processo da entrevista (para os que eram pré-selecionados).

Para a aquisição de skills formais, não faltam cursos gratuitos online, formações, livros, workshops e todo um manancial de oportunidades de formação mais ou menos estruturada – seja de marketing digital ou qualquer outra área. Dependendo dos objectivos de cada um, a escolha pode ser variada e contínua ao longo da vida. Há por isso uma expectativa no mercado que essas hard skills, que estão em constante mudança, possam ser aprendidas e afinadas constantemente por todas as pessoas. O mais difícil de comunicar e avaliar são as soft skills.

Como explicitar estas competências?

Expressões vagas como “aprendo rápido” e “trabalho bem em equipa” ou “sou criativo/a” são termos comuns que pouco dizem sobre a pessoa. Esta dimensão pode ser mais relevante se a ilustrarmos com exemplos onde aprendemos rápido ou uma situação extrema que demonstrou grande trabalho de equipa.

Numa candidatura a uma função de marketing digital, poderão as experiências de vida significativas contar para o processo de recrutamento? Parece-me, por exemplo, que ser ajudante de cozinha durante alguns meses noutro país, permite à pessoa desenvolver competências que não se aprendem em contextos formais e podem ilustrar a capacidade de adaptação à mudança e experiência em contextos de diversidade cultural.

Colocado de outra forma, a experiência é apenas um ingrediente: tê-la não prova que o produto final seja bom. A competência, por outro lado, é um indicador mais perto do produto final, apesar de nunca nos dar 100% de certeza.

Daniel Araújo, 30 anos, é o CEO da Attentive.us, uma empresa tecnológica criada em 2015, considerada “Top 10 B2B Startup in Europe” em 2016. Em 2017, participou no programa de aceleração Techstars em Boulder, EUA. Antes de lançar a empresa, foi analista de Indústria na Google em Dublin e Londres durante cinco anos. Juntou-se ao Hub de Lisboa dos Global Shapers em 2017

O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade, como aconteceu com este artigo. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da Comunidade dos Global Shapers.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Global Shapers

Quem manda aqui sou eu! /premium

Afonso Mendonça Reis
501

E se os alunos também fossem responsáveis pela sua escola? E se servissem os colegas na cantina uma vez por mês? E se pintassem a escola ou desenhassem um novo espaço para a tornar mais ao seu gosto?

Global Shapers

Liderança climática /premium

Simão Soares
131

É inspirador para o país o surgimento de iniciativas lideradas por empresas que procurem antecipar o futuro e trabalhar na criação e aplicação de políticas sustentáveis.

Global Shapers

Pai para mim, mãe para ti  /premium

Inês Relvas
143

Com a existência de um período de licença igualmente longo por parte dos pais, a decisão de preferência de um homem versus uma mulher para uma posição de trabalho poderá finalmente deixar de existir. 

China

Vamos mesmo ignorar isto? /premium

Sebastião Bugalho

A Europa assumiu pela primeira vez que o expansionismo da China representa uma ameaça para o continente e os jornais portugueses, que tão competentemente cobriram a visita de Xi, não fazem perguntas?

Governo

Quem quer casar com um governante?

Luís Reis

Se Soares foi Presidente-Rei, Costa revelou-se Primeiro-Ministro-Rei chamando o seu reduto doméstico a participar no governo dos súbditos, um nepotismo rosa instalado e a preparar a sucessão dinástica

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)